O que é

Uma porta de entrada para empreender em mobilidade urbana

O Student Entrepreneur Grant Scheme (SEGS) é um programa do EIT Urban Mobility dirigido a estudantes e recém-licenciados que estão a trabalhar em projetos e ideias inovadoras na área da mobilidade urbana sustentável. A missão é capacitar estes empreendedores em fase muito inicial com os recursos financeiros necessários para superar a primeira barreira concreta entre uma ideia e um produto, serviço ou empresa viável.

O instrumento é pequeno em dimensão financeira (6.000 euros por projeto, com cerca de cinco bolsas anuais) mas grande em valor de sinal. A SEGS é um ponto de entrada para o ecossistema do EIT Urban Mobility, e os projetos selecionados podem evoluir para startups apoiadas pela Knowledge and Innovation Community, tornando-se elegíveis para programas de aceleração e investimento com tickets significativamente maiores.

Por que é que 6.000 euros podem importar
A bolsa não pretende financiar uma empresa em escala. Financia exatamente a fase em que ideias morrem por falta de recursos mínimos: prova de conceito, primeiros testes de utilizador, viagem para falar com um cliente piloto, equipamento básico de validação. É capital semente verdadeiro, e em mobilidade urbana isso pode significar a diferença entre um projeto académico que termina e uma startup que arranca.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A SEGS é um instrumento extremamente focado. Resolve a necessidade de arranque e validação de novos projetos empreendedores em mobilidade urbana, num momento em que o candidato ainda está ligado ao mundo académico, não tem track record empresarial e tipicamente não acede a outros instrumentos de financiamento.

  • Arranque e validação: a bolsa cobre prova de conceito, validação de hipóteses de produto, primeiros testes de mercado e desenvolvimento inicial em mobilidade urbana sustentável. Pré-receita, pré-investidor, pré-empresa formalmente constituída. Exatamente onde os mecanismos tradicionais de financiamento (banca, capital de risco, fundos públicos) ainda não chegam.
Áreas elegíveis

O que conta como mobilidade urbana

Os projetos têm de focar soluções para mobilidade urbana. Em concreto, são elegíveis:

  • Transformação da mobilidade urbana sustentável: qualquer projeto cuja proposta de valor contribua para reduzir externalidades negativas da mobilidade nas cidades (emissões, congestionamento, ruído, acidentalidade).
  • Soluções para cidades mais habitáveis: incluindo desenho urbano centrado em peões e ciclistas, gestão de espaço público, integração intermodal.
  • Mobilidade limpa e eficiente: propulsão elétrica, novos combustíveis, otimização energética de frotas.
  • Transporte público, micromobilidade, logística urbana: incluindo soluções operacionais e de hardware para operadores de transporte, partilha de bicicletas e trotinetes, logística de última milha.
  • Plataformas digitais: gestão de tráfego, MaaS (Mobility as a Service), sistemas de informação multimodal, otimização preditiva.
  • Redução de emissões e descarbonização do transporte: contribuição direta para os objetivos do European Green Deal aplicados ao setor da mobilidade.
Elegibilidade

Quem pode candidatar-se

A elegibilidade da SEGS é estreita e bem definida, uma característica intencional. Quatro requisitos cumulativos:

  • Programa EIT-Labelled do EIT Urban Mobility: o candidato tem de estar atualmente inscrito ou ter-se licenciado nos últimos dois anos num programa académico com rótulo EIT, na rede do EIT Urban Mobility. Este é o filtro decisivo: sem ligação a um programa EIT-Labelled, não há elegibilidade.
  • Residência em país elegível: o líder do projeto deve residir num Estado-Membro da União Europeia ou num país associado ao Horizon Europe à data da candidatura.
  • Equipa de pelo menos dois membros: o programa não financia projetos solo. A lógica é simples: empresas constroem-se em equipa, e validar a capacidade de trabalho conjunto é parte do filtro.
  • Pelo menos um membro da equipa inscrito ou licenciado num programa EIT-Labelled UM: os restantes membros podem vir de outras origens académicas ou profissionais, desde que pelo menos um cumpra o critério.

A condição EIT-Labelled é a principal barreira de entrada e merece atenção. Em Portugal, é necessário verificar se a universidade ou curso do candidato consta da rede do EIT Urban Mobility (o portal do EIT Urban Mobility mantém a lista atualizada). Programas com este rótulo tendem a ser mestrados conjuntos europeus em mobilidade, logística urbana, transportes sustentáveis ou design urbano.

