O programa

O que é o Women TechEU 2

O Women TechEU é o instrumento do Conselho Europeu de Inovação dirigido a startups de tecnologia profunda fundadas ou cofundadas por mulheres. Responde a uma assimetria documentada do ecossistema europeu: a sub-representação feminina na liderança de empresas deep tech tem consequências diretas no acesso a capital. O apoio combina financiamento não diluidor com um programa personalizado de desenvolvimento de negócio e mentoria individual.

A edição em curso, formalmente Women TechEU 2 EIC (referência HORIZON-EIC-2025-WOMENTECH), representa uma mudança de modelo. O esquema foi gerido diretamente pela EISMEA entre 2021 e 2023, passou por um consórcio distinto entre 2024 e 2026 e é agora um projeto de financiamento em cascata operado por um consórcio europeu que reúne agentes do ecossistema de inovação, representantes de empreendedoras e investidores. Ao longo de dois anos serão distribuídos 12 milhões de euros de financiamento não diluidor por 160 startups, através de quatro prazos de submissão competitivos.

Cada empresa selecionada recebe até 75 mil euros e um programa de apoio de seis meses, codesenhado entre a equipa fundadora e a equipa do programa, com indicadores de desenvolvimento individualizados. O objetivo declarado é preparar as empresas para rondas de investimento de capital de risco especializado em deep tech e para candidaturas subsequentes ao EIC Accelerator e ao Pre-Accelerator.

12M EUR
Financiamento a startups
160
Startups apoiadas
75K EUR
Máximo por empresa
40%
Reservado a países de alargamento
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O Women TechEU intervém num ponto muito específico do percurso: a empresa já existe, já tem tecnologia em desenvolvimento e ainda não tem tração suficiente para uma ronda institucional. Três necessidades sustentam o instrumento.

  • Arranque e validação: destina-se a empresas registadas há mais de seis meses e menos de cinco anos, com menos de um milhão de euros de capital angariado e ainda aquém de um produto mínimo viável de alta fidelidade. É financiamento de fase inicial, não de escala.
  • Capitalização e crescimento: os 75 mil euros são explicitamente destinados a atividades estratégicas que tornem a empresa investível, com via de acesso preferencial ao EIC Accelerator e ao Pre-Accelerator no fim do percurso.
  • Digitalização e inteligência artificial: o programa cobre todo o espetro deep tech, incluindo inteligência artificial, computação avançada, semicondutores, fotónica, robótica e tecnologias de dados, desde que a inovação esteja na tecnologia e não no conteúdo ou no modelo de negócio.
Vantagem portuguesa

Os 40% reservados a países de alargamento

Esta é a característica mais relevante da edição em curso para candidatas nacionais. O Women TechEU 2 criou uma linha orçamental dedicada a regiões de alargamento, com 40% do orçamento reservado a candidaturas dessas geografias. Em valor absoluto são 4,8 milhões de euros para 64 startups.

Portugal consta expressamente da lista de Estados-Membros de alargamento da chamada, ao lado da Bulgária, Croácia, Chipre, Chéquia, Estónia, Grécia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia, Roménia, Eslováquia e Eslovénia. A consequência prática é que uma startup portuguesa compete por 16 lugares em cada prazo de submissão dentro do universo de alargamento, não pelos 40 lugares abertos ao conjunto dos restantes países.

Prazo de submissãoAlargamentoOutras áreasOrçamento alargamentoOrçamento outras áreas
Prazo 516 startups24 startups1.200.000 EUR1.800.000 EUR
Prazo 616 startups24 startups1.200.000 EUR1.800.000 EUR
Prazo 716 startups24 startups1.200.000 EUR1.800.000 EUR
Prazo 816 startups24 startups1.200.000 EUR1.800.000 EUR
O orçamento de alargamento não se perde
Qualquer verba não utilizada num prazo de submissão transita para o prazo seguinte dentro da mesma área geográfica. Isto significa que a dotação de 40% reservada a países de alargamento se mantém garantida até ao final do programa, mesmo que num determinado prazo não haja candidaturas suficientes com mérito. Para candidatas portuguesas, a janela não se fecha por concorrência de outros países.
Elegibilidade

Quem pode candidatar-se

Os critérios são cumulativos e verificados de forma estrita. A liderança feminina, em particular, deixou de admitir leituras generosas.

