Contexto

O que é o tópico EDF-2026-RA-PROTMOB-FMLA

O European Defence Fund (EDF) é o instrumento da União Europeia que financia o desenvolvimento de capacidades de defesa em consórcios industriais e científicos transnacionais. A call EDF-2026-RA cobre Research Actions, ações de investigação aplicada que antecedem a fase de desenvolvimento, em regime de actual cost grant. O tópico PROTMOB-FMLA, com 15 milhões de euros de dotação indicativa, é dedicado ao Future Multirole Light Aircraft (FMLA): uma plataforma turboélice monomotor de baixo custo, concebida para preencher a lacuna entre os atuais sistemas operacionais e a tecnologia moderna em frotas europeias envelhecidas.

A racionalidade europeia parte da constatação de que grande parte das frotas atuais da UE neste segmento está envelhecida e que existe procura operacional crescente por uma aeronave ligeira capaz de operar em múltiplos cenários: apoio aéreo direto, ataque ligeiro, interceção anti-drone, ISR (intelligence, surveillance, reconnaissance) com elementos de combate e coordenação de ataque aéreo com apoio de controlo de tráfego em posições avançadas durante missões de contraterrorismo. O conceito FMLA não duplica nem fragmenta sistemas existentes de turboélice e transporte tático militar: alavanca plataformas, tecnologias e inovações europeias para reduzir risco de desenvolvimento. O posicionamento STEP é direto, contribuindo para defence technologies.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

PROTMOB-FMLA é uma Research Action com perfil aeronáutico aplicado. Para um beneficiário português, a leitura prática concentra-se sobretudo no eixo de I&D científica, com componente residual de capacitação industrial.

  • I&D e ciência: o tópico financia estudos e design, com atividades a montante e a jusante elegíveis no perímetro de Research Action. Cobre investigação aplicada em arquitetura de aeronave turboélice ligeira monomotor, integração de armamento e sensores para múltiplas missões, sistemas de controlo de voo, interface homem-máquina, comunicações tácticas, fusão de sensores ISR, anti-drone aerotransportado e capacidade modular para reconfiguração rápida entre missões. Centros de I&D aeronáutica, universidades com investigação em aerodinâmica, software de controlo, materiais compósitos e simulação aeronáutica encaixam de forma natural.
  • Investimento produtivo: as Research Actions cobrem atividades a montante e a jusante elegíveis, abrindo porta a integração industrial portuguesa em pacotes de fornecimento qualificado de subcomponentes (eletrónica embarcada, materiais, óticas, software) ou ensaios. A conversão eventual em programa industrial dependerá de uma futura Development Action e de procurement nacional.
Atividades elegíveis

O que pode ser financiado

As atividades alvo são estudos e design, com atividades a montante e a jusante elegíveis para Research Actions. Em linguagem prática, isto cobre o trabalho de investigação aplicada que tem de ocorrer antes de uma plataforma FMLA poder ser desenvolvida formalmente: levantamento de requisitos operacionais consolidados, definição de arquitetura de plataforma, modelação aerodinâmica, definição de envelope de missão multirol, integração conceptual de armamento e sensores, ensaio em túnel de vento ou em simulador e validação de subsistemas críticos em maquetas e bancadas.

Este perfil é compatível com competências aeronáuticas portuguesas existentes em fileiras como engenharia aeronáutica, materiais compósitos, sistemas embarcados, software de controlo de voo, comunicações tácticas e óticas militares. Universidades e centros tecnológicos com track record em investigação aeronáutica têm cabimento natural em pacotes de I&D aplicada. Empresas com produto em sistemas embarcados, conectividade tática ou subsistemas óticos podem participar como fornecedoras qualificadas em pacotes específicos.

15M€
Dotação indicativa
RA
Research Action
29set
Deadline 2026
Estrutura

Como se estrutura uma candidatura

As regras formais constam do call document oficial publicado no Funding & Tenders Portal. Há diferenças relevantes entre Research Actions e Development Actions que importa fixar antes de avaliar entrada num consórcio.

