A chamada espacial do Horizon Europe 2026
O HORIZON-CL4-2026-03 e a principal chamada de investigação espacial do Horizon Europe para 2026. Com €90,97 milhoes distribuidos por 8 topicos, cobre desde o acesso fisico ao espaco ate as aplicacoes terrestres de dados e servicos satelitares, passando pelos componentes criticos necessarios para a autonomia estratégica europeia no setor.
A chamada foi aberta em marco de 2026 com prazo de candidatura ate 3 de setembro de 2026. E gerida pela HaDEA (European Health and Digital Executive Agency) e insere-se no Cluster 4 do Horizon Europe, que agrega os temas de digital, indústria e espaco.
Do lancamento orbital ao sensor de campo
| Pilar | Dotacao | Temas cobertos |
|---|---|---|
| Accessing Space | €22,59M | Infraestruturas de lancamento europeas, propulsao para acesso ao espaco |
| Using Space on Earth | €38M combinados | Observacao da Terra (sensores, algoritmos), telecomunicacoes 5G/6G via satelite, conectividade em zonas remotas |
| Space Sciences and Exploration | €3,92M | Análise de dados de missoes cientificas, preparacao de missoes de exploracao futuras |
| Critical Space Technologies | €26,46M | Semicondutores resistentes a radiacoes, propulsao eletrica, software autonomo, materiais para ambientes extremos |
Agencias, OEMs, PMEs e universidades em consorcio
A regra base aplica-se: mínimo de 3 entidades independentes de pelo menos 3 paises elegiveis. Sao elegiveis agencias espaciais nacionais (ESA e membros), grandes OEMs aeroespaciais, PMEs tecnologicas, universidades e centros de investigação.
A participacao em topicos de observacao da Terra pode incluir entidades com capacidade de processamento de dados geoespaciais ou desenvolvimento de sensores remotos. Os topicos de telecomunicacoes via satelite podem envolver operadores de telecomunicacoes como parceiros.
Um ecossistema em crescimento com pontos fortes identificados
Portugal tem uma presenca crescente no setor espacial europeu. O Instituto de Astrofisica e Ciencias do Espaco (IA) em Lisboa e Porto e a principal instituicao de investigação espacial, com experiencia em dados de missoes cientificas (Gaia, Cheops). A CRITICAL Software em Coimbra e reconhecida internacionalmente por software de missao critica para sistemas espaciais e de defesa.
A GMV Portugal (subsidiaria da GMV espanhola) trabalha em sistemas de navegacao e telemetria. O Aerospacial Cluster Portugal agrupa PMEs com competencias em materiais compositos, electronica e engenharia de sistemas. Para o pilar de observacao da Terra, ha capacidade nacional em processamento de dados geoespaciais atraves de empresas como a Deimos Engenharia e a GMV, bem como na academia via INESC TEC e institutos geograficos.
O que recomendamos
O pilar de maior acessibilidade para entidades portuguesas sem histórico espacial e o Using Space on Earth, concretamente os topicos de observacao da Terra. Empresas com competencias em processamento de dados, machine learning ou desenvolvimento de algoritmos podem entrar em consorcios focados em aplicacoes especificas: gestão agrícola por satelite, monitorizacao costeira, florestal ou de infraestruturas criticas.
O pilar Critical Space Technologies e tecnicamente muito exigente e normalmente dominado por grandes OEMs europeus. Para PMEs portuguesas, a entrada mais pragmatica passa por sub-contratacao em topicos especificos onde a empresa tem uma competencia diferenciadora em componentes ou software. O prazo de setembro de 2026 deixa ainda tempo para identificar parceiros e montar propostas.
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