Um forum europeu para ligar startups deep-tech a investidores
O Chips Venture Forum 2026 e um evento europeu desenhado para conectar startups e scale-ups deep-tech do setor de semicondutores com fundos de venture capital, corporate venture, banca europeia de investimento e parceiros industriais. E parte da estrategia da Chips JU (Joint Undertaking, a iniciativa pública europeia para o setor) para fortalecer a soberania tecnologica europeia em microeletronica e fechar o gap de financiamento entre I&D e produção em escala.
A organização envolve três pilares. A Chips JU disponibiliza a infraestrutura institucional e o acesso a uma rede europeia de Chips Competence Centres. A BLUMORPHO, plataforma especializada em deep-tech matchmaking, gere o pipeline de startups e investidores. O European Innovation Council (EIC), com a sua rede de funded ventures, contribui com candidatos e capital. A rede aCCCess agrupa os Competence Centres locais e e atraves destes que as startups portuguesas, espanholas ou italianas tipicamente acedem ao programa.
Necessidades que este instrumento resolve
O setor de semicondutores e particularmente capital intensive: as rondas tipicas em deep-tech hardware estao na ordem das dezenas a centenas de milhões de euros e os calendarios de retorno sao longos. O Chips Venture Forum endereca dois bloqueios estruturais que tem travado o crescimento deste setor na Europa.
- Capitalização e crescimento: conecta startups a fundos VC com tese deep-tech, corporate venture de fabricantes europeus e fundos públicos como o EIC Fund. Para empresas de semicondutores, encontrar VCs que entendam ciclos de 5 a 10 anos e que invistam em hardware e a barreira mais alta. Este forum reune-os num so sitio.
- Premios e visibilidade: a participacao da exposicao a clientes industriais europeus, agencias públicas (Comissão, BEI, EIC) e media especializada. Mesmo startups que nao fecham investimento direto saem com leads comerciais e parcerias I&D.
- I&D e ciencia: em paralelo aos slots de investimento, o forum integra-se na agenda da Chips JU para projetos colaborativos de I&D, dando visibilidade a startups que possam ser parceiros em consortios futuros.
Duas fases, duas geografias
A edição 2026 corre em duas fases consecutivas. A primeira em Bordeaux, integrada no NPHO Venture Summit, decorre em 21 e 22 de outubro de 2026. A segunda em Munique, alinhada com o calendario europeu de eventos SEMI (a associacao internacional do setor de semicondutores). As duas fases tem audiencias parcialmente distintas e algumas startups participam em ambas; outras escolhem uma das duas conforme o tipo de investidores que pretendem contactar.
A candidatura nao e direta ao forum: passa pela rede aCCCess, ou seja, pelos Chips Competence Centres locais. Em Portugal, isto significa contactar o INESC ou outros parceiros que integram a rede europeia. O Competence Centre faz uma primeira selecao de candidatos antes de submeter ao pipeline do forum.
Startups deep-tech de semicondutores
O perfil de candidato ideal e uma startup ou scale-up europeia em deep-tech de semicondutores, em fase pos-prova de conceito, com tecnologia validavel e equipa técnica robusta. Tipicamente entre Series A e Series B, embora startups pre-Series A com tecnologia muito diferenciada também sejam admitidas.
- Areas técnicas relevantes: design de chips, processos de fabricacao, materiais avancados, packaging, photonic integrated circuits, MEMS, sensors, processadores especializados (IA, computação quantica, edge), automotive electronics, power electronics.
- Maturidade tecnologica: TRL 5 a 8. Startups que ainda estejam em pesquisa pura tendem a ser redirecionadas para programas de I&D Horizon Europe.
- Geografia: empresas com sede ou operação principal num Estado-Membro da UE. Startups UK ou US podem participar como observadores, mas nao tem a mesma elegibilidade para investimento dos fundos europeus.
Soberania europeia em semicondutores
O forum nasce no contexto do European Chips Act, regulamento aprovado em 2023 com dotação total acima de 43 mil milhões de euros para a soberania europeia em semicondutores. Parte significativa dessa dotação esta direcionada para investimento em capacidade industrial (fabs em Dresden, Magdeburg, Crolles), mas uma fração relevante destina-se a startups e scale-ups que possam densificar o ecossistema. O Chips Venture Forum e o ponto de matchmaking deste capital com o pipeline empresarial.
Para Portugal, com presenca em design de chips e photonics atraves do INESC e empresas como a Picadvanced, a relevancia e direta. As empresas portuguesas neste setor sao tipicamente mais pequenas que congeneres alemas ou holandesas e enfrentam um gap de capital agudo na transição de Series A para Series B. O acesso a este forum e um dos canais mais limpos para colmatar esse gap.
O que recomendamos
A Open Capital observa que o ecossistema europeu de semicondutores esta numa fase de consolidacao acelerada e os proximos 24 a 36 meses serao decisivos para definir quais startups conseguem escalar. Para uma empresa portuguesa de hardware ou semicondutores, com produto validado e a procurar Series A ou Series B, o Chips Venture Forum nao e opcional e o canal estruturado de acesso ao capital institucional europeu deste setor.
A preparação para o forum deve começar 4 a 6 meses antes. A startup deve ter um deck investment-ready em ingles, modelo financeiro com projeções a 5 anos, IP claramente protegida e uma narrativa que articule porque a Europa precisa desta empresa especificamente (alinhamento com Chips Act). Sem este trabalho previo, mesmo uma boa tecnologia perde-se no pipeline competitivo.
Erro comum: chegar com uma proposta puramente técnica. Os investidores no forum, mesmo os mais especializados em deep-tech, tomam decisao tambem com base em mercado, equipa e timing. Uma startup que apresenta apenas o brilhantismo tecnologico, sem articular o caso de negocio, tipicamente nao avanca para due diligence.
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