Um VC ibérico com presença direta em Lisboa
O K Fund foi fundado em 2016 em Madrid e é hoje uma das marcas de venture capital mais ativas do ecossistema ibérico. Tem sede em Madrid, escritório em Barcelona e presença operacional em Lisboa, com equipa de 19 pessoas distribuída pelos três pólos. O AUM acumulado supera os 285 milhões de euros distribuídos por cinco fundos sucessivos, com o Fund V (cerca de 70 milhões de euros) lançado em 2024 e ainda em fase de deployment.
A tese do K Fund é o investimento early-stage em empresas digital-first com modelos escaláveis. Nos fundos mais recentes, a aposta tem-se concentrado em quatro vetores: software para PME alimentado por IA, fintech, foodtech e logística, com um corredor adicional aberto em dual-use technologies. O perfil é "champion" da evolução do ecossistema ibérico de tecnologia, com vontade explícita de acompanhar fundadores em rondas múltiplas.
Necessidades que este investidor resolve
O K Fund cobre dois momentos críticos do ciclo de vida de uma startup tecnológica.
- Arranque e validação: entra com tickets a partir de 100 mil euros em rondas seed, suficientes para startups que já têm protótipo ou primeiros utilizadores e precisam de financiar 12 a 18 meses de execução até atingir métricas de Series A.
- Capitalização e crescimento: participa em Series A com tickets até 10 milhões de euros, posicionando-se como lead investor em rondas de escala. O follow-on dentro do portfolio é uma componente assumida da estratégia, com reserva de capital alocada para reforço nas rondas subsequentes.
Onde investe e em que perfil
A tese do K Fund é geograficamente clara e setorialmente focada. Investe predominantemente em Espanha e Portugal, com extensão para o Sul da Europa e América Latina quando há ligação ibérica natural (founder ibérico, mercado primário ibérico, ou parceria com operação local). Os setores prioritários são:
- AI e B2B SaaS: software empresarial que use IA como vantagem competitiva, sobretudo para PME com modelos de receita recorrente.
- Fintech: infraestrutura financeira, payments, embedded finance e plataformas para verticais específicos.
- Foodtech: da produção alimentar à distribuição, incluindo tecnologia agrícola e cadeia de frio.
- Logística e mobility: automação de cadeia de abastecimento, last-mile, gestão de frota e plataformas de mobilidade.
- Data e dual-use technologies: aposta crescente em tecnologias com aplicação civil e de defesa, em linha com a evolução do mercado europeu de tech soberana.
Track record com unicórnios e exits
O portfolio do K Fund inclui o unicórnio espanhol Factorial, software de RH em escala global, com posição relevante para o fundo. Entre os exits documentados estão Boopos (acquisition financing) e Hubtype (customer messaging), que confirmam capacidade de gerar saídas com retorno material. O fundo não pública lista pública exaustiva de empresas portuguesas em portfolio; a presença em Lisboa permite deal sourcing direto, com mais de uma operação portuguesa concretizada nos últimos anos. A confirmação caso a caso passa por contacto direto.
Para que tipo de fundador é o K Fund
O K Fund encaixa em fundadores com três características combinadas. Primeira, ambição ibérica e europeia desde o início, não startups orientadas exclusivamente ao mercado doméstico português. Segunda, modelo de negócio digital com componente de software relevante (mesmo em fintech ou foodtech, o software é central). Terceira, capacidade de pensar a ronda seed como ponto de partida para Series A num horizonte de 18 a 24 meses, com clareza sobre o que precisa demonstrar em métricas, equipa e mercado nesse período.
Para fundadores portugueses, a presença operacional em Lisboa diferencia o K Fund de muitos outros VC ibéricos. O sourcing local é ativo e a fase de avaliação envolve membros da equipa com conhecimento direto do mercado português. Não é necessário relocalizar para Madrid para ter conversa séria.
O que recomendamos
O K Fund é um dos lead investors europeus que melhor combina dimensão de fundo, presença local em Portugal e tese consistente em digital-first, sendo uma referência relevante para uma startup portuguesa em fase seed ou Series A no espaço SaaS, fintech, foodtech ou logística. A janela de ticket (100 mil a 10 milhões) cobre situações muito diversas, mas o sweet spot real concentra-se em rondas de 1 a 5 milhões de euros, com o K Fund frequentemente a liderar.
Para fundadores portugueses, três aspetos práticos. Primeiro, o caminho mais curto para uma reunião com sentido é via warm intro através do ecossistema ibérico (outros founders do portfolio, advisors, sócios ou anteriores investidores) e não por candidatura direta no website. Segundo, a tese de PME software com IA é hoje muito procurada, o que significa elevada concorrência: a diferenciação tem de estar na execução, no time-to-revenue e no canal de distribuição. Terceiro, vale a pena olhar para o K Fund em paralelo com outros VCs ibéricos (Kibo Ventures, Seaya, Samaipata) e nacionais, em vez de o tratar como única opção; a configuração de uma ronda sólida envolve normalmente 2 a 3 institucionais.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]