A maior porta de entrada global para climatech em fase pré-receita
O ClimateLaunchpad é uma competição mundial de ideias de negócio com foco exclusivo em soluções climáticas. Opera desde 2014 sob a tutela da Climate KIC (Stichting Climate-KIC International Foundation), a maior parceria europeia público-privada dedicada à inovação para a transição climática e está hoje presente em 97 países. A edição de 2026 mantém a estrutura habitual: cada equipa entra através do coordenador nacional, passa por bootcamps de validação, disputa uma final nacional, depois uma final regional e as melhores chegam à grande final global em Singapura.
Mais do que um concurso de pitches, o programa é um caminho estruturado de seis meses que combina formação, mentoria e exposição a uma rede internacional de investidores climáticos. Para uma startup em estado embrionário, com produto ainda por validar e equipa por consolidar, o ClimateLaunchpad funciona como acelerador soft sem custos e sem cedência de equity, com a vantagem adicional de qualificar o projeto perante a comunidade EIT Climate-KIC e os fundos de venture capital especializados em clima.
Necessidades que este instrumento resolve
O ClimateLaunchpad é uma ferramenta para fundadores em estádio inicial que precisam de validar uma ideia climática e ganhar acesso a um ecossistema internacional de capital especializado. Não é um instrumento de financiamento direto, é um catalisador de arranque com selo de qualidade europeu.
- Arranque e validação: o programa foi desenhado para equipas com menos de dois anos, sem vendas comerciais relevantes e abaixo de 200.000 EUR de financiamento total. Os bootcamps cobrem precisamente esse momento de viragem entre ideia e modelo de negócio testável, com metodologia lean adaptada à realidade da climatech.
- Sustentabilidade, energia e clima: o foco temático é exclusivo. São aceites projetos de redução de emissões, adaptação climática, regeneração de ecossistemas, eficiência energética, mobilidade limpa, agricultura sustentável, economia circular e qualquer outra vertente da transição. Empresas sem ângulo climático não passam o filtro de elegibilidade.
Quem pode candidatar-se
A admissão é feita ao nível da equipa fundadora, não da empresa formalizada. É possível concorrer mesmo antes da constituição jurídica, desde que exista uma ideia validada por uma equipa identificada. Os critérios são cumulativos.
- Idade da empresa: menos de dois anos desde a constituição. Empresas mais maduras devem orientar-se para programas como o EIC Accelerator ou para fundos de venture capital climáticos.
- Financiamento total recebido: abaixo de 200.000 EUR considerando todas as fontes (equity, dívida e grants). O cap exclui empresas que já levantaram seed substancial.
- Estado comercial: sem vendas comerciais significativas. O programa é desenhado para a fase pré-receita, com produto eventualmente em protótipo ou prova de conceito.
- Disponibilidade da equipa: pelo menos um membro fundador tem de estar disponível para os bootcamps obrigatórios e, em caso de qualificação, para a grande final em Singapura.
Não há restrição geográfica formal. Portugal participa através do parceiro nacional ClimateLaunchpad Portugal, que coordena a final nacional e fornece apoio em português durante todo o ciclo. Os prazos podem variar ligeiramente por país, mas a deadline global é 15 de maio de 2026 às 23:59 CET.
Cinco etapas até à final em Singapura
Benefícios do programa
- Coaching especializado: mentoria por peritos em climatech, sustentabilidade e financiamento para projetos de transição climática.
- Validação estruturada: programa de teste de modelo de negócio adaptado à climatech, com metodologia lean e benchmarks setoriais.
- Rede global de investidores: exposição a fundos, business angels e corporates focados em clima e energia limpa.
- Visibilidade junto dos media: os finalistas globais ganham presença em meios europeus de climatech e acesso à comunidade alumni do programa.
O que o júri valoriza
Os critérios não premeiam tração comercial, isso seria contraditório com o perfil pré-receita exigido. Premeiam, sim, a robustez da tese e a capacidade da equipa para a executar.
- Originalidade e impacto climático: redução mensurável de emissões, adaptação climática credível, regeneração ecossistémica. Soluções incrementais com pouca diferenciação raramente passam a fase de bootcamp.
- Viabilidade do modelo de negócio: existe um pagador identificado, uma proposta de valor que se sustenta sem subsídio permanente, uma rota plausível para escala.
- Capacidade da equipa: complementaridade técnica e empresarial, comprometimento, qualidade da execução demonstrada nos bootcamps.
- Escalabilidade e potencial de mercado: a Climate KIC procura projetos com potencial multi-mercado, não soluções dependentes de um único contexto regulatório ou geográfico.
O que recomendamos
O ClimateLaunchpad é, na nossa leitura, o melhor programa europeu para fundadores em fase de ideia que querem testar credibilidade climática perante investidores especializados, sem comprometer equity. Recomendamo-lo em três contextos específicos: equipas técnicas com tese climática forte mas zero exposição a investidores; spin-offs académicos que precisam de tracionar narrativa de mercado antes de levantar pre-seed; e segundas tentativas, fundadores que já tentaram mas tropeçaram em modelo de negócio e querem refazer com método.
A armadilha mais comum é candidatar com produto demasiado maduro. Equipas que já têm receita ou que levantaram acima de 200.000 EUR são liminarmente rejeitadas e ficam com tempo perdido em fase de candidatura que poderia ter sido investido em programas mais alinhados, como o EIC Accelerator ou o EIT Climate-KIC PRIMARY (consórcios de bioeconomia). O segundo erro é subestimar a carga: o ciclo completo são seis meses, com bootcamps obrigatórios. Não é programa para encaixar em part-time.
Quem ganha o programa em pleno raramente é quem ganha apenas o prémio em Singapura. Ganha quem usa cada etapa para refinar a tese, alargar a rede de mentores e qualificar o projeto perante a comunidade EIT Climate-KIC. Para empresas portuguesas, o efeito de rede com investidores europeus é, em si, suficiente para justificar a candidatura, mesmo que a equipa não chegue à final regional.
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