O instrumento

O que é o Sentinel Strike Challenge

O Sentinel Strike Challenge é um concurso de prémio (prize contest) lançado pela Agência Europeia de Defesa (EDA), através do seu Hub for European Defence Innovation (HEDI). O objetivo é avaliar sistemas de munições de perseguição aérea de Classe I em condições de exercício operacional real, gerando dados de desempenho objetivos que informem as decisões de aquisição dos estados-membros da UE.

O concurso enquadra-se na Campanha de Experimentação Operacional 2026 (OPEX Campaign 2026), organizada pelo Exército Português na Zona de Treino Militar de Santa Margarida, em Santarém. A realização em Portugal não é acidental: é o resultado da posição de Portugal como país anfitrião dos exercícios multinacioanis da EDA para este ciclo.

O modelo de prize contest distingue-se dos contratos de aquisição tradicionais: as empresas participam sem necessidade de pré-qualificação administrativa pesada, submetem uma proposta técnica, e se selecionadas demonstram os seus sistemas ao vivo. O pagamento é feito depois da demonstração, com base nos resultados medidos.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O Sentinel Strike Challenge serve empresas de tecnologia de defesa com produtos maduros que precisam de validação em contexto operacional real. O modelo é especialmente adequado a PMEs e startups que não conseguem entrar no ciclo de aquisição convencional da defesa, por ser demasiado longo e administrativamente exigente.

  • Prémios e visibilidade: a participação no Sentinel Strike Challenge, mesmo sem ganhar o prémio máximo, posiciona a empresa como fornecedor validado em contexto militar europeu. O reconhecimento da EDA e a exposição perante decisores de defesa de múltiplos estados-membros valem mais do que o valor financeiro do prémio para empresas em fase de entrada no mercado de defesa.
  • I&D e ciência aplicada: a demonstração operacional gera dados de desempenho em condições reais que não são replicáveis em laboratório. Esses dados alimentam ciclos de desenvolvimento acelerado. Para empresas com sistemas entre TRL 6-8, este exercício é uma validação externa de elevado valor.
Estrutura do concurso

Duas fases, €2 milhões em prémios

10
Finalistas Stage 1
5
Finalistas Stage 2
€2M
Prémios totais
FaseCritérioPrémiosValor total
Stage 1 Avaliação técnica da proposta escrita Até 10 vencedores €200.000
Stage 2 Demonstração ao vivo em Santa Margarida 5 finalistas €1.800.000

Os 10 melhor classificados na Stage 1 avançam para a fase de demonstração, mas apenas os 5 finalistas recebem prémios da Stage 2. Os prémios da Stage 1 são distribuídos entre todos os 10 qualificados. A proporção dos prémios por lugar na Stage 2 não está publicamente detalhada nas informações disponíveis: as regras completas do concurso (Rules of Contest) requerem pré-registo junto da EDA.

Requisitos técnicos

Munições de perseguição de Classe I

O concurso é restrito a sistemas de Classe I, definida como munições de perseguição aérea com massa máxima à descolagem até 25 kg e alcance operacional até 40 km. Esta classificação corresponde a sistemas portáteis ou de pequena dimensão, operáveis por equipas reduzidas em campo de batalha, sem suporte logístico pesado.

Os sistemas são avaliados ao longo do ciclo completo de missão de precisão:

  • Planeamento de missão: capacidade de planear rotas, definir alvos e coordenadas antes do lançamento.
  • Lançamento e dispiegamento: fiabilidade, tempo de preparação e procedimentos de operação em condições de campo.
  • Deteção e rastreamento: capacidade dos sensores de identificar e manter lock em alvos fixos e em movimento.
  • Ataque e avaliação: precisão de ataque e capacidade de confirmar o efeito pós-missão.
Elegibilidade
O concurso está aberto a empresas, consórcios e entidades de investigação de estados-membros da União Europeia. Inclui PMEs, startups e grandes empresas com capacidade para fornecer sistemas completos de Classe I. Setores elegíveis: indústria de defesa, aeronáutica não tripulada, sistemas embarcados, eletrónica de defesa, IA aplicada, sistemas de navegação e sensores.
Contexto nacional

Portugal como país anfitrião

A fase de demonstração (Stage 2) realiza-se em setembro-outubro de 2026 na Zona de Treino Militar de Santa Margarida, em Santarém. O Exército Português é o organizador logístico no terreno. Esta localização confere às empresas portuguesas do setor de defesa e aeronáutica uma vantagem logística concreta: menor custo de transporte de equipamentos, maior facilidade de coordenação com a organização local, e visibilidade reforçada perante as delegações de outros estados-membros que estarão presentes.

Para a indústria de defesa portuguesa em fase de crescimento, o Sentinel Strike Challenge representa uma entrada pouco usual num mercado tipicamente fechado às PMEs: a EDA está deliberadamente a usar o modelo de prize contest para criar espaço para fornecedores emergentes que não têm capacidade de participar em contratos de aquisição multilaterais convencionais.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O Sentinel Strike Challenge é um instrumento de nicho, relevante para um número restrito de empresas portuguesas com sistemas tecnológicos em estado avançado de desenvolvimento (TRL 6-8). Para essas empresas, a janela é curta: o prazo para a Stage 1 é 4 de junho de 2026, e as regras completas do concurso requerem pré-registo imediato junto da EDA via o formulário disponibilizado em eda.europa.eu.

Para empresas em fases anteriores de desenvolvimento, o instrumento mais adequado da EDA é provavelmente o HEDI Open Call regular, com requisitos de maturidade tecnológica menores. Para I&D de defesa de base científica, o Horizonte Europa e os programas do EIC Accelerator são alternativas com prazos mais dilatados e menos exposição operacional exigida.

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