Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas ja nao estao abertas.
O instrumento

O que é o Calling2Scale Gunma

O Calling2Scale Gunma é um programa de três meses do EIT Global Outreach, operado pela EIT Food em colaboração com o Governo da Prefeitura de Gunma, que seleciona entre 10 e 14 startups europeias avançadas para um percurso estruturado de entrada no mercado japonês. As candidaturas abriram a 3 de agosto de 2026 e encerram a 3 de setembro às 17:00 CET, através do portal MyEITFood.

A lógica do programa distingue-o dos aceleradores generalistas. Seis empresas japonesas sediadas em Gunma definiram previamente os desafios de inovação que querem resolver. As candidaturas têm de responder a um desses desafios concretos. O resultado esperado é um caminho identificado para prova de conceito, projeto-piloto ou acordo comercial com um interlocutor corporativo que já se comprometeu com o programa.

O EIT Global Outreach é o braço internacional do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia, com plataformas em Silicon Valley, Israel e Reino Unido e programas dirigidos ao Japão, Índia, Canadá, Brasil e costa leste dos Estados Unidos. Desde 2018 declara ter escalado mais de 30 inovações para o mercado e facilitado mais de 100 milhões de euros em investimento.

2.200€
Sub-subvenção por startup
30.800€
Dotação total do convite
10a 14
Startups selecionadas
6
Empresas japonesas parceiras
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O valor deste programa não está no dinheiro. Está no acesso. A sub-subvenção cobre uma viagem, enquanto o que se compra com a candidatura é tempo de agenda com decisores de inovação de seis empresas industriais japonesas que já publicaram o que procuram.

  • Internacionalização: o programa foi desenhado para entrada no mercado japonês, com formação sobre enquadramento regulatório, estratégias de entrada, seleção de local de implantação e barreiras culturais de negócio, seguida de uma semana de imersão em Gunma e Tóquio com visitas a centros de I&D, unidades fabris e polos de inovação. Gunma é apresentada como plataforma de lançamento para o resto da Ásia.
  • Capitalização e crescimento: o perfil exigido é o de empresa em fase de escala, com produto pronto para mercado e pelo menos uma ronda de financiamento fechada. O programa dá acesso a parceiros, investidores e clientes no mercado japonês, além de exposição a startups europeias que já entraram nesse mercado com sucesso.
Elegibilidade

Quem se pode candidatar

O convite dirige-se a startups avançadas estabelecidas na União Europeia, incluindo regiões ultraperiféricas e países e territórios ultramarinos, ou em país associado ao Horizonte Europa elegível para atividades do Pilar III. As empresas portuguesas cumprem esta condição sem restrições adicionais.

  • Personalidade jurídica constituída: comprovada por certidão de constituição ou registo.
  • Número PIC: obrigatório. Entidades que nunca participaram em projetos financiados pela EIT Food e não têm PIC validado pela REA passam por um processo de validação gerido pela estrutura de onboarding da comunidade EIT.
  • TRL 7 ou superior: produto pronto para mercado, comprovado por documentação técnica que evidencie implantação, materiais multimédia de demonstração ou evidência de receita associada ao produto.
  • Pelo menos uma ronda de financiamento concluída: seed ou posterior, comprovada por acordo de investimento, SAFE, nota convertível, registo de acionistas ou comunicado público de investidor.

A candidatura tem de estar integralmente em inglês, identificar um dos domínios temáticos definidos, incluir um pitch deck e ser submetida através do portal. Cada candidato apresenta apenas uma candidatura. Quando o mesmo fundador ou membro da equipa aparece em candidaturas de entidades diferentes, as partes têm três dias de calendário para retirar todas menos uma, sob pena de inadmissibilidade de todas.

O filtro que elimina mais cedo
A conjugação de TRL 7 com ronda de financiamento fechada exclui liminarmente empresas em validação ou em pré-receita, por muito boa que seja a tecnologia. O programa dirige-se a quem já tem produto no mercado e procura um segundo território onde o vender.
Âmbito

Os seis desafios corporativos

Cada empresa japonesa parceira publicou três desafios concretos. A candidatura tem de responder a um deles. A precisão desse encaixe é o primeiro critério de avaliação. Vale a pena ler os desafios antes de decidir se há candidatura, porque a especificidade é elevada.

EmpresaDomínioExemplos de desafio publicado
SandenGestão térmica automóvelGestão térmica com IA, armazenamento de energia térmica e transferência de calor avançada em veículos elétricos
GunseishaEconomia circularReciclagem avançada de plásticos, certificação de valor ambiental (LCA, passaportes digitais de produto) e modelos de negócio circulares
JINSÓtica e bem-estarExperiência de uso sem atrito, ótica com função terapêutica e desempenho em ambientes críticos
Taiyo YudenEletrónica e eficiênciaEmbalagem sustentável, eficiência energética e valorização de calor e água residuais, sensorização para monitorização ambiental
Nippon KayakuHidrogénio, carbono e saúdeEletrólise AEM para hidrogénio verde, captura eletroquímica de CO₂ e sistemas microfisiológicos para descoberta de fármacos
Kyowa IndustrialProdução industrialProdução inteligente com IA, robótica e analítica preditiva, além de tecnologias de fabrico avançado
Estrutura

Como o programa decorre

O formato é híbrido e organiza-se em três blocos, com datas indicativas que a equipa de gestão pode ajustar.

