Identidade

Uma das KIC mais relevantes do European Institute of Innovation and Technology

A EIT Health é uma Knowledge and Innovation Community (KIC) constituída sob o European Institute of Innovation and Technology (EIT), o braço da União Europeia dedicado a articular indústria, investigação e ensino superior em torno de desafios societais. A EIT Health é especificamente a KIC focada em saúde e cobre todo o espectro de inovação: medical devices e equipamento médico inteligente, digital health, biotecnologia, gene therapies, drug discovery, healthcare delivery e gestão de doenças crónicas.

Desde 2016, a EIT Health já apoiou mais de 2998 startups europeias com uma combinação de aceleração, financiamento, mentoria e exposição comercial. A escala do impacto a esta dimensão coloca a EIT Health entre os maiores motores europeus de inovação em saúde, comparável em ambição (embora com lógica distinta) a iniciativas como o EIC Accelerator e a Innovative Health Initiative.

Programas

Múltiplas calls com perfis de risco e ticket diferentes

A EIT Health não é um programa único. É uma carteira de calls e programas com critérios, deadlines e tickets distintos, desenhados para acolher startups em diferentes fases do seu desenvolvimento:

ProgramaFocoTicket
Innovation ValidationValidação de produtos médicos com TRL elevado, IML6 medical devicesAté 850K EUR (50% projeto)
New Models to Deliver HealthcareUK SMEs com modelos novos de prestação de cuidadosAté 700K EUR (50%)
CatapultCompetição equity-free para startups Life Sciences/Health Tech30K EUR + prémios não-financeiros
Fast TrackPrograma rápido de aceleração e investor matchingEm espécie + visibilidade
FlagshipsIniciativas estratégicas com consórcios europeusVariável, escala milhões

A maior parte das calls é equity-free, ou seja, a EIT Health não toma posições no capital das empresas apoiadas. O modelo de retorno da KIC é o sucesso agregado do ecossistema, não o retorno por equity. Esta característica torna a EIT Health particularmente atrativa para fundadores que pretendem evitar diluição em fases iniciais.

Catapult

Visibilidade global para startups em fase inicial

O Catapult é uma competição europeia anual, organizada em duas vias (Life Sciences e Health Tech), mais o Alex Casta Award atribuído por votação do público. Vai na décima edição. Os critérios de elegibilidade são bastante mais estreitos do que a designação de competição sugere. Convém lê-los antes de investir tempo na candidatura.

  • Dimensão e idade: micro ou pequena empresa, menos de 50 trabalhadores, constituída há menos de 10 anos.
  • Geografia: sede e operação em país da União Europeia ou associado ao Horizonte Europa.
  • Maturidade financeira: pelo menos 500 mil euros já captados em investimento privado, ou receita anual equivalente.
  • Ambição de ronda: estar a procurar, no mínimo, 2 milhões de euros.

Estes dois últimos pontos excluem a maioria das empresas em fase muito inicial. O Catapult não é um programa de arranque: é uma montra para empresas que já levantaram capital e preparam uma ronda de dimensão significativa.

Os benefícios para finalistas e vencedores combinam capital, mentoria e exposição:

  • Prémio em dinheiro: 30 mil euros para o vencedor de cada track, com prémios menores para finalistas.
  • Catapult Audience Award: visibilidade na Nasdaq Tower em Times Square, valor de marketing significativo.
  • Mentoria executiva europeia: acesso a uma rede de mentores em medtech, digital health e biotech.
  • Networking estruturado: exposição a investidores, research labs e potenciais clientes corporativos.
Innovation Validation

O ticket de maior valor: até 850K para validação clínica

A call Innovation Validation é o programa de maior ticket dentro da carteira EIT Health. É desenhada para empresas com produtos médicos em fase avançada de desenvolvimento, tipicamente com TRL elevado e necessidade específica de validação clínica ou regulatória. O ticket pode atingir 850 mil euros, cobrindo até 50% do orçamento total do projeto, com horizonte de 24 meses.

A call está particularmente alinhada com medical devices na fase de IML6 (validação clínica e ensaios), uma fase financeiramente exigente onde tipicamente há dificuldade em encontrar capital privado de risco antes da aprovação CE Mark. Esta lógica de "validation gap funding" é o que distingue a EIT Health de outras fontes de financiamento europeu.

