Radares que veem alem do horizonte: o que e a tecnologia OTH
Um radar convencional opera em linha de visão: deteta objetos a distancias tipicas de 200 a 400 km, limitado pela curvatura da Terra. Um radar Over-the-Horizon (OTH) supera esta barreira usando a ionosfera como espelho refletor, permitindo detetar aeronaves, misseis e embarcacoes a distancias entre 1.000 e 3.000 km. Para efeitos de alerta precoce e vigilancia estratégica, esta diferenca e critica.
O topico EDF-2021-DIS-RDIS-OTHR financiou investigação para desenvolver uma rede europeia colaborativa de radares OTH, com capacidade de vigilancia estratégica partilhada entre Estados-Membros. O conceito nao e apenas um radar mais potente: e uma rede distribuida de sensores que partilham dados e criam uma imagem operacional comum.
O Fundo Europeu de Defesa e a autonomia estratégica
O EDF e o maior instrumento de financiamento colaborativo de defesa da história da UE, com um orcamento de 7,3 mil milhoes de euros para 2021-2027. Visa reduzir a fragmentacao da indústria de defesa europeia, promover investigação colaborativa entre Estados-Membros e reforcar a autonomia estratégica da UE em capacidades criticas.
A categoria RDIS (Research for Disruptive Technologies) financia investigação de longo prazo em tecnologias com potencial de disruptura para as capacidades de defesa. E o equivalente defensivo das ações FET (Future and Emerging Technologies) do Horizonte Europa: alto risco, alto potencial, horizonte de aplicacao a 10-15 anos.
O que o projeto devia desenvolver
O aviso definia quatro vetores técnicos para os projetos financiados:
- Tecnologias de rede OTH europeia: arquitetura de rede distribuida de radares over-the-horizon com coerencia na imagem operacional comum.
- Vigilancia estratégica colaborativa: mecanismos de fusao de dados entre radares de diferentes localizacoes e possivelmente de diferentes paises.
- Partilha de dados entre nos de radar: protocolos e infraestrutura de comunicação segura para integrar as contribuicoes de multiplos sensores OTH.
- Autonomia estratégica europeia: desenvolvimento de capacidades nativamente europeias, sem dependencia de tecnologias ou plataformas de origem nao-europeia.
O ecossistema de defesa portugues e o EDF
Portugal tem uma indústria de defesa de dimensao moderada mas com capacidades de nicho reconhecidas: sistemas de comunicacoes tatices, sensores embarcados, tecnologias de vigilancia maritima e processamento de sinal para aplicacoes de radar. Empresas como a Tekever, na area de UAVs para vigilancia maritima, ou laboratorios universitarios com competencias em processamento de sinal de radio frequencia, sao exemplos de entidades com relevancia para topicos EDF de vigilancia e sensorizacao.
A Agencia Europeia de Defesa (EDA) e o ponto de entrada nacional para o EDF, atuando em articulacao com a Secretaria-Geral do Ministerio da Defesa Nacional. Para empresas portuguesas, participar em consorcios EDF - mesmo em papeis de parceiro técnico especializado - e uma forma de construir presenca num mercado de defesa europeu que esta a crescer significativamente desde 2022.
| Capacidade | Relevancia para OTH |
|---|---|
| Processamento de sinal RF | Algoritmos de filtragem e identificacao de alvos OTH |
| Fusao de dados de sensores | Integração de multiplos radares numa imagem operacional |
| Comunicacoes taticas seguras | Transmissao de dados entre nos de radar distribuidos |
| IA para vigilancia | Classificacao automatica de alvos e redução de falsos positivos |
| Vigilancia maritima | Aplicacao OTH para detetar embarcacoes de superficie |
O que recomendamos
Este topico encerrou em 2021 e os resultados foram anunciados em 2022. Para entidades com competencias em radar, sensorizacao ou vigilancia que pretendam aceder a financiamento EDF, o foco deve estar nas chamadas EDF 2024-2027, que incluem topicos de vigilancia estratégica, detecao e countermeasures.
O EDF opera num ciclo anual de chamadas. A preparacao de uma proposta competitiva exige tipicamente 9 a 18 meses de trabalho de consorcio e alinhamento com a politica de defesa europeia. Para uma empresa portuguesa de tecnologia de defesa ou de investigação dual-use, o primeiro passo e identificar um lider de consorcio europeu - tipicamente um integrador de sistemas de defesa - e construir uma proposta de valor como parceiro técnico especializado numa capacidade de nicho.
A Open Capital apoia organizações na identificacao de chamadas EDF relevantes, na construcao de propostas e na análise de fit com os criterios de selecao da Comissão Europeia. O calendario EDF 2025-2026 tem topicos relevantes para vigilancia e sensorizacao que podem interessar a entidades com competencias nesta area.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]