Inovação sem fronteiras: o objetivo do EIE
O programa European Innovation Ecosystems (EIE) integra o pilar "Inovação Aberta" do Horizonte Europa, com uma dotacao total de EUR 500 milhoes. O seu proposito nao e financiar projetos de investigação, mas sim fortalecer as condições sistemicas que permitem que a inovação flua livremente pela Europa: redes de aceleradoras, pontes de capital entre regioes, apoio a scale-ups de deep tech.
A call 2026-01 e a primeira do ciclo anual de 2026 do EIE, gerida pela EISMEA (European Innovation Council and SMEs Executive Agency). Os tres topicos CONNECT cobrem dimensoes complementares da construcao de ecosistemas: capacidade institucional para compras públicas inovadoras, atracao de capital transfronteirico e escalamento de deep tech. A call 2026-02 seguira com novos topicos.
O que cada topico CONNECT financia
| Topico | Foco | Dotacao |
|---|---|---|
| CONNECT-01 | Rede europeia de centros nacionais de competencia para compras públicas inovadoras (PCP e PPI). Capacitacao institucional e partilha de boas práticas entre Estados-Membros. | A confirmar no portal |
| CONNECT-02 | Ligar regioes emergentes ou moderadamente inovadoras a centros de inovação mais desenvolvidos. Atracao de capital de risco estrangeiro, investimento transfronteirico e convergencia Norte-Sul/Este-Oeste. | EUR 5 M |
| CONNECT-03 | Desenvolvimento e escalamento de ecosistemas de deep tech em toda a Europa. IA, quantum, fotonica, biotecnologia, materiais avancados. Redes de suporte para aceder a recursos, peritos e mercados. | A confirmar no portal |
Capital de risco e convergencia regional: o topico mais relevante para Portugal
O CONNECT-02 e o topico com dotacao conhecida e o que tem maior relevancia imediata para o ecossistema portugues. O objetivo e criar programas que constroem pontes entre regioes "Innovation followers" ou "Emerging Innovators" (nas quais Portugal se enquadra em partes do território) e centros de inovação mais maduros da UE. A logica e simples: regioes com bom capital humano e base tecnologica sofrem de underinvestment por parte de VC estrangeiro porque faltam as redes de acesso e a visibilidade nos circuitos de capital europeu.
Os projetos CONNECT-02 financiam atividades como matchmaking de investimento, missoes de prospeccao de capital, ferramentas digitais para ecosistemas de investimento e programas de coaching para startups que pretendam aceder a investidores de outras geografias. O envolvimento direto de fundos de VC, business angels e corporates e obrigatorio no consorcio.
Quem se candidata ao EIE
O EIE nao e um instrumento para empresas individuais ou startups. E direcionado para organizações que apoiam ecosistemas de inovação: agencias de inovação regionais, aceleradoras, fundos de VC, universidades com funcoes de transferencia de tecnologia, centros de tecnologia. A participacao em rede, com varios paises da UE representados e o modelo esperado.
- Agencias de inovação regionais: entidades como IAPMEI, ANI, agencias regionais de desenvolvimento, com mandato de suporte ao ecosistema
- Aceleradoras e incubadoras: especialmente as que ja operam em rede com outras aceleradoras europeias ou que pretendem construir essa rede
- Fundos de VC e family offices: obrigatorios em CONNECT-02, como parceiros que representam o lado do capital no consorcio
- Universidades e centros de investigação: relevantes para CONNECT-03 (deep tech), com funcoes de suporte a transferencia de tecnologia e spin-offs
- Entidades públicas: relevantes para CONNECT-01, no contexto de compras públicas inovadoras e capacitacao institucional
O que recomendamos
O EIE e um instrumento sistémico, nao transacional. Os projetos que financia nao produzem um produto ou servico diretamente comercializavel, mas sim infraestrutura de ecosistema que melhora as condições para todos os players. Isto significa que as organizações mais bem posicionadas para candidatar sao as que ja operam como "construtoras de ecosistema" e que conseguem demonstrar impacto ao nível das redes de inovação e nao apenas ao nível de projetos individuais.
Para entidades portuguesas, o CONNECT-02 e o topico mais acionavel. A narrativa de "regiao moderadamente inovadora com potencial de capital subaproveitado" e facil de construir com dados europeus e o envolvimento de fundos de VC nacionais no consorcio da visibilidade ao instrumento. O CONNECT-03 e igualmente relevante para aceleradoras com foco em deep tech que queiram escalar a presenca europeia.
A articulacao com iniciativas ja ativas como o EIC, o EIT ou o Startup Europe e um fator positivo na avaliação. Consorcios que demonstrem conectividade com essas redes sao avaliados mais favoravelmente do que propostas que partem do zero.
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