Formato

Como funciona a bolsa

€6.000
Montante máximo
5
Bolsas por ano
2
Cut-offs anuais

A bolsa é atribuída sob a forma de Financial Support Agreement (FSA), com condições específicas descritas no Call Manual e no template fornecido. Não há equity-taking nem contrapartida financeira pela KIC. A política de propriedade intelectual segue um IP Checklist específico para o Academy programme.

A SEGS funciona como permanently open call com cut-off dates regulares ao longo do ano. Para 2026, há duas janelas de submissão: primeiro cut-off a 30 de abril (já passada), segundo cut-off entre 12 e 14 de outubro de 2026. Projetos não aprovados num cut-off podem reaplicar no seguinte com proposta refinada.

Calendário 2026

Datas-chave

MarcoDataNotas
Abertura30 de março de 2026Call permanente em aberto
Sessão informativa16 de abril de 2026Webinar de apresentação (gravação disponível)
Cut-off 130 de abril de 2026Já encerrado
Cut-off 212 a 14 de outubro de 2026Submissão até 17:00 CEST (Brussels time)
Cut-offs 2027/2028A definirPrograma estende-se em BP26-28

A candidatura é submetida via EIT Urban Mobility Programmes Portal (assente em NetSuite), com formulário de descrição do projeto, equipa, plano de trabalho e orçamento. O Call Manual (secção 7) e os Guidelines for Applicants são leitura obrigatória antes de submeter.

Avaliação

O que o painel valoriza

Os critérios detalhados estão no Call Manual, mas em linha com a abordagem geral do EIT espera-se que sejam avaliados:

  • Excelência da ideia ou projeto: inovação, novidade tecnológica ou de modelo de negócio. Não tem de ser deep tech, mas tem de oferecer algo que não exista da mesma forma.
  • Impacto potencial na mobilidade urbana sustentável: magnitude e plausibilidade do impacto se o projeto vingar. Projetos com lógica clara de redução de emissões, melhoria de acessibilidade ou otimização de operações urbanas tendem a pontuar bem.
  • Capacidade da equipa: combinação de competências, motivação, complementaridade entre membros. Para uma bolsa pequena, o painel sabe que o capital humano é o ativo principal.
  • Viabilidade do plano e orçamento: uso credível dos 6.000 euros para gerar marcos concretos de validação. Orçamentos vagos ou desproporcionais a uma bolsa deste tamanho são penalizados.
  • Potencial de evolução para startup escalável: visão de trajetória após a SEGS, ligação plausível a programas seguintes do EIT Urban Mobility ou a outros instrumentos de financiamento.
  • Alinhamento com a Strategic Agenda 2021-2027 do EIT Urban Mobility: projetos que se enquadrem nas prioridades estratégicas declaradas da KIC têm vantagem sobre projetos genéricos.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A SEGS é um instrumento de nicho extremo. Para um candidato típico, o cálculo é claro: se a equipa cumpre o critério EIT-Labelled e tem uma ideia minimamente desenvolvida em mobilidade urbana, o custo de oportunidade de candidatar-se é muito baixo (esforço modesto de preparação) e o upside vai além dos 6.000 euros: porta de entrada para a rede do EIT Urban Mobility, validação curricular para futuras candidaturas a programas maiores (EIT UM Startup Creation, EIT Jumpstarter, EIT Innovation Hub), e visibilidade no ecossistema europeu de mobilidade.

Há, no entanto, duas considerações honestas. Primeira, o filtro EIT-Labelled exclui a maioria dos estudantes portugueses. Apenas universidades parceiras com programas formalmente rotulados pela KIC são elegíveis, e a lista é estreita. Antes de investir tempo na candidatura, confirmar se o programa académico do candidato consta da rede oficial do EIT Urban Mobility é o primeiro passo. Segunda, a baixa dimensão financeira significa que a SEGS não substitui um plano de financiamento sério para uma startup com tração. É financiamento de pré-validação, não de scale-up.

Para estudantes portugueses elegíveis, a recomendação é candidatar com proposta concreta e equipa formada, e tratar a SEGS como primeiro degrau de um plano que continua com EIT UM Startup Creation Programme ou outros instrumentos de aceleração da KIC. Para empreendedores portugueses sem ligação EIT-Labelled, instrumentos como o EIT Jumpstarter (também na rede EIT) ou os vouchers IAPMEI de empreendedorismo são alternativas mais acessíveis.

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