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Industry 5.0 e o Conceito de Fabrica

Para Alem da Eficiencia: Indústria como Motor de Coesão Social

A visão europeia de indústria evolui. Se a Indústria 4.0 colocou o enfase na digitalização, automacao e eficiencia produtiva, o conceito de Indústria 5.0, promovido pela Comissão Europeia, acrescenta uma dimensao que os modelos anteriores tendiam a ignorar: o impacto social da transformação industrial. Tecnologia e sociedade nao sao vetores independentes da transição industrial. Sao forcas que precisam de ser integradas de forma deliberada se o objetivo e uma indústria europeia competitiva, resiliente e inclusiva.

O topico HORIZON-CL4-2021-RESILIENCE-01-31 materializa esta visão. Com uma dotacao de EUR 5 milhoes, financia projectos de Research and Innovation Action (RIA) que desenvolvam a ideia de uma "Fabrica Europeia de Inovação Tecnologica e Social": um conceito, uma metodologia e eventualmente uma estrutura que combine sistematicamente inovação tecnologica com inovação social no contexto da transição industrial europeia.

Inovação Social: um conceito com definição precisa
Inovação social nao e filantropia nem RSE. E o desenvolvimento e implementação de novas ideias (produtos, servicos, modelos) que respondem a necessidades sociais e criam novas relacoes ou colaboracoes sociais. No contexto industrial, significa modelos de negocio que integram trabalhadores, comunidades e partes interessadas como participantes ativos da transformação, nao apenas como beneficiarios passivos.
Resultados Esperados

O que os Projetos Devem Demonstrar

O programa de trabalho 2021-2022 define resultados concretos para os projetos selecionados neste topico. A logica e clara: reforcar a resiliencia e sustentabilidade da indústria europeia, nas suas dimensoes economica, social e ecológica, atraves de inovações que combinem o tecnologico e o social.

  • Inovações combinadas: Desenvolver e demonstrar inovações que integrem componentes tecnologicas e sociais de forma indissociavel, provando que o desempenho economico e a coesão social nao sao objetivos conflituantes.
  • Empreendedorismo inclusivo: Criar e testar mecanismos que fomentem o empreendedorismo inclusivo, com impacto social positivo demonstravel, incluindo startups socialmente inovadoras com base tecnologica.
  • Nova geracao de empreendedores: Desenvolver perfis hibridos de empreendedores com capacidades tecnologicas solidas e sensibilidade social, capazes de liderar a transição industrial numa logica de Industry 5.0.
  • Novos modelos de negocio: Identificar, testar e escalar modelos de negocio que capitalizem sobre parcerias entre indústria e sociedade, criando valor simultaneamente para acionistas, trabalhadores e comunidades.
  • Suporte as prioridades da UE: Contribuir para objetivos especificos da politica europeia, incluindo o Pacto Ecológico, a Estrategia Industrial e os objetivos de emprego e competencias do Pilar Europeu dos Direitos Sociais.
EUR 5M
Dotacao total do topico
EUR 3M
Financiamento por projeto (indicativo)
1-2
Projetos a financiar
O Conceito de Fabrica

Uma Infraestrutura de Inovação, nao apenas um Projeto

O uso da palavra "Fabrica" no titulo do topico e intencional e carregado de significado. Nao se trata de um laboratorio nem de um centro de investigação convencional. O conceito implica uma estrutura com capacidade de produção sistematica: uma plataforma que gere e combina inputs de inovação tecnologica e social de forma repetivel e escalavel, produzindo outputs com valor economico e social demonstravel.

Em termos praticos, os projetos devem propor um modelo organizacional inovador, com mecanismos de governanca inclusiva, processos de co-criação com trabalhadores e comunidades e capacidade de replicacao em diferentes contextos industriais. O projeto nao e apenas um estudo ou um piloto e uma demonstracao de que esta "fabrica" de inovação funciona e pode ser escalada.

  • Co-criação como metodo: Envolvimento ativo de trabalhadores, representantes sindicais, comunidades locais e outros stakeholders no design e desenvolvimento das inovações, desde a concepcao.
  • Hibridismo tecnologico-social: Cada inovação desenvolvida deve ter uma componente tecnologica clara (produto, processo, plataforma digital) e uma componente social demonstravel (impacto em emprego, inclusão, qualidade de vida).
  • Escalabilidade e replicabilidade: O modelo deve ser desenhado para funcionar nao apenas num sector ou regiao, mas demonstrar potencial de aplicacao transversal na indústria europeia.
  • Metricas de impacto: Desenvolver indicadores que medam simultaneamente o desempenho economico-tecnologico e o impacto social, criando uma base de evidencia para politicas futuras.
Perfil de Consorcio

Quem Deve Candidatar-se

Este topico exige um consorcio invulgar, que combine capacidades de investigação tecnologica com expertise em ciencias sociais, design organizacional e envolvimento de stakeholders. Consorcio demasiado academico ou demasiado centrado em tecnologia nao vai ao encontro do espirito do topico.

  • Universidades e centros de investigação: Com competencias simultaneamente em areas tecnologicas (automacao, robotica, digital, materiais) e em ciencias sociais (sociologia do trabalho, economia comportamental, design organizacional).
  • Indústria: Empresas, especialmente PME, dispostas a ser campo de experimentacao do modelo, co-criando com os seus trabalhadores e abrindo os seus processos de inovação a inputs externos.
  • Parceiros sociais: Sindicatos, organizações de trabalhadores, associacoes setoriais com competencia no dialogo social e na gestão de transições no mercado de trabalho.
  • Autoridades públicas e entidades de desenvolvimento regional: Para garantir o alinhamento com politicas de emprego, formacao e desenvolvimento territorial.
  • Organizações de inovação social: Think tanks, aceleradores de impacto ou fundacoes com experiencia em inovação social e em modelos de negocio com missao dupla (economica e social).
Perspetiva Open Capital

O que Recomendamos

Este e um topico para consorcio corajosos e experientes em trabalho interdisciplinar. O risco mais comum em propostas deste tipo e o desequilibrio: ou o consorcio e demasiado tecnologico e a componente social fica reduzida a um capitulo de "impacto" sem substancia, ou e demasiado social e a componente tecnologica e insuficiente para satisfazer os avaliadores de um programa como o Horizon Europe.

A chave esta na integração genuina desde o inicio da proposta: a narrativa, a estrutura do trabalho e os resultados esperados devem mostrar que tecnologico e social sao inseparaveis no conceito proposto. Com uma dotacao de apenas EUR 5 milhoes e 1-2 projetos a financiar, a competicao e intensa. O diferencial de propostas vencedoras tende a estar na qualidade da visão, na solidez do consorcio e na credibilidade do conceito de "fabrica" apresentado.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]