O instrumento

O que é o JARVIS Open Call 2

JARVIS é um projeto financiado pelo programa Horizonte Europa centrado no avanço da colaboração humano-robô numa ótica centrada no utilizador. O objetivo é desenvolver e validar tecnologias de Human-Robot Interaction (HRI) que possam ser aplicadas em contextos industriais reais. A Open Call 2 é o segundo concurso em cascata, com duas vias distintas para participantes externos.

Na primeira via, designada Track 1, o consórcio JARVIS abre os seus testbeds tecnológicos a fornecedores de tecnologia que queiram desenvolver novas componentes ou funcionalidades em conjunto com a equipa do projeto. Cada projeto pode receber até €100.000, com duração de nove meses e serão financiados até oito projetos. Na segunda via, Track 2, o foco está em pilotos do mundo real, ou seja, casos em que organizações aplicam tecnologias JARVIS em ambientes industriais ou de serviço público concretos. Cada piloto pode chegar aos €130.000, com duração de dez meses e o financiamento cobre cinco projetos.

O dinheiro chega através do mecanismo de cascade funding, que é a forma como projetos Horizonte Europa redistribuem parte do seu orçamento para PME e organizações terceiras sem que estas tenham de submeter candidaturas formais ao portal SEDIA. Isto torna a barreira de entrada significativamente mais baixa do que numa candidatura RIA ou IA tradicional.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O JARVIS Open Call 2 é um instrumento desenhado para empresas tecnológicas e operadores industriais que precisam de validar HRI em contexto real. Não financia operação corrente nem investimento em equipamento standard, financia o esforço de codesenvolvimento ou demonstração.

  • I&D e ciência: a Track 1 financia desenvolvimento técnico em parceria com o consórcio JARVIS, incluindo integração de novas componentes, melhoria de algoritmos de perceção ou interfaces de utilizador. O esforço é R&I, não comercial.
  • Digitalização e IA: tanto Track 1 como Track 2 cobrem deployment de IA, visão computacional, sensores e software de controlo em contexto industrial. A Track 2 é particularmente relevante para empresas que querem digitalizar uma linha de produção ou um processo de inspeção com colaboração humano-robô.
  • Investimento produtivo: nos pilotos de Track 2, parte do esforço fica em capacidade nova ou adaptada na empresa beneficiária, especialmente em setores como aeronáutica, automotive, decommissioning nuclear ou inspeção offshore.
Estrutura

As duas tracks lado a lado

CritérioTrack 1: CodevTrack 2: Pilotos
FocoDesenvolver componentes ou funcionalidades novasAplicar tecnologia JARVIS em ambiente real
FinanciamentoAté €100.000 por projetoAté €130.000 por projeto
Duração9 meses10 meses
N.º de projetos85
Acesso a testbedsSim, parte do programaNão, ambiente da própria empresa
Perfil típicoPME tecnológica, fornecedor de robóticaOperador industrial, integrador, utilizador final
Deadline01 de junho de 202610 de julho de 2026
Atenção
Cada entidade só pode receber financiamento uma vez ao abrigo do JARVIS Open Call 2. Quem candidate Track 1 e seja selecionado fica fora da Track 2 e vice-versa.
Setores

Onde a tecnologia JARVIS encaixa

Os setores prioritários são todos contextos onde colaboração humano-robô tem ROI claro mas exige adaptação técnica significativa.

  • Aeronáutica: assemblagem, inspeção de superfícies, fabrico de compósitos. Robôs colaborativos ajudam operadores em tarefas repetitivas e fisicamente exigentes.
  • Automotive: linhas ágeis de produção com mistura alta de modelos, onde a flexibilidade humana é insubstituível mas o robô traz precisão e cadência.
  • Decommissioning nuclear: ambientes contaminados onde robôs operam em zonas inacessíveis a humanos e o operador supervisiona remotamente.
  • Inspeção offshore: plataformas, parques eólicos, infraestrutura submarina. HRI permite que técnicos remotos guiem robôs em condições difíceis.
  • Produção ágil: fábricas de baixa cadência, lotes pequenos, alta variedade. Setor onde o paradigma de cobot tem maior crescimento.
Submissão

Mecânica do concurso

A candidatura é submetida em inglês através da plataforma F6S, com todos os anexos em formato PDF. Cada equipa só pode submeter uma proposta. A proposta tem de endereçar um dos tópicos definidos nos documentos da Open Call, não há liberdade total na escolha do problema.

As propostas selecionadas recebem mentoria técnica do consórcio JARVIS, acesso ao ecossistema tecnológico do projeto, oportunidades de teste no mundo real e promoção através da rede JARVIS. O modelo de avaliação não está totalmente público no momento, mas em concursos cascade típicos do Horizonte Europa avalia-se excelência técnica, impacto, qualidade de implementação e alinhamento com os objetivos do projeto-mãe.

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O que recomendamos

O JARVIS Open Call 2 é um dos cascade funding mais bem desenhados do Horizonte Europa para HRI e robótica industrial. Os tickets são modestos para padrões EIC, mas a assimetria entre esforço de candidatura e probabilidade de financiamento é favorável: 13 projetos selecionados num universo realista de 100-200 candidaturas é uma taxa de aceitação muito superior à média Horizonte.

Para empresas portuguesas, o instrumento é especialmente útil em três cenários. Primeiro, PME tecnológicas com um módulo robótico ou de visão a precisar de validação industrial, a Track 1 acelera essa validação com acesso a testbeds que de outra forma seriam inacessíveis. Segundo, integradores ou utilizadores finais (fábricas, estaleiros, operadores nucleares) que querem testar tecnologia HRI sem assumir o risco de aquisição plena, a Track 2 financia esse piloto. Terceiro, consórcios mistos PT-EU que precisam de um marco de demonstração para fundamentar uma futura candidatura ao EIC Accelerator ou a outro instrumento maior.

A armadilha mais comum é submeter projetos cuja ligação ao consórcio JARVIS é fraca. As propostas vencedoras tipicamente referenciam tecnologias específicas do projeto, integram-se nos testbeds e definem com clareza como o codesenvolvimento beneficia ambas as partes. Quem vê isto como um grant genérico para R&I em robótica perde tempo, é um instrumento de cocriação, não de financiamento standalone.

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