O que é

Inovar a infraestrutura do audiovisual europeu

A ação Innovative tools and business models do subprograma MEDIA do Europa Criativa não financia filmes nem séries. Financia a camada que decide se essas obras são encontradas, distribuídas e rentabilizadas: ferramentas de legendagem e descoberta, sistemas de gestão de direitos, análise de dados de audiência, modelos de negócio que liguem festivais, salas e plataformas de vídeo a pedido, além de soluções para tornar a produção mais verde.

A convocatória CREA-MEDIA-2027-INNOVBUSMOD foi publicada a 30 de setembro de 2026, com base no programa de trabalho de 2027 do Europa Criativa. É gerida pela Agência de Execução Europeia da Educação e da Cultura (EACEA). Face à edição anterior, a dotação sobe de 10,5 para 14 milhões de euros. O texto de 2027 pede explicitamente que o setor se adapte à inteligência artificial e contribua para a estratégia europeia Apply AI.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O instrumento cruza tecnologia com circulação internacional: os projetos são avaliados tanto pela inovação da ferramenta como pela sua capacidade de funcionar entre países, línguas e plataformas.

  • Digitalização e IA: financia ferramentas de recomendação e descoberta, gestão automatizada de direitos, recolha e análise de dados e novos modos de produção, financiamento e promoção baseados em IA, big data, blockchain ou mundos virtuais.
  • Internacionalização: o objetivo central é aumentar a visibilidade, o acesso transfronteiriço e a audiência das obras europeias. A dimensão europeia do projeto vale 15 dos 100 pontos da avaliação.
14M€
Dotação 2027
80%
Taxa máxima
36
Meses de duração
70
Pontos mínimos
Atividades financiáveis

Cinco tipos de projeto

  • Acessibilidade e descoberta: legendagem, acessibilidade e ferramentas de recomendação usadas entre países e plataformas.
  • Eficiência e transparência dos mercados: gestão automatizada de direitos e tecnologia de recolha e análise de dados.
  • Sinergias entre janelas: modelos de negócio que otimizem a complementaridade entre festivais, cinemas e vídeo a pedido.
  • Tecnologias emergentes: novos modos de produção, financiamento, distribuição ou promoção com IA, big data, blockchain, mundos virtuais ou NFT.
  • Produção mais verde: ferramentas e modelos de negócio que melhorem o desempenho ambiental da indústria.
Exclusões e novidade de 2027
O desenvolvimento de hardware (câmaras, óculos de realidade virtual) não é elegível e o apoio financeiro a terceiros não é permitido. O âmbito inclui expressamente os videojogos. A convocatória dá ênfase especial ao investimento privado e próprio: a capacidade de pedir um nível de financiamento da UE abaixo dos 80% autorizados é avaliada dentro do critério do modelo de negócio.
Quem pode candidatar

Entidades de países que participam plenamente no MEDIA

Podem candidatar-se pessoas coletivas públicas ou privadas estabelecidas num país que participe plenamente no subprograma MEDIA (Estados-Membros, países do EEE e países associados ao Europa Criativa) e detidas, direta ou indiretamente, maioritariamente por nacionais desses países. Empresários em nome individual sem personalidade jurídica separada também são elegíveis. As candidaturas podem ser individuais ou em consórcio de pelo menos dois beneficiários.

A regra da propriedade é o ponto a verificar primeiro: uma empresa portuguesa detida maioritariamente por um grupo de fora dos países MEDIA não é elegível, mesmo com sede em Lisboa. Para empresas cotadas, conta a localização da bolsa. É obrigatória uma declaração de independência e propriedade.

Avaliação

Relevância e modelo de negócio pesam 85%

CritérioPontosO que é avaliado
Relevância45Resposta a novas necessidades do mercado audiovisual (20), dimensão europeia (15), sustentabilidade ambiental (5), igualdade de género, inclusão e diversidade (5)
Qualidade do conteúdo e das atividades40Escolhas metodológicas e estratégicas, incluindo estratégia de integração de IA (20); coerência do modelo de negócio, cofinanciamento, viabilidade e custo-eficiência (20)
Gestão do projeto10Coerência e complementaridade da equipa ou parceria
Disseminação5Metodologia de recolha e partilha de dados e resultados

Não há limiares por critério, apenas um mínimo global de 70 pontos. A Parte B da candidatura tem no máximo 50 páginas e as atividades organizam-se num pacote de gestão mais um pacote por ano de execução.

Financiamento e calendário

Custos reais a 80%, resultados em julho de 2027

A subvenção é baseada no orçamento, com reembolso de custos efetivamente incorridos (pessoal, subcontratação, deslocações, equipamento, outros bens e serviços e custos indiretos) à taxa de 80%. Não há montante máximo por projeto e a subvenção não pode gerar lucro: entidades com fins lucrativos declaram receitas e o eventual excedente é deduzido no pagamento final.

EtapaData indicativa
Abertura30 setembro 2026
Prazo de submissão14 janeiro 2027, 17h00 de Bruxelas
Avaliaçãojaneiro a maio 2027
Comunicação de resultadosjulho 2027
Assinatura da convençãooutubro 2027

A convocatória está sujeita à aprovação final do orçamento da UE para 2027.

Para que tipo de entidade

Empresas tecnológicas do audiovisual e videojogos

O perfil típico é uma empresa de software ou serviços para o audiovisual com produto próprio: plataformas de legendagem e dobragem com IA, soluções de metadados e recomendação, ferramentas de gestão de direitos, marketplaces de vendas internacionais, análise de bilheteira e audiências, ou ferramentas de pegada de carbono para rodagens. Distribuidoras, exibidores e plataformas de vídeo a pedido entram quando o projeto for um modelo de negócio novo e não apenas a sua operação corrente.

Para uma empresa portuguesa, o critério da dimensão europeia pede parceiros ou utilizadores noutros países e obras de várias origens. Um produto pensado só para o mercado nacional dificilmente passa os 70 pontos.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A edição de 2026 recebeu 172 candidaturas para 10,5 milhões de euros, o que coloca esta ação entre as mais disputadas do MEDIA. A dotação maior de 2027 não muda essa lógica. O que separa propostas é uma inovação genuína na cadeia de valor, não a aplicação de ferramentas genéricas ao audiovisual, a par de um modelo de negócio que mostre como o produto se sustenta quando a subvenção acabar.

Recomendamos pedir menos do que os 80% autorizados sempre que o plano de negócio o permita, porque o critério do modelo de negócio premeia expressamente essa escolha. Convém também explicitar a estratégia de IA mesmo em projetos cujo núcleo não é IA. Com cerca de três meses e meio entre abertura e prazo, quem tem produto e parceiros internacionais identificados deve começar a escrever já.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]