  • Liderança feminina com posição executiva: a mulher tem de ser reconhecida legalmente como fundadora ou cofundadora, ocupar atualmente cargo de topo na mesma empresa, em concreto CEO, CTO, CSO ou equivalente, além de deter pelo menos 25% do capital na tabela de capitalização. É considerada cofundadora quem adquiriu participação no prazo de um ano a contar do registo da empresa.
  • País de estabelecimento: Estado-Membro da União Europeia, incluindo regiões ultraperiféricas, ou país associado ao Horizonte Europa. Portugal é elegível sem restrições.
  • Idade da empresa: registada há um mínimo de seis meses e um máximo de cinco anos à data do corte de elegibilidade a que a candidatura é submetida.
  • Dimensão e autonomia: PME autónoma na aceção do artigo 3 do anexo à recomendação 2003/361, com menos de 250 trabalhadores e volume de negócios anual até 50 milhões de euros ou balanço total até 43 milhões.
  • Fase de desenvolvimento: menos de um milhão de euros angariados em capital próprio e estádio de desenvolvimento entre TRL 4 e TRL 6, anterior a um produto mínimo viável de alta fidelidade.
  • Natureza deep tech: a inovação tem de residir na tecnologia. As orientações excluem expressamente plataformas de formação em linha onde o inovador é o conteúdo, aplicações de comércio eletrónico onde a inovação está no modelo de negócio ou no preço, jogos que usam componentes padrão da indústria e portais de informação.

Os setores considerados mais férteis para aplicação deep tech, listados nas orientações, cobrem computação avançada e quântica, fabrico avançado, materiais avançados, aeroespacial, automóvel e deteção remota, inteligência artificial e aprendizagem automática, biotecnologia, ciências da vida e agritech, comunicações e redes, cibersegurança, eletrónica e fotónica, internet das coisas, robótica, semicondutores, energia sustentável e tecnologias limpas, realidade virtual e aumentada, Web 3.0 e tecnologias climáticas.

Calendário

Duas fases e os prazos que ainda faltam

O acesso está organizado em duas fases distintas com calendários próprios. A fase de elegibilidade abriu a 1 de junho de 2026 e funciona com cortes semanais, todas as terças-feiras às 17:00, hora de Bruxelas, até 14 de junho de 2027. Só as candidaturas consideradas elegíveis nesta fase são convidadas a submeter proposta completa.

Prazo de proposta completaDataHora limite
Prazo 516/09/202617:00 CEST
Prazo 614/01/202717:00 CET
Prazo 701/04/202717:00 CEST
Prazo 808/07/202717:00 CEST

Uma candidata declarada elegível mantém essa condição ao longo de vários prazos de proposta completa, o que dá flexibilidade de calendário. Na validação legal, porém, os critérios de elegibilidade são aferidos por referência ao corte da fase de elegibilidade a que a empresa efetivamente se submeteu, não ao prazo da proposta completa. É um detalhe com consequências para empresas que se aproximam do limite de cinco anos de existência.

Desafios do EIC Accelerator
As candidatas têm de indicar qual dos desafios do EIC Accelerator a sua solução endereça. Os desafios em vigor cobrem materiais avançados para energia renovável e armazenamento, conceitos alternativos e tecnologias facilitadoras para centrais de fusão, biotecnologia para regeneração de solos agrícolas, cadeia de valor europeia de matérias-primas críticas e deep tech para adaptação climática. Existe ainda um desafio aberto para projetos que não encaixem nos temas predefinidos.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O valor deste instrumento não está no montante. Setenta e cinco mil euros não transformam uma empresa deep tech. Está na combinação de três coisas que raramente aparecem juntas: financiamento não diluidor numa fase em que o capital é caro, um programa de seis meses com indicadores desenhados caso a caso e uma via preferencial para o EIC Accelerator, onde os montantes já são materiais.

O critério que mais candidaturas invalida é o da liderança feminina. A exigência de 25% do capital na tabela de capitalização, acumulada com cargo executivo de topo em exercício, elimina situações comuns em empresas que passaram por rondas de investimento com diluição significativa da equipa fundadora. Vale confirmar a tabela de capitalização atualizada antes de investir tempo na candidatura, porque a verificação é documental e ocorre na validação legal, quando já foi feito todo o esforço de submissão.

A segunda recomendação prende-se com a definição de deep tech. As orientações são invulgarmente explícitas sobre o que não conta. A fronteira entre usar tecnologia e ser uma empresa de tecnologia profunda é onde muitas candidaturas nacionais tropeçam. Empresas de software aplicado, plataformas e marketplaces com boa tração comercial não passam este filtro. Para projetos com componente de inteligência artificial, o estádio de desenvolvimento do modelo é fator determinante de elegibilidade, o que exige descrição técnica precisa e não afirmações genéricas sobre uso de algoritmos.

Por fim, a reserva de 40% para países de alargamento é uma vantagem competitiva real que raramente é aproveitada em Portugal. Uma startup portuguesa não compete com Alemanha, França ou Países Baixos nestes 16 lugares por prazo. Compete com um conjunto de países com ecossistemas de dimensão comparável. Para empresas que preenchem os critérios, esta é das chamadas europeias com melhor relação entre esforço de candidatura e probabilidade de sucesso.

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