O que é

Um desafio para tornar o envelhecimento tratável

O envelhecimento é o declínio gradual da homeostase do organismo e das funções fisiológicas do corpo e da mente. É também o principal fator de risco partilhado por muitas das doenças crónicas associadas à idade. A Europa envelhece depressa: até 2050, a proporção de pessoas com mais de 85 anos deverá mais do que duplicar. O problema é que o aumento da esperança de vida não tem sido acompanhado por anos vividos com saúde, que se situam atualmente em cerca de 63 anos. É esta distância entre viver mais e viver bem que o desafio quer encurtar.

O EIC Pathfinder Challenge "Biotechnology for Healthy Ageing" (referência HORIZON-EIC-2026-PATHFINDERCHALLENGES-01-02) é um concurso do Conselho Europeu de Inovação que financia investigação de fronteira para transformar o conhecimento acumulado sobre os mecanismos celulares do envelhecimento em soluções biofarmacêuticas concretas. A lógica é simples de enunciar e difícil de executar: a ciência de base já identificou os hallmarks do envelhecimento, mas a tradução dessas descobertas em intervenções clínicas tem tido uma taxa de sucesso baixa. Este desafio existe para fechar essa lacuna.

Em síntese
Não se trata de financiar produtos de bem-estar nem nutrição de precisão. Trata-se de desenvolver intervenções que atuam na raiz molecular do envelhecimento, validadas em modelos fisiologicamente envelhecidos, com um caminho credível até à clínica.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O Pathfinder posiciona-se na fase mais precoce da cadeia de inovação, onde o risco científico é elevado e o capital privado raramente entra. Por isso responde a duas necessidades muito específicas das equipas de investigação e das empresas de base tecnológica em saúde.

  • I&D e ciência: o desafio financia a prova de conceito de intervenções, biomarcadores ou novas metodologias dirigidas aos processos moleculares e celulares do envelhecimento, incluindo estudos intervencionais em modelos animais fisiologicamente envelhecidos e a validação de assinaturas de biomarcadores em coortes de longevidade.
  • Arranque e validação: ao exigir proof of concept até TRL 3 e ao oferecer pontes para o EIC Transition e a Fast Track ao EIC Accelerator, o instrumento ajuda a maturar tecnologias ainda longe do mercado e a preparar o salto para fases de desenvolvimento e financiamento posteriores.
Objetivos

Três áreas de candidatura

As candidaturas devem desenvolver uma prova de conceito numa de três áreas distintas. Cada uma tem um perfil próprio e exigências de validação diferentes.

01
Intervenção preventiva ou terapêutica
Uma intervenção biotecnológica ou farmacêutica inovadora que previna, atrase ou reverta o início de uma doença associada à idade, dirigida a um processo molecular ou celular fundamental do envelhecimento. Deve demonstrar prova de conceito através de um estudo intervencional num modelo animal vertebrado fisiologicamente envelhecido e prever como a intervenção poderia ser testada em contexto clínico.
02
Ferramenta baseada em biomarcadores
Uma ferramenta que permita a implementação responsável de intervenções associadas ao envelhecimento, assente em candidatos a biomarcadores já identificados ou em ageing clocks. A descoberta de biomarcadores está explicitamente excluída. A ferramenta deve integrar múltiplas medições e ser validada num estudo retrospetivo inicial, com acesso comprovado a coortes de longevidade adequadas.
03
Nova metodologia (NAM)
Uma New Approach Methodology que vá além do estado da arte e que capture o estado envelhecido do sistema de forma integrativa, abrangendo mais do que um aspeto molecular ou celular e mais do que um tipo de tecido. Deve ser comparada com um modelo animal relevante e testada num caso de uso claramente especificado.

Ficam fora do âmbito a nutrição de precisão, o desenvolvimento de novos ageing clocks e as aplicações de wellness. Todas as propostas devem considerar o sexo biológico e os determinantes de saúde específicos de género, com o envelhecimento reprodutivo igualmente em foco.

A abordagem de portefólio

Não basta ser bom, é preciso encaixar no conjunto

Este é o aspeto que distingue o Pathfinder Challenge de uma call clássica. A avaliação decorre em dois passos. Primeiro, peritos independentes avaliam cada proposta isoladamente face aos critérios de excelência. Depois, o comité de avaliação mapeia todas as propostas acima do limiar em categorias e seleciona um portefólio coerente, aplicando considerações de diversidade e de complementaridade entre projetos.

A consequência prática é importante para quem se candidata: uma proposta muito bem classificada pode não ser selecionada se não tiver pontos de contacto com as restantes. Uma proposta demasiado semelhante a outra já incluída no portefólio também pode ficar de fora. A lista final de financiados difere, por isso, da ordenação por pontuação do primeiro passo.

5
Projetos máx. em Intervenções
3
Projetos máx. em Biomarcadores
2
Projetos máx. em NAMs

Os consórcios selecionados trabalham depois de forma coletiva, sob a orientação de um EIC Programme Manager, num plano estratégico comum revisto anualmente e em quatro grupos de trabalho: sinergias científicas e tecnológicas, implementação no mercado, considerações éticas e societais e divulgação. Recomenda-se que cada projeto preveja um work package dedicado às atividades de portefólio, com pelo menos 10 pessoas-mês.

Apoio complementar

Para além da subvenção

Os projetos do portefólio podem aceder a apoios adicionais que reforçam a transição para a inovação e para o mercado.

  • Booster grants: financiamento adicional até 50 mil euros para reforçar atividades de portefólio.
  • Business Acceleration Services: acesso ao ecossistema de serviços de aceleração de negócio do EIC.
  • Fast Track ao EIC Accelerator: via acelerada de acesso ao Accelerator após revisão do projeto.
  • EIC Transition: possibilidade de candidatura caso o projeto Pathfinder resulte numa prova de conceito experimental (TRL 3) ou numa tecnologia validada em laboratório (TRL 4).
Calendário
Abertura prevista para 22 de julho de 2026 e prazo de candidatura a 28 de outubro de 2026, às 17h00 (hora de Bruxelas). Está prevista uma sessão informativa sobre o tópico em 30 de março de 2026. As datas são as constantes do EIC Work Programme 2026 e devem ser confirmadas no portal oficial.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este desafio é exigente e não é para todos. Faz sentido para grupos de investigação e empresas de base científica com resultados pré-clínicos sólidos numa intervenção, biomarcador ou metodologia dirigida ao envelhecimento e com acesso real a modelos animais envelhecidos ou a coortes de longevidade. Quem não tiver esse alicerce experimental dificilmente passará o primeiro filtro de excelência.

A nossa recomendação central é tratar a dimensão de portefólio como parte integrante da estratégia de candidatura, não como uma formalidade. Vale a pena posicionar a proposta de forma clara numa das três categorias, explicitar onde encaixa no conjunto e prever desde já o work package de atividades de portefólio. O erro mais comum é apresentar excelência científica isolada e ignorar a lógica de complementaridade que decide a seleção final. A antecipação do caminho regulatório e da aceitação societal das intervenções de longevidade é outro diferenciador que os avaliadores valorizam.

A Open Capital ajuda equipas a avaliar o encaixe no desafio, a estruturar o consórcio e a articular este instrumento com as fases seguintes de financiamento europeu, do EIC Transition ao EIC Accelerator.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]