Porque a Europa precisa dos seus proprios cosmodromos
O acesso ao espaco e uma capacidade dual: tem dimensao civil, comercial e militar. A Europa tem dependido historicamente de um número reduzido de instalações de lancamento, algumas fora do território europeu continental. O Centro Espacial da Guiana, em Kourou, foi durante decadas a principal plataforma europeia, mas a sua localizacao fora da Europa e as turbulencias recentes no setor dos lancadores europeus tornaram urgente a diversificacao geografica.
O surgimento de novos mercados de lancamento, incluindo operadores comerciais e missoes de pequenos satelites, criou uma janela de oportunidade para cosmodromos alternativos dentro da UE. Varios Estados-Membros tem explorado esta possibilidade: Portugal (Centro de Lancamento de Santa Maria nos Açores), Suecia, Noruega e o Reino Unido (apos o Brexit) avancaram com projetos proprios. O financiamento europeu e essencial para viabilizar estas iniciativas a escala necessaria.
O que financia o SPACE-03-11
Este topico financia o estabelecimento e desenvolvimento de instalações de lancamento em território da UE, Noruega ou Islandia, com o objetivo de reduzir a dependencia de capacidades de acesso ao espaco fora deste perimetro. Os projetos devem atingir TRL 8, o que significa que a infraestrutura financiada deve estar qualificada e pronta para operação ao final do projeto.
As atividades elegiaveis incluem:
- Infraestrutura terrestre: plataformas de lancamento, instalações de integração de cargas uteis, armazenamento de propelente, centros de controlo de missao e sistemas de rastreio.
- Fornecedores de servicos de lancamento: os projetos devem incluir fornecedores europeus de servicos de lancamento como membros ativos do consorcio, nao apenas como subcontratantes.
- Alinhamento com iniciativas ESA: as atividades devem articular-se com iniciativas da Agencia Espacial Europeia e com ações anteriores nesta area, evitando duplicacao de investimento.
- Uso de dados Copernicus e Galileo: onde aplicavel, os servicos de satelite baseados em Copernicus e/ou Galileo/EGNOS devem ser utilizados.
Dotacao, modalidade e dimensao dos consorcio
A modalidade de subvenção e Lump Sum (HORIZON-AG-LS), diferente dos restantes topicos da call que usam o modelo de reembolso por custos (HORIZON-AG). As subvenções em regime lump sum implicam negociacao previa do valor global e entregas bem definidas, com menos flexibilidade para ajustes de orçamento durante o projeto mas maior previsibilidade de gestão financeira.
Com duas subvenções esperadas e uma contribuicao entre 10 e 15 milhoes de euros cada, o topico e competitivo mas nao exclusivo. Ha espaco para projetos em localizacoes geograficas diferentes, o que pode beneficiar cosmodromos com perfis complementares (ex: um para orbitas equatoriais e outro para orbitas polares).