A condição que decide a elegibilidade
Uma empresa portuguesa não se candidata sozinha a esta call. A Innovation Validation exige consórcio de pelo menos duas organizações de países diferentes, representando no mínimo dois lados do triângulo do conhecimento (indústria, investigação, ensino), com uma empresa comercializadora a liderar o projeto. O produto tem de estar em Innovation Maturity Level 6 e visar o nível 7. Para micro e pequenas empresas, o regulamento reserva entre 400 e 500 mil euros do financiamento. Quem não tiver parceiro noutro Estado-membro tem de o angariar antes de pensar na candidatura. Isso não se faz em semanas.
Para que tipo de empresa

Quem encaixa no portefólio EIT Health

A EIT Health não cobre toda a saúde. O seu mandato editorial é razoavelmente preciso e exclui certas áreas:

  • Medtech e medical devices: incluindo dispositivos de diagnóstico, monitorização, terapêuticos e cirúrgicos.
  • Digital health e AI medical devices: software de apoio à decisão clínica, plataformas de telemedicina, AI aplicada a imagiologia ou patologia.
  • Biotech: incluindo gene therapies e drug discovery, embora com seletividade típica do setor.
  • Healthcare delivery: novos modelos de prestação, gestão de doenças crónicas, prevenção populacional.
  • Disease management: ferramentas integradas para condições específicas de elevada prevalência.

Áreas tipicamente fora do mandato incluem dispositivos de cosmética, suplementos alimentares e dispositivos de wellness não clínicos. O critério editorial implícito é que o produto tenha uma proposta de valor clínica defensável, validada por ensaios ou em vias de o ser.

Como aceder

Calls específicas com calendários próprios

Cada call EIT Health tem o seu calendário e processo de candidatura próprio. As candidaturas são submetidas no portal da própria EIT Health (eithealth.eu/get-involved/new-call-opportunities) e não no portal Funding & Tenders central da Comissão. Os deadlines abrem e fecham várias vezes por ano, com Innovation Validation e Catapult tipicamente em ciclos anuais e Fast Track e Flagships em ciclos mais flexíveis.

As edições de 2026 já correram e estão ambas encerradas. A Innovation Validation Call 2026 esteve aberta de 25 de fevereiro a 6 de maio de 2026. O Catapult fechou a fase de candidaturas da décima edição e a página oficial remete para futuros anúncios. Quem quiser entrar deve preparar-se para os ciclos de 2027 e, no caso da Innovation Validation, usar o tempo de intervalo para montar o consórcio.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A EIT Health é, na nossa leitura, um dos instrumentos europeus mais bem desenhados para empresas portuguesas em saúde e simultaneamente um dos mais subaproveitados pelo ecossistema nacional. A combinação de financiamento sem diluição, tickets significativos, mentoria europeia de qualidade e visibilidade comercial é difícil de replicar noutro programa. O que trava o aproveitamento não é a falta de informação sobre os montantes: é a estrutura de acesso, que exige consórcio transnacional num caso e maturidade financeira no outro.

A recomendação para fundadores em saúde tem três pontos. O primeiro mudou nesta revisão. Não vale a pena dirigir empresas em fase muito inicial ao Catapult: o limiar de 500 mil euros já captados e a exigência de estar a procurar pelo menos 2 milhões excluem-nas à partida. A candidatura é tempo gasto sem hipótese. O Catapult serve empresas que já fizeram uma ronda e preparam a seguinte. Para essas, o retorno por hora investida continua a ser dos melhores do mercado europeu, mesmo para quem chega a finalista sem vencer.

Segundo, mapear a Innovation Validation com bastante mais do que 12 meses de antecedência. O prazo não é o constrangimento real: o consórcio é. Encontrar um parceiro de investigação ou de ensino noutro Estado-membro, alinhar plano de trabalhos e negociar a repartição do orçamento leva meses. Nenhuma dessas conversas se começa quando a call abre. Empresas com produto medtech a entrar em fase clínica nos próximos dois anos devem tratar a construção do consórcio como projeto autónomo, a correr desde já.

Terceiro, considerar a EIT Health como porta de entrada para o ecossistema europeu de saúde e não como um cheque isolado. A maior parte do valor capturado pelas empresas portuguesas que passaram por estes programas veio dos contactos com investidores, laboratórios de investigação e clientes corporativos europeus a que se acede através da rede.

Para empresas em fase mais avançada, vale a pena considerar a EIT Health como complemento ao EIC Accelerator e não como alternativa. As duas vias coexistem bem, com a EIT Health a cobrir o gap de validação clínica e o EIC Accelerator a cobrir o gap de scale-up comercial pós-CE Mark.

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