O que é

O concurso mudou de nome e de prémio

O programa que durante mais de uma década se chamou EIT Digital Challenge passou a operar sob a marca 28DIGITAL. O endereço antigo, eitdigital.eu/challenge, redireciona hoje para 28digital.eu/champions. O concurso chama-se agora 28DIGITAL Champions. A iniciativa continua a partir do European Institute of Innovation and Technology (EIT), o organismo da União Europeia que financia comunidades de inovação em áreas estratégicas.

A mudança não é apenas de nome. O concurso deixou de distribuir prémio monetário e passou a premiar com serviço: as empresas selecionadas recebem um ano de acompanhamento de fundraising pela equipa de Growth Services do programa. Quem preparar uma candidatura a partir de material antigo arrisca construir o argumento à volta de um prémio em dinheiro que já não existe.

O posicionamento mantém-se: um processo de seleção europeu, exigente, dirigido a empresas de tecnologia já com tração comercial e ambição internacional. O que muda é a natureza do que está em jogo, que passa de reconhecimento com cheque a apoio operacional a uma ronda de financiamento.

Elegibilidade

Perfil das empresas elegíveis

Não é um concurso para empresas em fase de ideia. Os critérios são explícitos e filtram tudo o que esteja aquém de tração comercial demonstrada:

  • Empresa de tecnologia em crescimento rápido: o programa dirige-se a empresas de base tecnológica com ambição internacional declarada, não a projetos locais ou a serviços sem componente tecnológica própria.
  • Máximo de dez anos: constituídas depois de 1 de janeiro de 2015.
  • Limiar financeiro: receita mínima de 500.000 euros em 2024 ou, em alternativa, pelo menos 2.000.000 de euros de financiamento acumulado até à data. Basta cumprir uma das duas vias.
  • Sede europeia: constituída num dos 27 Estados-Membros da União Europeia ou num país associado ao Horizonte Europa, o que inclui Portugal.
Atenção ao limiar de receita
O patamar de receita subiu para 500.000 euros. Guias e notícias que ainda circulam com o valor de 300.000 euros referem-se a edições anteriores do EIT Digital Challenge. A via alternativa dos 2.000.000 de euros de financiamento acumulado mantém-se e é, para muitas empresas portuguesas de deep tech com rondas fechadas mas receita ainda curta, a porta de entrada mais realista.
Categorias

Os cinco eixos temáticos

O concurso organiza-se em cinco categorias, que cobrem os principais vetores da transformação digital da economia e da sociedade europeias. Cada empresa candidata-se a uma categoria específica:

Categoria Foco Exemplos de tecnologias
Digital Tech Tecnologias digitais fundamentais IA, cibersegurança, quântica, cloud, blockchain
Digital Industry Transformação digital da indústria Indústria 4.0, manufatura inteligente, robótica industrial
Digital Cities Cidades e infraestruturas inteligentes Smart grids, mobilidade urbana, gestão de edifícios
Digital Wellbeing Saúde digital e bem-estar Healthtech, wearables, telemedicina, dados de saúde
Digital Finance Tecnologia financeira e fintech Open banking, regtech, insurtech, cripto-ativos

A amplitude das categorias diz o essencial sobre o programa: não é um acelerador setorial, é um instrumento transversal de apoio ao ecossistema digital europeu. Uma empresa de IA aplicada a diagnóstico médico cabe tanto em Digital Tech como em Digital Wellbeing. A escolha entre as duas é uma decisão estratégica, não administrativa. Determina contra quem a candidatura vai ser comparada e que investidores estarão na sala.

O que o vencedor recebe

Um ano de acompanhamento, não um cheque

1
Ano de Growth Services
5
Categorias temáticas
10
Anos máximos de idade

As empresas selecionadas recebem um ano de acompanhamento de fundraising pela equipa de Growth Services do programa. O trabalho organiza-se em três frentes declaradas: preparar a empresa para apresentar o seu caso a investidores, ligá-la a investidores internacionais e acompanhar o fecho da ronda seguinte.

É um formato que vale muito ou quase nada, consoante o momento da empresa. Para quem está a construir a ronda e ainda não tem acesso qualificado a fundos europeus, um ano de introduções e de preparação de pitch resolve exatamente o estrangulamento certo. Para quem já tem lead investor identificado e conversas avançadas, o retorno é marginal e o tempo de gestão consumido no processo pode não se justificar.

Há também um efeito de sinalização que não aparece no regulamento. Passar uma seleção europeia deste tipo funciona como validação por terceiros num mercado onde a filtragem de oportunidades é um problema real para investidores e para empresas. Esse sinal pesa nas primeiras conversas e dispensa parte da explicação inicial.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

As candidaturas da edição em curso estão encerradas. A última submissão fechou a 2 de dezembro de 2024 e a competição de pitch decorreu em 14 e 15 de janeiro de 2025. À data desta atualização, setembro de 2026, o programa não publicou calendário para a edição seguinte. A transição de marca para 28DIGITAL torna prudente confirmar o calendário diretamente em 28digital.eu/champions antes de planear qualquer coisa à volta dele.

A avaliação de fundo mantém-se favorável para o perfil certo. Uma empresa portuguesa de base tecnológica que cumpra o limiar de receita ou o de financiamento tem aqui um custo de oportunidade baixo, porque a candidatura é em inglês e não tem taxa de inscrição, contra um retorno que pode ser material se a ronda seguinte estiver mesmo por construir. O que mudou com o novo formato é o tipo de empresa que ganha mais: quem precisa de acesso a investidores ganha muito, quem precisava de tesouraria deixou de encontrar aqui resposta.

A preparação de uma candidatura competitiva exige uma narrativa clara de impacto técnico e de mercado e uma escolha deliberada da categoria. Empresas que tentam ser tudo para todos raramente passam a triagem. A Open Capital pode apoiar a articulação do pitch e a preparação da documentação de candidatura a este tipo de concursos.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]