O que é

Capital de risco com uma tese de género

A Moon Capital é um fundo de capital de risco gerido pela Eaglestone Capital Partners SCR, sociedade registada na CMVM desde fevereiro de 2023. Combina estratégias de venture capital e de private equity, com uma política de investimento que coloca a promoção do empreendedorismo feminino e da igualdade de género no centro da decisão de alocação.

A tese assenta numa premissa: a diversidade de género nas equipas de liderança é tratada como fator de eficiência económica, não apenas como um objetivo social. O fundo investe em empresas fundadas, cofundadas ou lideradas por mulheres, ou com um compromisso forte com a diversidade de género, procurando modelos de negócio sustentáveis e com capacidade de escala global. A abordagem é multissetorial e agnóstica quanto ao setor.

Em síntese
Fundo de capital de risco de impacto social alinhado com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 da ONU (Igualdade de Género), com captação-alvo na ordem dos 75 milhões de euros e foco primário nos mercados português e espanhol.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Sendo equity e não dívida nem subvenção, a Moon Capital responde a necessidades de financiamento de capital próprio, ao longo de várias fases de maturidade da empresa, com uma camada explícita de impacto social.

  • Capitalização e crescimento: o fundo entra no capital com participações minoritárias com influência, através de equity, instrumentos convertíveis e quase-capital, para sustentar a expansão de empresas com tração e ambição de escala.
  • Arranque e validação: a tese cobre as fases iniciais, de seed e startup, apoiando empresas lideradas por mulheres ainda em consolidação do modelo de negócio.
  • Impacto social e inclusão: o critério de género é estrutural. O fundo mede diversidade nas equipas de liderança, criação de emprego e impacto social das participadas, seguindo os Women's Empowerment Principles do UN Global Compact.
Perfil-alvo

Que empresa se enquadra

A Moon Capital procura empresas com fundadoras ou líderes mulheres, ou com um compromisso material com a diversidade de género, em qualquer setor. Investe de seed a growth, com tickets entre 1 e 5 milhões de euros. Oferece mais do que capital: networking, formação, mentoria e acesso a uma rede alargada de contactos. Entre os investimentos já conhecidos estão a entrada no capital da Olimec e numa empresa nacional especializada em equipamentos para o setor dos resíduos.

Termos do fundo

Estrutura e condições

ParâmetroCondição
Dimensão-alvoCerca de €75 milhões
Ticket médio€1 milhão a €5 milhões
FasesSeed, startup, series A, series B e growth
Maturidade10 anos (com opção de prorrogação por mais 2)
Período de investimento3 anos após o primeiro closing (prorrogável por 2)
Subscrição mínima€100.000 (Golden Visa aplicável)
Comissão de gestão2% ao ano
Hurdle rate7% TIR
Retorno-alvo15% a 18% TIR
Carried interest20%, com full catch-up

A estrutura conta com o Banco Carregosa como banco depositário, a Vieira de Almeida como assessor jurídico e a Mazars como auditora. Os valores de captação e de ticket são os comunicados pela gestora e podem evoluir ao longo da vida do fundo.

Quem está por trás

Promotoras e gestora

O fundo foi lançado por Sílvia Mota, CEO da MEXT, o braço de inovação e capital de risco do Grupo Mota-Engil e por Ana Sá Ribeiro, fundadora e CFO da Eaglestone Capital Partners, com mais de 20 anos de experiência em gestão de investimentos, banca de investimento e corporate finance. A gestora, Eaglestone Capital Partners SCR, é uma firma de investimento alternativo com presença em Lisboa, Amesterdão, Londres, Luanda, Maputo, Cidade do Cabo e Joanesburgo.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A Moon Capital ocupa um espaço ainda pouco povoado no mercado ibérico: capital de risco com um critério de género explícito e mensurável. Para uma empresa liderada por mulheres com ambição de escala, é um interlocutor natural, sobretudo porque acrescenta mentoria e rede ao cheque de investimento. O alcance de fases, de seed a growth, dá-lhe flexibilidade rara para acompanhar uma participada ao longo do tempo.

Há, ainda assim, pontos a ponderar com lucidez. Trata-se de capital próprio, o que significa partilha de propriedade e a entrada de um sócio com influência na gestão, mesmo em posição minoritária. O alinhamento de expetativas quanto a retorno-alvo, horizonte de saída e governação tem de ser claro desde o início. Antes de procurar este ou qualquer fundo de venture capital, o trabalho mais útil é preparar a empresa para o escrutínio de uma due diligence e perceber se equity é, de facto, o instrumento certo face às alternativas de dívida ou apoio público. É essa avaliação prévia que evita uma captação mal calibrada.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]