O que é

Ferramentas digitais para a fábrica europeia

A transformação digital da indústria transformadora europeia depende da disponibilidade e da adoção de sistemas de qualidade, eficientes e acessíveis, como os que a computação em nuvem, as tecnologias de gémeo digital baseadas em simulação e as abordagens orientadas por dados oferecem. O problema é que a adoção é baixa. No caso da nuvem, apenas uma em cada quatro empresas a aplica e só uma em cada cinco entre as PME. Foi este atraso que o tópico HORIZON-CL4-2022-RESILIENCE-01-25 procurou atacar.

A ação financiou o desenho de ferramentas digitais para a indústria: sistemas em nuvem, gémeos digitais de simulação, abordagens orientadas por dados e soluções de inteligência artificial e aprendizagem por reforço. O propósito era melhorar a eficiência e a qualidade do produto e aumentar a capacidade de reação, mais rápida e melhor, às mudanças do mercado. Um segundo eixo passava por desenvolver soluções avançadas de modelação de materiais aplicadas à produção e por reforçar a interoperabilidade de dados, com novos serviços de análise, simulação e visualização em cada fase da cadeia de valor.

Esta ficha é uma referência editorial. A chamada de 2022 já encerrou, mas a digitalização da indústria continua a ser uma prioridade transversal dos programas de trabalho europeus, com tópicos sucessores em ciclos mais recentes.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O tópico endereça diretamente o fosso entre a fronteira tecnológica e o chão de fábrica. Financia o desenvolvimento e a demonstração de ferramentas digitais com aplicação industrial imediata e é aí que se define o seu perfil de utilidade.

  • Digitalização e inteligência artificial: o coração da ação é a criação de ferramentas digitais para controlar e otimizar processos de produção, integrando nuvem, gémeos digitais, análise de dados e algoritmos de IA. O objetivo é reduzir o ensaio físico através de simulação e melhorar indicadores concretos de produção, como o rendimento e o débito.
  • I&D e ciência: o desenvolvimento assenta em modelação avançada de materiais e em métodos de simulação e otimização, com forte componente de investigação aplicada, apoiada em princípios de dados FAIR e em normas de interoperabilidade como MODA e CHADA.
Âmbito

O que os projetos tinham de entregar

As propostas tinham de desenhar ferramentas digitais robustas que integrassem a modelação de materiais e o desenvolvimento de processos, promover a utilização e adaptação de ferramentas já existentes aplicáveis a diferentes setores e contribuir para métodos de simulação e otimização que facilitassem uma exploração mais eficiente do espaço de design. A ideia era reduzir o ensaio físico, elevar a qualidade do processo e do produto e melhorar a eficiência e a rapidez da tomada de decisão, mantendo baixos os custos operacionais.

A interconexão entre processos e entre indústrias estava explicitamente no âmbito, numa lógica de integração crescente de domínios e disciplinas em fluxos de trabalho complexos. Para o conseguir, as propostas tinham de resolver a interoperabilidade implementando normas de dados disponíveis, como MODA, CHADA e ontologias associadas.

Enquadramento estratégico
O tópico integrava a destinação Resilience do Cluster 4 (Digital, Indústria e Espaço), cujo objetivo é a liderança industrial e a autonomia estratégica aberta da Europa. Ao contrário da investigação pura, tratava-se de uma ação de inovação (IA), orientada para a aproximação ao mercado e à demonstração em ambiente operacional, com forte peso da adoção efetiva das ferramentas pelas empresas.
Elegibilidade

Quem se candidatava e em que moldes

Como as restantes ações do Horizonte Europa, este tópico exigia consórcios transnacionais que reunissem empresas, fornecedores de tecnologia, universidades e centros de investigação de vários países. Para uma empresa industrial ou tecnológica portuguesa, o acesso passava por integrar um consórcio, contribuindo com um caso de uso industrial real, competência em software ou capacidade de demonstração em contexto produtivo.

Tratando-se de uma ação de inovação (IA), o cofinanciamento cobria tipicamente até 70% dos custos elegíveis para entidades com fins lucrativos e 100% para entidades sem fins lucrativos. É um perfil adequado a projetos mais próximos do mercado, em que se espera contrapartida das empresas participantes por estarem a captar valor comercial dos resultados.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Embora encerrada, esta chamada ilustra bem o tipo de apoio europeu de que a indústria transformadora nacional pode beneficiar. A digitalização de linhas e sistemas de produção é uma prioridade recorrente. Há sempre tópicos abertos com lógica próxima em cada programa de trabalho. Uma empresa com um caso de uso industrial concreto, sobretudo se envolver gémeos digitais, IA ou otimização de processos, tem argumentos fortes para entrar num consórcio.

O erro clássico das ações de inovação é subvalorizar a dimensão de adoção. Nestas chamadas não chega demonstrar que a ferramenta funciona em laboratório. É preciso provar que a indústria a vai usar, com um piloto real, indicadores de desempenho mensuráveis e um plano de disseminação para outros setores. Empresas portuguesas com um problema de produção bem caracterizado costumam ser parceiras valiosas precisamente porque trazem o ambiente de teste que o consórcio precisa.

Para quem procura apoios abertos de digitalização, vale cruzar esta linha com os tópicos de dados e IA mais recentes do Horizonte Europa e com os instrumentos nacionais de transformação digital e inovação produtiva.

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