O braço de venture capital do Grupo Novabase
A Novabase Capital é o veículo de corporate venture capital do Grupo Novabase, com sede no Parque das Nações em Lisboa. A tese declarada é apoiar as melhores startups portuguesas de ICT (Information and Communication Technology) em fases iniciais de desenvolvimento. O posicionamento é o de um CVC estratégico, não financeiro: o capital é cedido com a expectativa de que as startups participadas contribuam para a roadmap tecnológica do grupo, ou para os mercados em que a Novabase opera (transportes, financeiro, governo, energia).
A Novabase é, ela própria, uma cotada em Euronext Lisboa com mais de três décadas de presença no mercado de software empresarial e de IT services em Portugal e em África lusófona. O facto de o veículo de CVC operar a partir de uma estrutura cotada e com balanço corporativo dá previsibilidade e capacidade de follow-on em ciclos longos, mas implica também que os critérios de investimento estão sujeitos à governance e à disciplina financeira de uma empresa pública e não à lógica de fundo fechado típica de um VC institucional.
Necessidades que este instrumento resolve
A Novabase Capital responde a duas necessidades específicas do ecossistema de startups portuguesas de tecnologia, complementares entre si numa trajetória inicial de empresa.
- Arranque e validação: a tese de fases iniciais cobre tipicamente a janela em que a startup tem produto técnico mas precisa de validar tração comercial, em particular em verticais B2B onde o Grupo Novabase tem clientes e relações estabelecidas que podem servir de design partners ou primeiros casos de uso.
- Capitalização e crescimento: a estrutura corporativa permite acompanhar startups em rondas subsequentes sem a pressão de exit típica de um fundo VC fechado, o que é vantajoso para empresas com tese de mercado de longa maturação (industrial tech, fintech regulada, software de missão crítica).
Onde investe
O foco setorial declarado é Information and Communication Technology em sentido amplo. Em termos práticos, a leitura do portfolio público sugere uma definição que cruza ICT com aplicações verticais relevantes para os mercados-cliente da Novabase. As áreas onde existem participações conhecidas incluem fintech (com componente de inteligência artificial e fraud detection), industrial tech (incluindo realidade aumentada para a indústria), data analytics e infraestrutura de telecomunicações.
- Fintech: com particular tração em soluções B2B para o setor financeiro.
- Industrial tech: incluindo realidade aumentada, IoT e analytics aplicados à indústria.
- Data analytics: plataformas de observabilidade e de telemetria de comportamento.
- Infraestrutura de telecomunicações: incluindo fibra ótica e equipamentos relacionados.
- Consultoria especializada: incluindo apoio a candidaturas a fundos comunitários, área onde a Novabase tem expertise interna histórica.
Empresas conhecidas no portfolio
| Empresa | Vertical |
|---|---|
| Feedzai | Fraud detection com machine learning para o setor financeiro |
| Glartek | Realidade aumentada para a indústria |
| Habit | Analytics de IoT e comportamento |
| Weezie | Infraestrutura de fibra ótica |
| Bright Innovation | Consultoria a fundos comunitários |
A presença da Feedzai no portfolio é o sinal mais relevante do tipo de tese a longo prazo: a empresa, hoje uma das maiores fintechs portuguesas com avaliações na ordem dos milhares de milhões de dólares, foi apoiada em fase muito anterior à sua maturação como unicórnio. Esta capacidade de estar cedo numa empresa que cresce muito é o que diferencia um CVC bem posicionado de um simples corporate strategic investor.
Todos os fundos estão investidos ou em liquidação
Aqui está a informação que muda a leitura desta ficha. O website mantém o botão de submissão ativo e a mensagem de que apoia as melhores startups portuguesas de ICT, mas a própria página de fundos participados conta outra coisa. Nenhum dos quatro veículos está em período de investimento:
| Fundo | Constituição | Dimensão | Estado |
|---|---|---|---|
| FCR Novabase Capital | junho de 2005 | 7,14 M EUR | Liquidado em novembro de 2022 |
| FCR I Start I | novembro de 2011 | 2,65 M EUR | Liquidado em setembro de 2023 |
| FCR NBCII (Inovação e Internacionalização) |
outubro de 2011 | até 10,1 M EUR | Já investido, a liquidar até 2027 |
| FCR +I | outubro de 2017 | 1,1 a 3,0 M EUR por tranche regional | Já investido, a liquidar até 2027 |
O veículo mais recente foi constituído em 2017 e está classificado como já investido. Não há vintage novo anunciado. Uma candidatura submetida hoje não tem, à data desta revisão, nenhum fundo com período de investimento aberto por trás dela. O formulário continua online e o contacto telefónico é o +351 213 836 300, mas a pergunta a fazer numa primeira chamada deixou de ser sobre o encaixe da tese: é se existe capital por colocar.
O que recomendamos
A Novabase Capital é um candidato relevante para uma fatia específica do ecossistema de startups portuguesas: empresas em fase inicial com tese B2B em ICT, particularmente nos verticais onde o Grupo Novabase tem presença operacional ou base de clientes (financeiro, transportes, governo, indústria, telecomunicações). Para essas empresas, o valor estratégico da participação pode ultrapassar o valor financeiro do ticket, em forma de acesso a clientes potenciais, validação técnica via design partnerships e posicionamento institucional como participada de uma cotada com 30+ anos de presença em ICT.
Esse encaixe está hoje suspenso na prática. Com os quatro fundos investidos ou em liquidação e sem vintage novo anunciado, uma empresa que coloque a Novabase Capital no mapa de investidores a abordar deve fazê-lo em último lugar da lista e começar por uma chamada, não por um dossiê submetido às cegas. Preparar e enviar material para um veículo sem capital por colocar é tempo perdido numa fase em que o tempo é o recurso mais escasso.
Fica de pé o argumento inverso. Não é despiciendo. Se o Grupo Novabase constituir um fundo novo, a porta reabre para exatamente o mesmo perfil de empresa, com a mesma tese e a mesma base de clientes por trás. Vale a pena manter a sociedade em observação, sobretudo para quem opera em fintech, tecnologia industrial ou analítica de dados com modelo B2B. A presença da Feedzai no portefólio mostra o que um investidor corporativo bem posicionado consegue quando entra cedo na empresa certa.
Para empresas em verticais fora do ICT ou em estágios mais avançados, o ajuste era já pouco óbvio antes desta revisão e continua a sê-lo. A lógica de investimento corporativo torna este veículo inadequado para teses puramente financeiras de retorno rápido.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]