O instrumento

O que é o tópico HUMAN-01-20

O tópico HORIZON-CL4-2021-HUMAN-01-20 financiou uma ação de coordenação e apoio (CSA) do Horizonte Europa para promover o intercâmbio de conhecimento entre indústria e academia, com foco nas necessidades concretas de investigação e inovação das empresas. A ação completava a cooperação universidade-empresa, em linha com a Agenda Europeia de Competências para a competitividade sustentável, a justiça social e a resiliência.

A análise das ferramentas europeias existentes neste domínio, como as Comunidades de Conhecimento e Inovação do EIT e as Alianças do Conhecimento, mostrava uma lacuna: faltava apoio a colaborações pontuais centradas nas necessidades específicas das empresas. Foi essa lacuna que o tópico procurou preencher.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

A ação junta talento académico e problemas reais de empresas num formato curto e prático. Por isso responde a duas necessidades distintas e ligadas entre si.

  • I&D e ciência: o tópico criava e pilotava um módulo de colaboração que punha equipas de cocriação de estudantes, investigadores e pessoal de I&D das empresas a trabalhar em conjunto para resolver desafios concretos de investigação, inovação e negócio identificados pelas empresas.
  • Formação e qualificação: ao expor cedo os estudantes do ensino superior a um ambiente empresarial real e à resolução de problemas, a ação reforçava as suas competências empreendedoras e transversais, qualificando o talento europeu para a indústria.
Âmbito

Como funcionavam as equipas de cocriação

O processo de cocriação era facilitado por um módulo colaborativo através do qual as empresas encontravam as equipas internacionais mais adequadas, qualificadas e motivadas para trabalhar com o seu pessoal na resolução de um desafio identificado.

  • Apoio a um mínimo de 300 equipas de cocriação, distribuídas de forma geograficamente equilibrada.
  • Em cada equipa, estudantes e investigadores de pelo menos três Estados-Membros ou países associados.
  • Participação de empresas de toda a União e países associados, com ênfase especial nos países em alargamento.
  • Gestão de projeto e orientação profissional às equipas, para resolver os desafios em quatro a oito semanas.
  • Articulação com o Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT), para evitar duplicação e explorar complementaridades.
Apoio a terceiros
Se os candidatos propusessem apoio financeiro a terceiros para sustentar as equipas de cocriação, tinham de descrever as condições de submissão, avaliação e seleção das propostas desses terceiros. Era um mecanismo para chegar a quem não integrava o consórcio principal.
Elegibilidade

Quem se podia candidatar

As ações de coordenação e apoio do Horizonte Europa financiam a 100% atividades de articulação, pilotagem e estruturação de redes. As condições de admissibilidade e os países elegíveis seguiam os anexos gerais do programa de trabalho.

O perfil de candidato adequado reunia instituições de ensino superior, redes de cooperação universidade-empresa, associações empresariais e parceiros com capacidade de mobilizar estudantes, investigadores e empresas em vários países. Para o ecossistema português de ensino superior e para PME com desafios técnicos concretos, este modelo de equipas internacionais de cocriação por períodos curtos é uma referência valiosa de como ligar talento académico a problemas reais de negócio.

Estado e contexto

Uma chamada encerrada, um modelo replicável

A chamada abriu a 22 de junho de 2021 e encerrou a 21 de outubro de 2021. Está fechada. O modelo de cocriação indústria-academia que pilotou continua a inspirar iniciativas de cooperação universidade-empresa em toda a Europa, dentro e fora do EIT.

Para universidades e empresas portuguesas, a leitura é prática: existe um formato testado para resolver desafios de I&I em semanas, com equipas internacionais. Vale a pena conhecê-lo ao desenhar parcerias de cooperação ou candidaturas futuras.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A cooperação universidade-empresa é uma das fragilidades históricas do tecido económico português. Há talento académico abundante e há empresas com problemas técnicos por resolver, mas o canal entre os dois é estreito. Modelos como este mostram que é possível ligá-los de forma rápida e estruturada.

Recomendamos que instituições de ensino superior e PME com desafios de inovação encarem a cocriação de curto prazo como ferramenta concreta, não como conceito abstrato. Mesmo com esta chamada encerrada, o desenho do tópico oferece um guião útil para estruturar parcerias e para preparar candidaturas a futuros instrumentos europeus de cooperação.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]