O que é

Uma ponte entre a prova de conceito e o investidor

Muitos projetos colaborativos do Horizonte terminam com uma prova de conceito experimental ou uma validação em laboratório. Os mecanismos orientados para o mercado (aceleração, investimento, contratação pré-comercial) só entram numa fase posterior, quando já há protótipo e validação em ambiente relevante. Pelo meio ficam por fazer os trabalhos que reduzem o risco da inovação: identificar casos de uso concretos, validar em ambiente real, definir segmentos de clientes, construir um modelo de negócio e uma estratégia de propriedade intelectual.

O tópico HORIZON-BRIDGING-2027-06-02 financia consórcios de intermediários do conhecimento para fechar esse fosso. Cada projeto identifica resultados promissores do Pilar III do Horizonte 2020 (Desafios Societais) e do Pilar II do Horizonte Europa e lança convites competitivos para financiar a sua validação e valorização. Acompanha depois os selecionados até ao financiamento seguinte.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O instrumento trabalha no ponto exato em que muitos resultados europeus morrem: depois do fim do financiamento de investigação e antes de haver algo que um investidor ou comprador público consiga avaliar.

  • Arranque e validação: os convites financiam apenas prototipagem, testes, demonstração, pilotos, validação de produto e replicação de mercado em ambiente operacional ou próximo dele, com mentoria em proposta de valor, validação de clientes e modelo de negócio.
  • I&D e ciência: o ponto de partida são sempre resultados de investigação colaborativa financiada pela UE, tecnológicos ou não, incluindo os que vêm das ciências sociais e humanas.
20M€
Dotação do tópico
5
Áreas temáticas
60%
Mínimo em FSTP
150k€
Máximo por terceiro
Âmbito

Seis atividades obrigatórias

  • Prospeção: identificar e mapear inovações, startups, PME e resultados exploráveis de projetos Horizonte, concluídos ou em curso, com atenção especial ao Pilar II.
  • Convites competitivos: abertos a projetos Horizonte individuais e/ou detentores de resultados na área temática do consórcio.
  • Acesso a locais de validação: encaminhar os selecionados para locais de demonstração, living labs, instalações de teste ou parceiros industriais.
  • Mentoria contínua: proposta de valor, modelo de negócio, validação com utilizadores, consultas preliminares ao mercado, estratégia de propriedade intelectual e de exploração.
  • Formação para escalar: prontidão para o mercado e para o investimento, contratação pré-comercial e constituição de equipas empreendedoras, por exemplo juntando investigadores a empreendedores experientes.
  • Financiamento seguinte: encaminhar para o EIC, o Ecossistema Europeu de Inovação, os Vales Regionais de Inovação, os European Startup and Scaleup Hubs, o InvestEU e fundos nacionais ou regionais.
Áreas temáticas

Uma área por proposta, pelo menos um projeto em cada

Cada proposta tem de escolher e indicar claramente uma das cinco áreas. Para garantir uma carteira equilibrada, a Comissão financia pelo menos a proposta mais bem classificada de cada área, desde que ultrapasse todos os limiares.

ÁreaTema
AAgricultura e sistemas alimentares
BTransição limpa: energia e transportes
CSaúde
DBioeconomia
EMatérias-primas e materiais avançados
Regras do apoio a terceiros
O apoio financeiro a terceiros é obrigatório, só pode ser dado sob a forma de subvenção e tem teto de 150 000 € por destinatário. Pelo menos 60% da contribuição da UE pedida tem de ir para validação e valorização dentro de cada área temática. Só são elegíveis resultados de projetos do Pilar III do Horizonte 2020 e do Pilar II do Horizonte Europa, ou dos seus detentores. O consórcio define o processo de seleção e a bolsa de avaliadores.
Quem pode candidatar

Intermediários do conhecimento, não detentores de resultados

Os consórcios devem ser formados pelos atores que, nos ecossistemas de inovação, funcionam como intermediários do conhecimento: gabinetes de transferência de tecnologia, ecossistemas de inovação apoiados pela UE, plataformas de inovação, incubadoras, clusters e iniciativas de apoio ao empreendedorismo. São estes que conseguem ligar consórcios Horizonte a aceleradores, investidores, municípios, regiões, compradores públicos e privados e living labs.

O financiamento é em montante fixo (lump sum) e a taxa de referência de uma Research and Innovation Action é de 100% dos custos elegíveis. As propostas devem demonstrar uma abordagem sensível ao género face às barreiras que as mulheres inovadoras enfrentam e articular-se com projetos já financiados, como os dos tópicos HORIZON-BRIDGING-2027-01-03, HORIZON-BRIDGING-2027-01-05 e HORIZON-CL4-2026-01-MAT-PROD-48.

Calendário

Prazo a 16 de fevereiro de 2027

O tópico integra a call HORIZON-BRIDGING-2027-06 (Bridging Actions 2027) das Atividades Horizontais do programa de trabalho 2026-2027. Abre a 20 de outubro de 2026 e fecha a 16 de fevereiro de 2027, às 17h00 de Bruxelas, numa única fase. A Direção-Geral responsável pode antecipar ou adiar a abertura até um mês e prolongar o prazo até dois meses.

Para que tipo de entidade

Dois lugares diferentes na mesma cadeia

Como beneficiários, o tópico serve interfaces tecnológicas, laboratórios colaborativos, centros de tecnologia e inovação, clusters de competitividade, incubadoras e gabinetes de transferência de tecnologia das universidades com carteira de resultados europeus e rede internacional. Portugal tem estas estruturas nas cinco áreas temáticas, com especial densidade em agroalimentar, saúde e materiais.

Como destinatários dos convites, o tópico interessa a startups, PME e grupos de investigação que participaram em projetos do Horizonte 2020 ou do Horizonte Europa e ficaram com resultados sem caminho para o mercado. Uma subvenção até 150 000 € com mentoria e acesso a locais de teste é, para muitos destes resultados, o passo que falta antes de uma candidatura ao EIC Transition ou a uma ronda de investimento.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Para intermediários, a força de uma proposta está na capacidade de prospeção: um consórcio que chegue à avaliação já com um mapa de resultados exploráveis na sua área, identificados por número de projeto, terá vantagem sobre quem promete fazer esse levantamento depois. A garantia de um projeto por área torna as áreas menos disputadas (bioeconomia, matérias-primas) estrategicamente interessantes.

Para detentores de resultados, recomendamos inventariar desde já o que ficou de projetos europeus em que participaram, confirmar quem detém a propriedade intelectual e acompanhar os convites que os projetos financiados vão lançar a partir de 2027. É também um bom momento para verificar o tópico irmão HORIZON-BRIDGING-2027-02-05, que financia diretamente consórcios pequenos a levar resultados do Pilar II para o mercado.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]