Horizonte Europa

O que é esta linha

O código HORIZON-CL4-2022-RESILIENCE-01-04 identifica um dos tópicos do Cluster 4 do Horizonte Europa, o cluster dedicado à indústria digital, ao espaço e à autonomia estratégica europeia. Dentro do destino "Resiliência", este tópico financiava projetos de inovação para desenvolver plataformas digitais aplicadas à indústria extrativa de pequena escala, aos clusters mineiros e às PME do setor.

A lógica é a que atravessa toda a política europeia de matérias-primas: a União precisa de acesso seguro a matérias-primas primárias, em particular às matérias-primas críticas que alimentam as cadeias de valor industriais e os setores estratégicos. A digitalização das operações extrativas é vista como uma das alavancas para tornar esse acesso mais eficiente, mais transparente e mais compatível com a proteção da biodiversidade.

Aviso encerrado
Este tópico correspondeu ao programa de trabalho 2021-2022 do Horizonte Europa e o prazo de candidatura terminou a 30 de março de 2022. A ficha mantém-se no catálogo como referência sobre as prioridades europeias em matérias-primas. Tópicos análogos voltam a surgir nos programas de trabalho seguintes do Cluster 4, pelo que continua a ser útil para quem prepara consórcios para edições futuras.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Enquanto financiamento europeu de I&D e inovação, esta linha cruza duas necessidades concretas de quem opera na fileira das matérias-primas: digitalizar processos operacionais e desenvolver conhecimento aplicado que ainda não existe no mercado.

  • Digitalização e IA: o tópico financiava plataformas digitais que integram dados de observação da Terra, dados recolhidos no terreno e modelação, para melhorar a gestão de informação e a tomada de decisão ao longo do processo extrativo, com automação, interoperabilidade e serviços web integrados.
  • I&D e ciência: por ser uma Ação de Inovação com metas de maturidade tecnológica (TRL 6-7), exigia desenvolvimento de novos modelos de negócio e de operação, uma estratégia credível de fabrico à escala na União e a passagem das soluções da fase de demonstração para a pré-operação.
O que financiava

Âmbito dos projetos

Os projetos deviam desenvolver plataformas digitais que integrassem dados de observação da Terra e dados in situ, escaláveis ao volume crescente de informação das atividades extrativas. Esperava-se conformidade com a diretiva INSPIRE para permitir a recolha de dados ao nível europeu e a avaliação do desempenho e da competitividade da indústria extrativa.

  • Gestão de dados: técnicas de assimilação, sistematização e melhores práticas de interoperabilidade aplicadas ao processo extrativo.
  • Modelos de negócio: cada proposta tinha de incluir um caso de negócio e uma estratégia de exploração dos resultados.
  • Diálogo com a sociedade: as plataformas deviam contribuir para aproximar a indústria extrativa dos cidadãos, tornando visível o papel das matérias-primas nas cadeias de valor.

O foco em operações de pequena escala e em PME distingue este tópico de outras linhas do mesmo destino, mais orientadas para a grande mineração ou para a política de licenciamento.

Elegibilidade

Quem se podia candidatar

Como em qualquer Ação de Inovação do Horizonte Europa, a candidatura fazia-se em consórcio, com um mínimo de três entidades independentes de três Estados-Membros ou países associados diferentes. As entidades portuguesas, empresas, centros de interface, universidades, laboratórios e associações do setor, participam em igualdade de circunstâncias com as suas congéneres europeias.

A taxa de financiamento das Ações de Inovação é de 70% dos custos elegíveis para entidades com fins lucrativos e de 100% para entidades sem fins lucrativos. Esta é a principal diferença face às Ações de Investigação e Inovação e às Ações de Coordenação e Apoio do mesmo cluster, financiadas a 100%.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O tópico está encerrado, mas a leitura estratégica mantém-se válida. As matérias-primas críticas são uma prioridade estrutural da União e o Cluster 4 do Horizonte Europa reabre regularmente tópicos sobre digitalização, rastreabilidade e sustentabilidade da fileira extrativa. Para uma empresa portuguesa com tecnologia de dados, sensorização ou plataformas de gestão aplicáveis à mineração, o valor deste histórico está em perceber o que a Comissão Europeia procura e com que grau de maturidade.

O erro comum é olhar para um aviso fechado e descartá-lo. A abordagem certa é usar estes tópicos como mapa das prioridades europeias, identificar parceiros de consórcio com antecedência e ter a proposta preparada quando a linha equivalente reabrir. Consórcios competitivos constroem-se ao longo de meses, não nas semanas finais antes do prazo. Se a sua empresa atua nesta fileira, ajudamos a posicioná-la nos próximos programas de trabalho.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]