Descarbonizar o transporte europeu a escala das redes TEN-T
O setor dos transportes representa cerca de um quarto das emissoes de gases com efeito de estufa da Uniao Europeia. A descarbonização do transporte pesado rodoviario, maritimo e de vias navegaveis interiores exige uma transição profunda nos sistemas de propulsao, o que por sua vez torna indispensavel a construcao de infraestrutura de abastecimento de combustiveis alternativos a uma escala europeia coordenada. E neste contexto que a Alternative Fuels Infrastructure Facility (AFIF) se enquadra.
Lancada no ambito da Connecting Europe Facility Transporte (CEF-T), a AFIF destinou EUR 780 milhoes ao co-financiamento de projetos de implantacao de infraestrutura de recarga eletrica e abastecimento de hidrogenio ao longo das redes TEN-T da Uniao Europeia. O aviso CEF-T-2024-AFIFGEN operou atraves de dois cut-offs concluidos e um terceiro cancelado por esgotamento de fundos, o que ilustra tanto o nível de interesse do mercado como os limites de capacidade financeira disponivel.
O que financiava e que tipos de projetos foram apoiados
O aviso apoiou cinco grandes categorias de infraestrutura de combustiveis alternativos, todas orientadas para os corredores da rede transeuropeia de transportes (TEN-T):
| Tipo de infraestrutura | Tecnologia alvo | Aplicacao |
|---|---|---|
| Recarga eletrica | 150 kW, 350 kW, 1 MW | Veiculos pesados de estrada |
| Hidrogenio rodoviario | Postos de abastecimento H2 | Transportes pesados e autocarros públicos |
| Hidrogenio maritimo/fluvial | Infraestrutura de bunker H2 | Embarcacoes de zero emissao |
| Combustiveis alternativos maritimos | Amonia, metanol, instalações portuarias | Navios e operações portuarias |
| Diferencial de custos navais | Embarcacoes zero emissao vs. convencional | Vias navegaveis interiores |
Custos de veiculo ou embarcacao convencional nao eram elegiveis. A logica do instrumento era financiar exclusivamente o diferencial ou o ativo de infraestrutura que torna viavel a transição tecnologica.
O que revelam os números finais
O segundo e ultimo cut-off processado produziu resultados expressivos, que permitem avaliar a dimensao real do programa.
A taxa de aprovacao de 77% e excepcionalmente elevada para um instrumento europeu competitivo, o que reflete tanto a qualidade dos projetos como a urgencia politica associada a descarbonização dos transportes. O terceiro cut-off foi cancelado por esgotamento de verbas, sinal inequivoco de procura superior a oferta disponivel.
Quem em Portugal podia candidatar-se e que oportunidades se anteveem
Portugal, com a sua rede rodoviaria TEN-T, os portos atlanticos de Lisboa, Setubal, Sines e Leixoes e o crescente peso do transporte de mercadorias no Corredor Atlantico, tinha condições para participar neste instrumento. Potenciais beneficiarios incluiam operadores de autoestradas e areas de servico, portos autonomos, transportadoras de mercadorias com frotas de veiculos pesados e operadores de vias navegaveis e ferries.
Para o proximo ciclo, as principais oportunidades devem centrar-se na recarga de alta potencia para camioes, na infraestrutura de hidrogenio verde nos grandes portos e na eletrificacao de embarcacoes fluviais e de cabotagem. Estes sao dominios onde Portugal tem projetos em maturacao que podem ser posicionados para candidaturas quando o proximo aviso abrir.
- Operadores de autoestradas e areas de servico TEN-T: recarga eletrica de alta potencia para veiculos pesados de estrada.
- Portos autonomos (Lisboa, Setubal, Sines, Leixoes, Viana): infraestrutura de H2, amonia ou metanol para navios e operações portuarias.
- Operadores de transporte público urbano e interurbano: abastecimento de H2 para autocarros de zero emissao.
- Transportadoras de mercadorias com frota pesada: posicionamento para infraestrutura de recarga partilhada em corredores TEN-T.
O que recomendamos
O AFIF foi um dos instrumentos mais relevantes e com maior dotacao da CEF Transporte para a agenda de descarbonização. O seu encerramento por esgotamento de verbas e, paradoxalmente, um sinal positivo: a procura de mercado e real e substancial, o que aumenta a probabilidade de a Comissão abrir novo aviso no proximo ciclo.
Organizações portuguesas que operam em corredores TEN-T ou que gerem infraestrutura portuaria devem usar este período de transição para maturar os seus projetos, desenvolver estudos de viabilidade tecnologica e financeira e construir parcerias com outros operadores europeus. Os projetos aprovados neste aviso constituem referencia util para perceber o que a Comissão valoriza na avaliação.
A Open Capital acompanha os desenvolvimentos do programa CEF Transporte e pode apoiar a preparacao antecipada de candidaturas para o proximo ciclo, incluindo a análise de elegibilidade, a construcao do dossier de projeto e a estimativa de co-financiamento europeu.
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