28DIGITAL Venture Incubation Program
O Venture Incubation Program é o programa de incubação operado pelo 28DIGITAL, uma iniciativa europeia financiada pelo EIT no âmbito do Horizon Europe, que apoia startups em domínios digitais críticos para a soberania tecnológica europeia. A proposta combina mentoria estruturada, capital de arranque e acesso a uma rede pan-europeia de programas-irmãos focados em deep-tech.
A lógica é a de um programa em duas fases. Na primeira, todas as equipas selecionadas recebem €5.000 (Growth Package) e atravessam um bootcamp seguido de 12 semanas de incubação, com Demo Day final. Na segunda, as melhores equipas competem por prémios adicionais até €25.000. O Growth Package não é uma subvenção pura: o programa fica com 5% de equity através de um instrumento SAFE (Simple Agreement for Future Equity).
Necessidades que este instrumento resolve
O 28DIGITAL é desenhado para o momento mais difícil de validar a partir de capital privado: a transição entre ideia tecnológica defendida em laboratório ou ambiente académico e produto demonstrável a clientes ou investidores. Cobre simultaneamente uma necessidade de validação inicial e uma necessidade de I&D aplicada.
- Arranque e validação: só são elegíveis startups constituídas em 2025 ou posteriores, em fase de protótipo, prova de conceito ou próximas de MVP. O Growth Package financia exatamente o ciclo de validação técnica e de mercado que normalmente antecede a primeira ronda formal de capital.
- I&D e ciência: os domínios elegíveis (IA, cibersegurança, computação quântica, semicondutores, 5G/6G, blockchain, edge computing) são todos áreas onde o produto exige investigação aplicada significativa. As 12 semanas de incubação destinam-se a transformar conhecimento técnico em arquitetura de produto.
Quem pode candidatar-se
- Equipa multidisciplinar: mínimo de 2 membros. Solo founders não estão cobertos.
- Constituição recente: a startup tem de ter sido constituída legalmente em 2025 ou depois. Empresas anteriores a 1 de janeiro de 2025 estão excluídas.
- Localização: residência ou estabelecimento nos 27 Estados-Membros da UE, ou em países associados ao Horizon Europe (Montenegro, Macedónia do Norte, Sérvia, Turquia, Ucrânia).
- Domínio tecnológico: a empresa tem de operar num dos sete domínios estratégicos do 28DIGITAL.
- Maturidade técnica: protótipo, prova de conceito ou estágio próximo de MVP. Ideias em papel ficam abaixo do limiar.
Os sete focos tecnológicos do 28DIGITAL
A lista é fechada e reflete as prioridades da Comissão Europeia para a soberania digital do bloco. Empresas fora destes domínios não passam a primeira filtragem, ainda que tenham proposta tecnicamente forte.
- Inteligência Artificial
- Cibersegurança
- Cloud e edge computing
- Conetividade avançada (5G/6G)
- Tecnologias quânticas
- Semicondutores
- Tecnologias de dados e blockchain
Capital, equity e calendário
| Componente | Valor | Notas |
|---|---|---|
| Growth Package (Fase 1) | €5.000 | Atribuído a todas as equipas selecionadas no momento do arranque |
| Prémio final (Fase 2) | Até €25.000 | Competitivo, atribuído após Demo Day |
| Equity | 5% via SAFE | Instrumento de conversão em ronda futura |
| Abertura | 10/04/2026 | Sessão informativa a 27/04/2026 |
| Encerramento | 09/06/2026, 17:00 CET | Janela de candidatura de cerca de 8 semanas |
O ponto de atenção é o instrumento SAFE. Um SAFE não é dívida nem equity imediato, mas converte-se em ações na próxima ronda formal de capital, com termos negociados à partida. Para uma startup em estágio muito inicial, ceder 5% por €5.000 implica uma valorização implícita de €100 mil, que pode ou não ser confortável dependendo da maturidade do projeto e da expectativa para a primeira ronda séria.
Como decorrem as duas fases
A Fase 1 começa com um bootcamp inicial e estende-se por 12 semanas de incubação, com mentoria, desenvolvimento de MVP e validação de mercado. Termina com um Demo Day onde as equipas apresentam o avanço face ao plano apresentado em candidatura.
A Fase 2 é uma competição final entre as equipas selecionadas para os prémios adicionais. Aqui o critério não é apenas a tecnologia, é a tração demonstrável obtida durante as 12 semanas: utilizadores beta, contratos pilot, métricas de produto, sinais de tração comercial.
O que recomendamos
O Venture Incubation Program é um instrumento de pré-seed europeu com proposta clara: capital pequeno, equity simbólico via SAFE e acesso a uma rede pan-europeia que muitas startups portuguesas não conseguem atingir por canais nacionais. Para empresas em fase de protótipo ou prova de conceito num dos sete domínios elegíveis, o cálculo é geralmente favorável.
Quando faz sentido candidatar: empresa constituída em 2025 ou 2026, equipa de 2 ou mais cofundadores com competência técnica clara no domínio escolhido e produto que já saiu do PowerPoint. Quando não faz: ideias sem qualquer demonstrador, equipas mono, empresas constituídas antes de 2025, ou negócios fora dos sete domínios mesmo que tecnologicamente sólidos.
Erros comuns: tratar o SAFE como subvenção e ignorar a diluição implícita; submeter sem ter validado se o domínio próprio se enquadra nos focos do programa (uma fintech sem componente de cibersegurança ou IA, por exemplo, não passa); apresentar o pedido em modo académico em vez de modo de negócio. O programa quer empresas, não papers.
Recomendamos articular esta candidatura com outras vias paralelas, como o EIC Accelerator ou o Portugal Ventures Call, para construir uma narrativa de financiamento em camadas em vez de apostar tudo num único instrumento.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]