Strategic Innovation Open Call em poucas linhas
O Strategic Innovation Open Call é o principal instrumento de financiamento direto do EIT Urban Mobility para o triénio 2026-2028. Com uma dotação total indicativa de €60 milhões, financia consórcios pan-europeus que desenvolvam soluções inovadoras para os desafios da mobilidade urbana, integrando produtos, serviços e modelos de negócio que possam escalar à dimensão europeia.
A diferença face a outros instrumentos do Horizon Europe é a forte orientação para o impacto e para a transferência rápida do laboratório para a cidade. O EIT Urban Mobility não procura apenas excelência científica, procura projetos que demonstrem capacidade de chegar ao mercado e provocar mudança operacional nos sistemas urbanos.
Necessidades que este instrumento resolve
O programa cobre projetos colaborativos com forte componente de inovação aplicada. Cruza I&D em mobilidade com a necessidade de levar protótipos a operação real em cidades europeias.
- I&D e ciência: os projetos têm de demonstrar excelência na inovação proposta. As regras de elegibilidade seguem o Horizon Europe, abrindo portas a custos de pessoal técnico, subcontratação especializada e equipamento de investigação.
- Sustentabilidade, energia e clima: a totalidade dos eixos temáticos (logística urbana, transportes públicos, eletrificação, combustíveis alternativos) endereça a transição climática do setor da mobilidade urbana, um dos maiores emissores em ambiente urbano europeu.
- Mobilidade e transportes: é o foco central do EIT Urban Mobility. Projetos sem ligação clara ao transporte de pessoas ou mercadorias em ambiente urbano não passam o filtro de alinhamento estratégico.
Cinco focos estratégicos
A call está estruturada em cinco eixos temáticos, definidos pelo board do EIT Urban Mobility como prioridades de impacto para o triénio. Cada candidatura tem de identificar o eixo principal e justificar o alinhamento estratégico.
- Logística urbana: última milha, distribuição de mercadorias, otimização de fluxos urbanos.
- Transportes públicos: qualidade de serviço, eficiência operacional, integração multimodal.
- Gestão de dados de mobilidade: plataformas, interoperabilidade, MaaS, dados em tempo real.
- Eletrificação e combustíveis alternativos: infraestrutura de carregamento, hidrogénio, biocombustíveis avançados, frotas zero-emissão.
- Saúde e mobilidade: mobilidade ativa, qualidade do ar, acessibilidade, intersecção entre saúde pública e desenho urbano.
Quem pode candidatar-se
A regra mínima é simples na forma e exigente no fundo: consórcio multi-beneficiário com pelo menos duas entidades legais independentes, estabelecidas em diferentes Estados-Membros da UE ou em países associados ao Horizon Europe.
Na prática, as candidaturas competitivas raramente se ficam por dois parceiros. Consórcios típicos juntam um ator industrial (operador de transporte, OEM, plataforma tecnológica), uma entidade de investigação ou universidade, uma cidade ou operador municipal e por vezes uma PME especializada. A diversidade do consórcio é parte do critério de avaliação, não apenas requisito formal.
Dotação, taxas e despesas elegíveis
| Componente | Valor / Regra | Notas |
|---|---|---|
| Dotação total | €60 milhões | Indicativa para 2026-2028 |
| Primeira submissão | €9 milhões | Indicativo, pode variar entre cut-offs |
| Máximo por projeto | €2 milhões | Em financiamento EIT |
| Taxa de reembolso | Até 65% | Regras Horizon Europe |
| Custos indiretos | 25% (taxa fixa) | Sobre custos diretos elegíveis |
As despesas elegíveis seguem o regulamento Horizon Europe: custos de pessoal técnico, subcontratação, equipamento e infraestrutura, viagens e deslocações, outros bens e serviços e custos indiretos a 25%. A documentação de timesheet é exigente e regularmente auditada.
Janelas de submissão
| Cut-off | Data-limite | Estado |
|---|---|---|
| 1.º | 23 setembro 2025 | Encerrado |
| 2.º | 12 fevereiro 2026 | Encerrado |
| 3.º | 18 junho 2026, 17:00 CET | Aberto |
| 4.º | fevereiro 2027 | Programado |
| 5.º | junho 2027 | Programado |
O processo de seleção tem dois estágios. Primeiro, avaliação especializada via plataforma NetSuite. Depois, audição em painel e seleção pelo Comité de Seleção do EIT Urban Mobility. Os critérios são os clássicos do Horizon Europe: excelência, impacto e qualidade de implementação, ponderados pelo alinhamento com os eixos do programa.
O que recomendamos
O Strategic Innovation Open Call é um dos instrumentos mais relevantes para empresas portuguesas com produto ou serviço de mobilidade que ambicionem operar à escala europeia. A dimensão por projeto (até €2M) é confortável para uma fase de validação industrial ou primeiro deployment urbano e a participação num consórcio multi-país abre relações comerciais que o mercado nacional sozinho não permite.
Quando faz sentido candidatar: empresa com tecnologia validada em ambiente controlado e necessidade de a testar com cidade europeia parceira; consórcio em formação com pelo menos um operador industrial e uma cidade-piloto; capacidade real de assegurar os 35% de cofinanciamento. Quando não faz: ideias em fase de PowerPoint, equipas que ainda não dominam o ciclo administrativo Horizon Europe, projetos sem ligação operacional clara a uma cidade ou operador.
Erros comuns: tratar a candidatura como pedido de subsídio em vez de proposta de impacto; consórcios artificiais montados nas últimas semanas sem track record conjunto; subestimar o esforço de gestão financeira pós-aprovação. O EIT Urban Mobility é exigente em reporting e projetos mal preparados administrativamente perdem rapidamente o controlo do orçamento.
Recomendamos articular a candidatura com financiamento nacional complementar (Portugal 2030, COMPETE) sempre que isso permita reforçar a contrapartida sem violar regras de cumulação. Em projetos de mobilidade urbana, esta articulação é frequente e bem aceite pelas autoridades de gestão.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]