A Busy Angels deixou de existir em 2019
A Busy Angels foi fundada em abril de 2010 em Lisboa como grupo de business angels e, durante quase uma década, foi uma das estruturas de investimento privado em fase inicial mais ativas do país. A 24 de outubro de 2019 anunciou o fim da marca: passou a chamar-se Bynd Venture Capital e lançou em simultâneo um fundo de 10 milhões de euros. Não é uma extensão de nome nem uma segunda marca. A Busy Angels enquanto grupo de investidores que recebe candidaturas não existe desde então.
Convém separar duas coisas que partilham o nome. O que desapareceu foi a marca institucional. O que subsiste é um veículo de coinvestimento com o mesmo nome, o projeto Busy Angels com o código IFD-FC&QC-BA-01/16, cofinanciado pelo FEDER e dirigido a pequenas e médias empresas de base tecnológica do Norte, Centro e Alentejo. Esse veículo é gerido pela Bynd e tem ficha própria no nosso catálogo. Quem chega a esta página à procura dele deve seguir para lá.
A transição foi gradual e tem duas datas. Em 2015 o grupo já se tinha convertido em sociedade gestora de capital de risco, deixando de funcionar como assembleia de investidores individuais. Em 2019 formalizou-se a mudança de nome, com a equipa a descrever a operação como evolução de nove anos de prática acumulada e não como rutura. À data do anúncio, o portefólio contava 32 investimentos ativos.
Necessidades que este investidor resolve
As necessidades que a Busy Angels cobria continuam cobertas, mas por outra porta. Quem procura hoje este perfil de capital deve dirigir-se à Bynd Venture Capital, que herdou equipa, tese e portefólio. As duas necessidades mantêm-se as mesmas.
- Arranque e validação: entrada em rondas onde já existe sinal de mercado mas em que o capital de risco institucional ainda exige tração maior. É o intervalo entre a prova de conceito e a operação com métricas estabilizadas.
- Capitalização e crescimento: reforço dos capitais próprios numa fase em que os fundadores precisam de capital para acelerar a componente comercial, contratar equipa nuclear e preparar a ronda institucional seguinte.
O que a Busy Angels fez entre 2010 e 2019
A tese era generalista com enviesamentos claros: digital em sentido lato, marketplaces, plataformas de consumo, life sciences e energia limpa. Evitava modelos puramente de conteúdo ou de serviços profissionais sem componente tecnológica. Entre as participadas mais conhecidas contam-se a Endado, a Zaask e a eSolidar, todas plataformas digitais com tração no mercado ibérico.
Dois traços distinguiam-na das redes de business angels clássicas e ajudam a perceber o que a Bynd herdou. O primeiro era a decisão por equipa fixa de sócios em vez de assembleia de investidores individuais, o que encurtava materialmente o ciclo de decisão. O segundo era o coinvestimento sistemático: a Busy Angels raramente assinava sozinha e aparecia ao lado de nomes como a Sabadell Venture Capital ou a BStartup10, sinal de um posicionamento ibérico e não apenas nacional.
Havia ainda um critério formal explícito que vale a pena reter por continuar a filtrar no mercado: exigência de equipa fundadora com pelo menos dois sócios a tempo inteiro. Excluía projetos de fundador único e excluía equipas em que o primeiro responsável mantinha emprego paralelo.
Para onde se dirigir em vez da Busy Angels
A sucessora é a Bynd Venture Capital, sociedade gestora sediada em Lisboa. O fundo com que arrancou em 2019 tinha 10 milhões de euros e um objetivo declarado de pelo menos 20 investimentos, com reforços posteriores nas empresas que evoluíssem bem. A tese anunciada manteve a linha anterior: fase seed e early stage, digital nas vertentes B2B e B2C, sustentabilidade, life sciences e clean tech, com atuação em Portugal e Espanha.
Do lado do posicionamento no capital stack, pouco mudou. Continua a situar-se entre dois patamares: abaixo, o financiamento inicial dos próprios fundadores, os vouchers e os programas públicos de pré-seed; acima, o capital de risco institucional de maior dimensão. O que mudou foi a natureza do veículo: deixou de ser um conjunto de investidores privados a coinvestir caso a caso e passou a ser um fundo com mandato, período de investimento e obrigações de reporte.
A Open Capital publica uma ficha dedicada ao veículo atual, com o detalhe de fases, regiões elegíveis e cofinanciamento europeu. É essa a referência a usar em trabalho de angariação. Esta não serve.
O que recomendamos
Mantemos esta ficha publicada por uma razão prática: a Busy Angels aparece ainda em listagens de ecossistema, em bases de dados de investidores e em apresentações que circulam entre fundadores, sempre como se estivesse ativa. Uma empresa que a inclua num mapa de potenciais investidores está a gastar tempo com uma entidade que mudou de nome há sete anos. Pior: arrisca-se a submeter informação sensível num domínio que hoje pertence a terceiros.
Para quem preparava uma abordagem à Busy Angels, a substituição é direta e a tese é compatível: dirigir o contacto à Bynd Venture Capital. Vale a pena manter três cautelas da era anterior, porque a equipa é a mesma. A preferência pelo coinvestimento significa que a ronda ganha em chegar já com um investidor principal identificado. A exigência de dois sócios fundadores a tempo inteiro filtra cedo e não é negociável na prática. E a diligência mantém-se exigente, pelo que o calendário realista entre primeiro contacto e folha de termos se conta em semanas, não em dias.
Do nosso lado, tratamos esta entrada do catálogo como registo histórico. Quando estruturamos rondas seed para clientes em digital, plataformas de consumo ou ciências da vida, a referência que usamos é a sociedade atual.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]