O que e

Um test bed setorial dedicado a tecnologia para media

O AMCC Test Bed e o programa de pilotagem do Aveiro Media Competence Centre, sediado no Parque de Ciência e Inovação de Aveiro (PCI). Reune quatro parceiros com perfis muito distintos e complementares: a NOS, operador de telecomunicacoes e empresa media de referencia em Portugal, a Universidade de Aveiro como ancora academica, o Google como parceiro tecnologico global e o PCI como gestor da infraestrutura. A Open Media Call de 2026 esta aberta a candidaturas ate 30 de maio.

A logica do programa e a de um test bed: oferecer a startups e PME tecnologicas um ambiente real onde testar e validar soluções com utilizadores finais e parceiros industriais antes do lançamento comercial. Em vez de pagar pela validacao, a startup acede a infraestrutura tecnologica (5G, cloud Google, redes NOS), a expertise universitaria e a clientes potenciais, em troca de partilhar resultados e participar nas atividades de difusao do consortio.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O setor media portugues esta numa fase de reestruturacao acelerada: empresas de imprensa, radio, televisao, cinema e streaming enfrentam transformação digital, novos modelos de negocio e pressao competitiva de plataformas globais. Para uma startup ou PME com solucao tecnologica relevante, o gap critico e a falta de canais para validar a tecnologia em ambiente de produção real, antes de convencer um cliente comercial.

  • Digitalização e IA: o programa foca em soluções de IA, AR/VR, big data, IoT e blockchain aplicadas a media. A startup pode testar modelos de IA generativa para produção de conteudo, infraestrutura de streaming, sistemas de recomendacao ou ferramentas de análise de audiencia em ambiente NOS, com dados reais e suporte técnico.
  • Capitalização e crescimento: a participacao da exposicao a investidores nacionais e internacionais ligados ao consortio. Para uma startup early-stage, ter um piloto validado num operador como a NOS e um sinal forte de tracao para a ronda seguinte.
Areas tecnologicas

As cinco prioridades do programa

A Media Open Call esta estruturada em torno de cinco areas tecnologicas, todas aplicadas a setor media:

  • Inteligencia Artificial: produção automatica de conteudo, transcricao, traducao, deteção de fake news, sistemas de recomendacao, análise de sentimento, automacao de workflows editoriais.
  • Realidade Aumentada e Virtual: experiencias imersivas para audiencia, formatos de jornalismo XR, transmissoes desportivas em 360 graus, conteudo educativo interativo.
  • Big Data: sistemas de análise de audiencia, modelos preditivos de engagement, otimizacao de paywall e subscricoes, segmentacao de utilizador.
  • Internet das Coisas: dispositivos conectados, integração de second screen, smart home media, captura de dados em ambiente real.
  • Blockchain: autenticidade de conteudo, gestão de direitos digitais, NFTs editoriais, watermarking criptografico.
Setores alvo

Onde a tecnologia e aplicavel

O programa cobre praticamente todo o universo media, com particular incidência em:

5
Areas tecnologicas
8+
Subsetores media cobertos

Imprensa digital e impressa, radio, audiovisual, cinema, televisao, streaming, videojogos e experiencias imersivas. A logica e ampla, mas as candidaturas mais fortes sao tipicamente as que articulam um caso de uso especifico para um destes subsetores, com problema, solução e metricas claras.

Elegibilidade

Quem pode candidatar-se

  • Tipo de entidade: startups ou PME constituídas em Portugal ou no estrangeiro. A constituicao em Portugal nao e obrigatoria, mas há claramente uma preferencia por empresas com presença nacional ou intencao de a ter.
  • Maturidade tecnologica: TRL 4 a 8. Excluem-se projetos de pesquisa pura (TRL 1 a 3) e produtos ja em mercado consolidado (TRL 9). A faixa-alvo e tecnologia em desenvolvimento avancado, com prototipo funcional, mas que ainda precisa de validacao em ambiente real.
  • Disponibilidade para piloto: a empresa tem de estar pronta para testar com os parceiros do consortio. Isto implica equipa técnica disponivel, propriedade intelectual gerida e abertura para integrar feedback dos utilizadores.
Prazo
A Media Open Call 2026 tem prazo de candidatura ate 30 de maio de 2026. As candidaturas sao submetidas via formulario online no website oficial. As selecionadas seguem para um processo de matchmaking com os parceiros antes do inicio do piloto.
Beneficios

O que a startup recebe

O programa nao distribui capital direto. O valor esta no acesso a recursos tipicamente inacessiveis a uma startup early-stage. Em concreto, a empresa selecionada recebe:

  • Apoio técnico personalizado: integração com infraestrutura PCI, redes 5G, ambiente Google Cloud, infraestrutura cloud da NOS para teste de carga.
  • Acesso a utilizadores finais: validacao de UX e desempenho com utilizadores reais NOS ou comunidade UA, com recolha de metricas estruturada.
  • Formacao e mentoria: sessoes em tecnologia, design, modelo de negocio e go-to-market, com especialistas dos parceiros do consortio.
  • Networking com investidores: contacto direto com investidores nacionais e internacionais ligados ao ecossistema PCI e ao programa.
  • Visibilidade institucional: presença em eventos do consortio, casos de estudo públicos, exposição na rede de parceiros NOS e Google.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A Open Capital observa que o setor media portugues esta numa fase de transformação tardia mas acelerada e que as startups com tecnologia diferenciada nesta vertical tem janelas curtas para se posicionar. O AMCC Test Bed e relevante por uma razao especifica: a NOS e dos poucos atores nacionais com volume de utilizadores suficiente para gerar dados de validacao reais. Tecnologia de media testada apenas em laboratorio raramente sobrevive ao primeiro contacto com a produção.

Para uma startup com solucao IA aplicada a produção editorial, ferramentas de análise de audiencia, ou infraestrutura de streaming, este e dos melhores ambientes nacionais para validar antes de uma ronda Series A. A combinação NOS (cliente potencial), UA (validacao academica), Google (escala tecnologica) e PCI (operação) e dificilmente replicavel em outros test beds europeus.

Erro comum: candidatar com solucoes demasiado horizontais. O programa procura soluções media-first. Uma startup com produto generico de IA que tenta posicionar-se como media-relevant tipicamente nao passa a fase de matchmaking. Quem candidata deve articular claramente o problema media especifico que resolve, com casos de uso concretos para imprensa, radio, TV ou streaming.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]