O que é o tópico HUMAN-01-18
O tópico HORIZON-CL4-2021-HUMAN-01-18 financiou uma ação de coordenação e apoio (CSA) do Horizonte Europa dedicada a um elo frequentemente esquecido da inovação: a normalização. Como sublinhado no Pacto Ecológico Europeu e na nova Estratégia Industrial para a Europa, desenvolver novas normas, a par de uma maior participação europeia nos organismos internacionais de normalização, é essencial para reforçar a competitividade da indústria e construir um futuro sustentável e mais inclusivo.
A ação propunha-se identificar os obstáculos que travam os esforços de normalização de quem produz investigação, desenvolver soluções para esses obstáculos e promover a normalização como meio de valorização do conhecimento, em articulação com os organismos de normalização relevantes.
Necessidades que este instrumento resolve
A normalização raramente é o primeiro pensamento de um centro de investigação. No entanto, é o que separa uma boa solução técnica de uma solução que o mercado adota em escala. Esta ação responde, no essencial, a uma necessidade nuclear.
- I&D e ciência: o tópico reforçava os laços entre investigação, inovação e normalização, garantindo que esta passa a ser parte integrante do panorama europeu de I&I. Ao transformar resultados de investigação em normas reconhecidas, facilita a sua valorização e a entrada de soluções inovadoras no mercado, incluindo respostas a desafios como as alterações climáticas e a digitalização.
O instrumento funciona como infraestrutura de mediação: cria a interface que liga quem investiga aos organismos nacionais, europeus e internacionais de normalização, para que o conhecimento financiado por fundos públicos chegue ao mercado sob a forma de normas úteis.
O que o projeto tinha de entregar
A ação criava uma interface, um balcão único, para facilitar o trabalho em rede entre os beneficiários e os organismos de normalização, com vista à exploração e valorização dos resultados de investigação financiados pela União.
- Identificar os principais bloqueios do processo de definição de normas e propor remédios concretos.
- Facilitar o networking entre quem investiga e os organismos de normalização nacionais, europeus e internacionais.
- Organizar workshops de análise de tendências e promover a discussão entre I&I e normalização.
- Promover a normalização como facilitadora da entrada de soluções inovadoras no mercado e como reforço da vantagem competitiva da indústria europeia.
- Contribuir para o desenvolvimento de normas ágeis, capazes de acompanhar o ritmo da inovação.
Quem se podia candidatar
As ações de coordenação e apoio financiam a 100% atividades de articulação, análise e definição de boas práticas. As condições de admissibilidade e os países elegíveis seguiam os anexos gerais do programa de trabalho do Horizonte Europa.
O perfil de candidato adequado reunia organismos de normalização, redes de transferência de tecnologia, associações industriais e entidades com capacidade de mobilizar quem produz investigação e quem define normas em vários Estados-Membros. Para o tecido industrial português, sobretudo a indústria transformadora, este tipo de ação sublinha a importância de participar nos processos de normalização desde cedo, em vez de adotar normas decididas por outros.
Uma chamada encerrada, uma prioridade que se mantém
A chamada abriu a 22 de junho de 2021 e encerrou a 21 de outubro de 2021. Está fechada. A ligação entre investigação e normalização permanece, no entanto, uma prioridade declarada da política europeia de inovação e regressa em programas de trabalho posteriores.
Para uma empresa industrial portuguesa, a leitura deste tópico é prática: as normas onde os seus produtos vão competir estão a ser definidas agora. Participar nesse processo é uma forma de defender posição de mercado e de antecipar requisitos regulatórios.
O que recomendamos
A normalização é subvalorizada pela maioria das empresas portuguesas, que a veem como custo burocrático e não como vantagem competitiva. Esta ação europeia diz o contrário: as normas certas abrem mercados. Quem ajuda a defini-las parte na frente.
Recomendamos que empresas industriais e centros tecnológicos com produtos inovadores acompanhem os organismos de normalização do seu setor e considerem a participação ativa nesses fóruns. Não é trabalho visível no curto prazo, mas é dos que mais protegem o valor de uma inovação ao longo do tempo.
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