O instrumento

O que é o tópico HUMAN-01-14

O tópico HORIZON-CL4-2021-HUMAN-01-14 integrou o cluster 4 do Horizonte Europa, dedicado ao digital, à indústria e ao espaço, na chamada de 2021 sobre desenvolvimento humano e ético das tecnologias digitais e industriais. Financiou uma ação de investigação e inovação (RIA) com um objetivo concreto: desenvolver hardware háptico de realidade estendida capaz de tornar a informação digital acessível a quem não a consegue ler num ecrã.

A realidade estendida combina interações pessoa-máquina e ambientes reais, mistos, aumentados e virtuais. Para que essa experiência seja para todos, é preciso desenvolvimento específico orientado à acessibilidade. Fórmulas científicas, código informático, dados tabulares, fotografias e imagens não são eficientemente transmitidos a pessoas cegas ou com baixa visão pelos leitores de braille ou pela síntese de voz. A linha de braille refrescável existente é volumosa, cara e mostra apenas uma linha de cada vez, a um ritmo muito inferior ao de um leitor experiente.

O resultado esperado era um dispositivo portátil de página completa, fiável e a preço comportável, capaz de apresentar e introduzir informação digital tanto em braille como em gráficos tácteis, colocando a Europa na liderança das soluções de acessibilidade.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Tratando-se de uma ação RIA que arrancava em TRL 5 e visava atingir TRL 7, o tópico cruzava investigação aplicada, engenharia de produto e uma finalidade social explícita. Por isso responde a três necessidades distintas das organizações candidatas.

  • I&D e ciência: o financiamento cobria a investigação e o desenvolvimento de hardware háptico inovador, desde a maturação tecnológica até à validação com utilizadores reais, com pessoas com deficiência visual envolvidas em todas as fases do projeto.
  • Digitalização e tecnologia: o dispositivo tinha de ser interoperável com outras tecnologias de apoio, oferecer interfaces abertas para terceiros e permitir a retradução de braille e gráficos tácteis em texto e imagem, um trabalho profundamente assente em software e em normas de interoperabilidade.
  • Impacto social e inclusão: o propósito último era reduzir a barreira de acessibilidade que afeta mais de 30 milhões de pessoas cegas e com baixa visão na Europa geográfica, com atenção especial à comunidade surdocega, para quem o tato é a única forma de comunicação.
Âmbito técnico

O que o projeto tinha de entregar

O âmbito era exigente do ponto de vista técnico e do ponto de vista humano. Não bastava demonstrar um protótipo háptico. A solução tinha de ser fiável, robusta, segura e ajustada às necessidades e preferências de quem a iria usar.

  • Dispositivo de página completa, portátil e a preço comportável, com saída em braille e em gráficos tácteis interativos.
  • Capacidade de navegar, ler e editar conteúdo digital, não apenas de o consultar.
  • Interoperabilidade com outras tecnologias de apoio e interfaces abertas para utilização por terceiros.
  • Retradução de braille e gráficos tácteis em texto ou imagem, para permitir a cooperação entre pessoas com e sem visão.
  • Envolvimento de pessoas com deficiência visual em todas as etapas, como requisito mínimo na validação da solução.
Maturidade tecnológica
A ação previa arrancar em TRL 5, com a tecnologia validada em ambiente relevante, para terminar em TRL 7, com demonstração em ambiente operacional. É a janela típica das RIA do Horizonte Europa, distante da investigação fundamental e ainda aquém da comercialização.
Elegibilidade

Quem se podia candidatar

Como em qualquer ação colaborativa do Horizonte Europa, a candidatura exigia um consórcio que cumprisse as regras gerais do programa de trabalho. As condições de admissibilidade, os países elegíveis e os critérios de avaliação remetiam para os anexos gerais do programa, não para um aviso isolado.

Na prática, o perfil de candidato adequado combinava centros de investigação, empresas tecnológicas com competência em hardware háptico e organizações ligadas à comunidade de pessoas com deficiência visual. A taxa de financiamento das ações de investigação e inovação no Horizonte Europa é de 100% dos custos elegíveis, o que torna estes instrumentos particularmente atrativos para entidades sem fins lucrativos e para projetos de risco tecnológico elevado.

Estado e contexto

Uma chamada encerrada, um sinal de direção

Esta chamada abriu a 22 de junho de 2021 e encerrou a 21 de outubro de 2021, em fase única. Está fechada e não voltará a abrir com este código. O seu valor hoje é de referência: mostra como a Comissão Europeia tratou a acessibilidade não como tema marginal, mas como vetor de soberania tecnológica e de liderança industrial europeia.

Para empresas e centros de investigação que trabalham em acessibilidade, realidade estendida ou tecnologias de apoio, o tópico é um mapa útil das prioridades europeias. Estas reaparecem, reformuladas, em chamadas posteriores do mesmo cluster. Quem acompanhou esta linha parte em vantagem na leitura dos programas de trabalho seguintes.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Um tópico encerrado continua a ensinar. A lição central deste é que o Horizonte Europa premeia projetos onde a tecnologia e a finalidade social caminham juntas, com utilizadores reais no centro do desenho desde o primeiro dia. Quem prepara candidaturas a clusters digitais e industriais ganha em estudar como a acessibilidade foi enquadrada aqui, porque o tema regressa de forma recorrente.

Para uma organização portuguesa que pondere entrar neste tipo de ação, o trabalho começa cedo: identificar o consórcio europeu certo, posicionar a contribuição nacional e alinhar a proposta com os resultados esperados do programa de trabalho em vigor. É aí que a diferença entre uma boa ideia e uma candidatura financiada se decide. Quando surgir uma chamada equivalente, a antecedência é o ativo mais valioso.

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