O instrumento

O que é o tópico HUMAN-01-19

O tópico HORIZON-CL4-2021-HUMAN-01-19 financiou uma ação de coordenação e apoio (CSA) do Horizonte Europa que inverte a lógica habitual da inovação. Em vez de empurrar tecnologia para o mercado, parte da procura: das necessidades concretas de cidades e comunidades locais. O objetivo era promover a adoção de soluções tecnológicas e não tecnológicas com base na investigação, respondendo a procura impulsionada pelos cidadãos para testar e experimentar.

A ação concretizava uma ambição do Pacto Ecológico Europeu: envolver as comunidades locais na construção de um futuro mais sustentável, combinando o impulso da sociedade com o impulso da tecnologia. Previa testar até 100 soluções inovadoras em parceria entre cidades, comunidades, investigação e indústria, ajustadas às características e forças locais.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Esta ação cruza a valorização da investigação europeia com um compromisso social explícito: testar com as comunidades, não sobre elas. Daí as duas necessidades que cobre.

  • I&D e ciência: o foco era acelerar a adoção social de novas tecnologias e soluções baseadas em conhecimento, fazendo corresponder os resultados de I&I europeus à procura das cidades e testando-os em ambiente real, com as comunidades como bancos de ensaio.
  • Impacto social e inclusão: a experimentação tinha de ser transparente e socialmente inclusiva, com novos modelos de cocriação e partilha de boas práticas para que as soluções fossem adaptadas às necessidades de cada comunidade, evitando a lógica de tamanho único.
Âmbito

Como funcionava o teste com as comunidades

O conceito central era recolher e fazer corresponder as necessidades das cidades e comunidades à oferta de soluções possíveis, vindas de resultados de investigação, adaptando-as ao contexto local e garantindo benefícios para todas as partes da sociedade.

  • Beneficiários principais: as cidades e comunidades participantes, com os parceiros de investigação e de negócio envolvidos no teste.
  • Participação possível de planeadores, designers, arquitetos, artistas, cientistas do clima, decisores políticos, investidores, inovadores sociais, profissionais locais e pequenas empresas.
  • Teste de soluções em ambiente real, com adaptação às necessidades locais e foco no envolvimento dos cidadãos.
  • O consórcio podia conceder apoio financeiro a terceiros, com um máximo de 60 mil euros por terceiro.
Fora de âmbito
O escalonamento das soluções eficazes não fazia parte desta ação. A escala poderia ser facilitada por outros programas e iniciativas, públicas ou privadas. Aqui tratava-se de testar e validar com as comunidades, não de massificar.
Elegibilidade

Quem se podia candidatar

As ações de coordenação e apoio financiam a 100% atividades de articulação, cocriação e experimentação. As condições de admissibilidade e os países elegíveis seguiam os anexos gerais do programa de trabalho do Horizonte Europa.

O perfil de candidato natural reunia redes de cidades, autarquias, centros de investigação e parceiros de inovação com capacidade de mobilizar comunidades em vários Estados-Membros. O mecanismo de apoio financeiro a terceiros, até 60 mil euros, abria a porta a que pequenas empresas e inovadores locais participassem no teste sem serem membros do consórcio principal. Para municípios e entidades portuguesas com agenda de inovação urbana, este é um modelo de referência sobre como ligar procura local a investigação europeia.

Estado e contexto

Uma chamada encerrada, um modelo que ficou

A chamada abriu a 22 de junho de 2021 e encerrou a 21 de outubro de 2021. Está fechada. O modelo que inaugurou, inovação orientada pela procura das comunidades, ganhou peso nas políticas urbanas europeias e reaparece em iniciativas como as missões do Horizonte Europa sobre cidades neutras em carbono.

Para autarquias e entidades portuguesas, o tópico é um guia útil sobre como estruturar parcerias entre cidade, investigação e empresas em torno de necessidades concretas dos cidadãos, com financiamento europeu por trás.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A inovação orientada pela procura das comunidades é mais difícil de executar do que a inovação tecnológica clássica, porque obriga a ouvir antes de propor. É também mais robusta: soluções testadas com quem as vai usar têm maior taxa de adoção e menor risco de rejeição social.

Recomendamos que municípios e entidades com vocação de inovação urbana olhem para este modelo ao desenhar projetos futuros. Mesmo com esta chamada encerrada, a lógica de cruzar procura local com resultados de investigação europeia continua a abrir financiamento. Quem domina o modelo parte na frente quando surgir a próxima oportunidade.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]