  • Consórcio mínimo transnacional: a regra base do EDF exige consórcio com pelo menos três entidades elegíveis estabelecidas em pelo menos três Estados-Membros ou países associados. Em Research Actions, os consórcios competitivos têm tipicamente 10 a 20 entidades, com peso significativo de centros de investigação, universidades e PME tecnológicas, em complemento a primes industriais aeronáuticos.
  • Procurement intent e capability declaration: em Research Actions, a exigência de procurement intent é tipicamente mais leve do que em Development Actions, embora o alinhamento com necessidades operacionais permaneça relevante para a avaliação política. A capability declaration continua a ser apresentada.
  • Ownership control: declaração obrigatória sobre controlo de propriedade. Tecnologias aeronáuticas militares, mesmo em fase de investigação, são consideradas críticas e dual-use.
  • Cofinanciamento: as Research Actions seguem o regime de actual cost grants previsto no Regulamento UE 2021/697, geralmente com taxas de financiamento mais elevadas do que em Development Actions, dado o caráter pré-comercial. Confirmar no call document para o ano em causa.
Verificação obrigatória
Condições específicas de elegibilidade, países elegíveis, taxas de financiamento, exigências de segurança classificada (PSI) e critérios de avaliação constam das secções 5 a 10 do call document oficial publicado no Funding & Tenders Portal. Antes de qualquer envolvimento, ler o call document completo é obrigatório.
Para que tipo de empresa

Quem encaixa neste tópico

PROTMOB-FMLA encaixa em entidades com competência clara em I&D aeronáutica aplicada. Em Portugal, o perfil compatível inclui universidades e laboratórios com investigação em aerodinâmica, propulsão e materiais compósitos, centros tecnológicos com track record em sistemas embarcados aeronáuticos, empresas com produto em eletrónica robusta e comunicações tácticas e fabricantes de subsistemas óticos e ISR. A indústria aeronáutica nacional tem dimensão inferior à dos grandes Estados europeus, mas mantém competências reais em fileiras adjacentes que podem entrar num consórcio FMLA.

Em termos de modo de entrada, o caminho realista passa por participação em pacotes de trabalho específicos, dentro de consórcios liderados por primes europeus com track record em aeronave ligeira ou em programas conjuntos. Universidades e centros de investigação podem entrar diretamente em pacotes de I&D científica. PME com competência diferenciadora num subsistema crítico e referências em programas anteriores, têm porta aberta para tier 2 ou tier 3.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

PROTMOB-FMLA é um tópico tecnologicamente atrativo, mas o seu enquadramento como Research Action condiciona expetativas. A entrega esperada é uma base científica e conceptual robusta para uma futura Development Action, não um demonstrador industrial nem um protótipo voador. Para empresas portuguesas, isto significa duas coisas. Primeiro, o valor financeiro direto por entidade tende a ser modesto, dada a dimensão do consórcio típico e a partilha por pacotes de I&D. Segundo, o valor estratégico está em ficar bem posicionado para quando a fase de desenvolvimento for aberta, presumivelmente em chamadas EDF futuras a três a cinco anos.

Para empresas e centros que avaliem participação, a recomendação prática passa por três frentes. Primeiro, identificar precocemente o consórcio em formação com maior probabilidade de submissão competitiva, idealmente liderado por um prime europeu com produto adjacente em aeronave ligeira ou turboélice tática. Segundo, definir com clareza o pacote de I&D específico que a entidade nacional pode trazer, com diferenciação técnica demonstrável e referências em programas anteriores. Terceiro, alinhar o trabalho científico que se assume com objetivos de transferência para indústria nacional, evitando contribuição puramente académica sem retorno industrial.

A leitura estratégica é clara. A Europa quer reconstruir capacidade soberana em aeronave ligeira polivalente, depois de duas décadas de fragmentação. Empresas e centros que se posicionem agora em FMLA ficam num percurso de longo prazo coerente, com várias chamadas previsíveis até final da década, dentro do EDF e fora dele.

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