O maior concurso mundial de startups climáticas, com edição em Portugal
O ClimateLaunchpad é o maior concurso global dedicado a startups de impacto climático, presente em mais de 50 países. Em Portugal, a edição é organizada pela UPTEC (Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto), que acolhe o programa desde 2016. Ao longo dessas dez edições, a UPTEC recebeu mais de 90 candidaturas nacionais e apoiou perto de 50 equipas, uma escala que convém ter presente: este é um concurso seletivo de dimensão contida, não um programa de massa.
O programa não oferece prémio monetário direto na fase nacional. O valor principal é o acesso a um programa intensivo de desenvolvimento e mentoria, o boot camp de três dias, mais a passagem para a grande final global do concurso, onde os apurados competem com equipas de todo o mundo. A visibilidade junto de investidores e potenciais parceiros é o ativo central para a maioria dos participantes.
Na edição 2026, as candidaturas encerraram a 15 de maio e as finais regionais decorreram a 15 e 16 de setembro. As equipas apuradas seguem para a grande final global, marcada para 14 de outubro de 2026. Portugal já venceu a competição à escala internacional: a Eco2Blocks ganhou a final global de 2018 e a Pavnext venceu a categoria Urban Transitions em 2017.
Necessidades que este instrumento resolve
O ClimateLaunchpad é especialmente relevante para equipas em fase inicial que precisam simultaneamente de validação da solução climática e de exposição ao ecossistema de investimento e parceiros estratégicos.
- Arranque e validação: o programa destina-se a startups early-stage com uma solução de impacto climático ainda em fase de prova de conceito ou validação de mercado. O boot camp e a competição funcionam como acelerador de maturidade: as equipas recebem feedback estruturado de mentores e do júri, refinam o pitch e testam hipóteses de negócio em contexto competitivo.
- Sustentabilidade, energia e clima: a missão central do programa é acelerar soluções que mitiguem ou adaptem à crise climática. As categorias cobertas são amplas (desde energia limpa e mobilidade sustentável até economia circular, alimentação, água e indústria descarbonizada), mas todas exigem impacto climático mensurável como critério de seleção.
Quem pode participar e em que áreas
A elegibilidade é ampla: podem candidatar-se empreendedores, investigadores e equipas com uma solução early-stage de impacto climático. Não é necessário ter empresa constituída, mas a solução deve ser suficientemente desenvolvida para ser apresentada de forma estruturada.
| Categoria | Exemplos de soluções |
|---|---|
| Clean Energy | Armazenamento, geração renovável, eficiência, smart grids |
| Sustainable Mobility | Mobilidade elétrica, logística de baixo carbono, mobilidade partilhada |
| Circular Economy | Reutilização, reciclagem, modelos de produto-serviço |
| Sustainable Construction | Materiais de baixo carbono, reabilitação, gestão de energia em edifícios |
| Food & Agriculture | Agri-tech, food tech, redução de desperdício alimentar |
| Water & Natural Resources | Gestão de água, soluções baseadas na natureza, biodiversidade |
| Industry Decarbonisation | Processos industriais de baixo carbono, captura de CO2, hidrogénio verde |
| Digital Solutions for Climate | IA climática, monitorização ambiental, plataformas de reporte de carbono |
Como funciona o programa anual
O ClimateLaunchpad Portugal segue uma estrutura consistente de ano para ano, com pequenas variações de calendário entre edições:
- Candidaturas (abril-maio): formulário online em climatelaunchpad.org com descrição da solução, impacto climático esperado e perfil da equipa. Sem taxas de participação.
- Boot camp (maio-junho): programa intensivo de três dias com sessões de mentoria, workshops de pitch e feedback de especialistas do setor. Presença obrigatória para os selecionados.
- Finais regionais (setembro): competição pública com júri de especialistas. As equipas vencedoras avançam para a grande final global do programa.
- Grande final global (outubro): os apurados das finais regionais competem com equipas de mais de 50 países, com visibilidade junto de investidores internacionais e parceiros corporativos globais. Em 2026 realiza-se a 14 de outubro.
Quem avalia e apoia o programa
Na edição 2026, os parceiros e membros do júri da final nacional incluem a UPTEC como organizador principal, a Ordem dos Engenheiros, a PRIO, a MEXT e a Fundação Santander Portugal. A composição do júri varia entre edições e tende a incluir perfis de investimento climático, grandes empresas com estratégias de inovação aberta e representantes académicos.
A presença de parceiros corporativos no júri não é apenas simbólica: algumas edições geraram conexões diretas entre startups finalistas e programas de inovação aberta dos parceiros, incluindo pilotos remunerados e acordos de cliente-piloto.
O que recomendamos
O ClimateLaunchpad é um programa de qualidade para startups climáticas em fase muito inicial. O boot camp tem valor real: três dias de mentoria intensiva com feedback estruturado de especialistas equivalem a semanas de iteração autónoma. A componente competitiva cria pressão saudável para afinar o posicionamento da solução.
O programa não substitui financiamento. Para equipas que precisam de capital para desenvolver a solução, o ClimateLaunchpad é mais útil como catalisador de visibilidade e como treino para rounds de investimento do que como fonte direta de recursos. A utilidade real está em chegar à fase europeia, onde a densidade de investidores climáticos é muito maior do que na fase nacional.
Para a edição 2027, recomendamos não esperar pela abertura oficial das candidaturas para preparar a proposta. Os melhores pitches são os que chegaram ao boot camp com a tese de impacto climático já quantificada e o perfil de cliente-alvo validado. Quem tem essa base pronta ganha muito mais do programa do que quem chega a construir esses elementos durante o boot camp.
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