FaseDatasConteúdo
Bootcamp online e sessões 1:19 de outubro a 13 de novembro de 2026Seis sessões virtuais de duas horas sobre ecossistema japonês, barreiras culturais, pitch, enquadramento regulatório, tendências setoriais e execução de provas de conceito, mais reuniões estruturadas com pontos de contacto de inovação das empresas japonesas
Immersion LabSemana de 24 de novembro de 2026Cinco dias no terreno em Gunma e Tóquio, com matchmaking curado, visitas a centros de I&D e unidades fabris, mesas redondas setoriais e definição de âmbito de provas de conceito. Exige presença de nível C.
Seguimento e reporteAté 15 de dezembro de 2026Duas sessões virtuais de fecho sobre próximos passos e submissão do relatório final com prova de participação
Seleção

Como as candidaturas são avaliadas

A avaliação decorre em duas fases. Na primeira, um avaliador externo pontua a candidatura em três critérios, cada um de 0 a 5 pontos, num total máximo de 15. O limiar de qualidade para passar à segunda fase é de 11 pontos em 15, com mínimo de 3 em cada critério. Esta fase pesa 60% da classificação final.

  • Excelência: substância e diferenciação da solução face a alternativas, força da evidência de validação (que prova de conceito ou piloto já correu, com que parceiro, com que resultados) e precisão do encaixe no desafio tal como a empresa japonesa o formulou.
  • Impacto: definição do cliente-alvo e do segmento de mercado no Japão ou na Ásia, credibilidade do potencial comercial, especificidade e viabilidade da prova de conceito proposta, incluindo se pode plausivelmente arrancar dentro do horizonte do programa, além da mutualidade do valor esperado.
  • Qualidade e eficiência da execução: adequação das competências e experiência da equipa nuclear, histórico demonstrado em entrada em mercados internacionais e em trabalho com parceiros corporativos ou industriais, além do realismo da preparação para entrar no Japão.

As candidaturas que passam o limiar são ordenadas separadamente por cada desafio corporativo escolhido. Até cinco candidatos por empresa japonesa são convidados para a segunda fase. Esta consiste numa entrevista online de até 30 minutos com representantes da Prefeitura de Gunma, das empresas participantes e da EIT Food, com peso de 40% na classificação final. Existe lista de reserva, período de standstill e procedimento de recurso.

O que a ordenação por empresa significa
A competição decorre entre as candidaturas dirigidas à mesma empresa japonesa, não no universo total de candidatos europeus. A escolha do desafio funciona, na prática, como escolha de pelotão competitivo. Uma candidatura muito forte pode perder por concentração de bons concorrentes no mesmo desafio enquanto outro desafio fica com menos de cinco candidaturas acima do limiar.
Condições financeiras

O que o apoio cobre

O orçamento total de apoio financeiro é de 30.800 euros, distribuído como sub-subvenção de montante fixo de 2.200 euros por startup selecionada. O valor foi calculado com base no custo médio de mercado de um voo de ida e volta em classe económica entre a Europa e Tóquio e cinco noites de alojamento na área de Gunma durante a semana do Immersion Lab.

O apoio é atribuído por startup, independentemente de a equipa ser representada por um ou mais membros, sem possibilidade de o receber duas vezes pela mesma atividade. Formaliza-se por acordo de sub-subvenção assinado entre a startup e a EIT Food. O pagamento é feito em prestações, com uma primeira parcela de pré-financiamento correspondente a 50% e o remanescente após aprovação do entregável final, que consiste no relatório de participação a submeter até 15 de dezembro de 2026. A EIT Food pode reduzir ou reter o pagamento final se o entregável não for submetido ou não evidenciar participação suficiente.

Todos os restantes custos de participação ficam do lado da empresa: tempo de equipa sénior durante três meses, preparação de materiais, deslocações adicionais e qualquer investimento subsequente na prova de conceito.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este instrumento deve ser avaliado como decisão comercial, com uma análise de custo de oportunidade honesta. Três meses de envolvimento de nível C, uma semana no Japão e a preparação de uma candidatura em inglês com evidência de validação custam bastante mais do que os 2.200 euros recebidos. A pergunta certa é se o mercado japonês está no plano de expansão da empresa nos próximos dois anos. Se estiver, o custo de aceder a seis interlocutores industriais qualificados por esta via é incomparavelmente menor do que por prospeção direta.

A escolha do desafio é a decisão mais consequente da candidatura. Recomendamos ler os três desafios de cada empresa e escolher aquele onde a evidência de validação existente é mais próxima do que a empresa japonesa descreve, mesmo que o encaixe estratégico pareça melhor noutro. O critério de excelência premeia a precisão do encaixe tal como o desafio foi formulado. A ordenação separada por empresa transforma essa escolha numa decisão sobre concorrência.

Do lado documental, o número PIC é o ponto onde vemos mais atrasos evitáveis. Empresas sem PIC validado pela REA devem iniciar o processo antes de fechar a candidatura, porque a validação envolve terceiros e não depende do calendário do convite. A evidência da ronda de financiamento e do TRL 7 deve ser preparada com o mesmo cuidado: são condições de elegibilidade verificadas antes da avaliação de mérito. Uma comprovação frágil elimina a candidatura sem que o conteúdo chegue a ser lido.

Por fim, uma nota de calendário. Com prazo a 3 de setembro de 2026 e bootcamp a arrancar em outubro, a janela de preparação é curta para quem começa agora. Empresas portuguesas com produto industrial validado nos domínios de mobilidade elétrica, economia circular, hidrogénio, sensorização ou produção inteligente são as que têm encaixe mais imediato.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]