O que é este tópico
O tópico HORIZON-CL4-2026-04-DIGITAL-EMERGING-09 do Cluster 4 do Horizonte Europa financia o desenvolvimento de gémeos digitais locais alimentados por inteligência artificial, com um objetivo muito concreto: proteger cidadãos da ameaça das cheias através de decisão proativa. Em vez de reagir ao desastre, a ideia é prever, simular e mitigar o impacto antes que ele ocorra.
O instrumento é uma Innovation Action, a modalidade do Horizonte Europa mais orientada para a demonstração e validação em ambiente próximo do real. As atividades começam tipicamente em TRL 5 e devem alcançar TRL 7 no final do projeto, ou seja, levar a tecnologia do protótipo validado em laboratório até à demonstração em condições operacionais. O financiamento assume a forma de montante fixo (lump sum).
Necessidades que este instrumento resolve
Este tópico vive na interseção de três necessidades que normalmente se financiam em separado: a investigação aplicada, a transformação digital por via da IA e a resiliência climática. É essa convergência que define o perfil dos consórcios competitivos.
- I&D e ciência: o tópico financia uma forte componente de investigação e inovação para prototipar, testar e validar à escala algoritmos de IA capazes de modelar múltiplos tipos de desastre, com foco na implementação em contextos reais.
- Digitalização e IA: o núcleo do projeto é desenvolver algoritmos de IA que vão além de funções rígidas, integrando-os com modelos hidrológicos e hidráulicos de alta resolução. Privilegia-se a IA frugal e local, que reduz emissões e funciona mesmo com conetividade limitada.
- Sustentabilidade, energia e clima: o resultado esperado é reforçar a proteção dos cidadãos face às cheias num contexto de alterações climáticas, expandindo as capacidades dos gémeos digitais locais para a resiliência urbana e o planeamento.
Quem se pode candidatar
As candidaturas são apresentadas por consórcios, nos termos gerais do Horizonte Europa. O perfil ideal combina autarquias e operadores de gestão de cheias, centros de investigação e empresas tecnológicas com competências em IA, modelação hidrológica e dados geoespaciais. As condições de elegibilidade de países seguem o Anexo B das Disposições Gerais do Programa de Trabalho.
O que se espera dos projetos
Os projetos devem aplicar IA à criação de gémeos digitais locais para preparação face a cheias, permitindo simular cenários, identificar zonas de risco e estimar danos potenciais. Entre os resultados esperados:
- Modelos de danos à escala do edifício: cálculo de impactos edifício a edifício, base para mapas de pontos críticos de dano.
- Interfaces interativas: componentes que podem ser trocados e reconfigurados para estimar danos sob diferentes cenários de planeamento urbano e gestão de risco.
- Integração de dados: terreno detalhado, uso do solo, características urbanas, dados de solo e informação meteorológica em tempo real das redes hidrométricas e das infraestruturas de drenagem.
- Abertura e reutilização: soluções tanto quanto possível open source, transferíveis através de plataformas abertas e modulares para reutilização fora da Europa.
As propostas devem ter em conta a experiência do JRC em sistemas globais de gestão de risco e analisar a adoção dos resultados pelo Copernicus Emergency Management Service, alinhando-se ainda com iniciativas como o Global Flood Awareness System e o Destination Earth.
O que recomendamos
Este é um tópico de demonstração, não de investigação fundamental. As propostas vencedoras serão as que conseguirem provar a tecnologia em contexto operacional real, idealmente com uma autarquia ou autoridade de proteção civil envolvida desde o início como local de teste. A componente de validação à escala TRL 7 exige um caso de uso territorial credível, com dados disponíveis e um parceiro institucional empenhado.
Para empresas e centros de I&D portugueses com competências em IA aplicada a riscos naturais, o tópico é uma porta de entrada relevante, sobretudo num país onde as cheias urbanas e fluviais são um problema recorrente. Recomendamos atenção a dois eixos pouco glamorosos mas decisivos na avaliação. Primeiro, a estratégia de abertura e interoperabilidade dos resultados, que o tópico valoriza explicitamente. Segundo, o alinhamento com o ecossistema europeu de gestão de emergências (Copernicus, JRC, Destination Earth). Estes pontos pesam tanto na nota como a qualidade técnica do algoritmo.
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