O que é

Preparar a ciência antes de a missão voar

O tópico HORIZON-CL4-2025-02-SPACE-81 financia trabalho científico preparatório para uma futura missão de Gravimetria Quântica Espacial (QSG). A gravimetria mede, a partir do espaço, as variações do campo gravítico da Terra. Esses dados alimentam disciplinas como a hidrologia, a oceanografia, o estudo do degelo e a geofísica. Os sensores quânticos prometem um salto de desempenho e de estabilidade face às tecnologias atuais, mas esse salto só tem valor se a comunidade científica estiver pronta para usar a informação que eles produzem.

É exatamente esse o objetivo do tópico. Não financia a construção de um sensor nem o lançamento de um satélite. Financia a preparação do terreno: identificar os domínios das ciências da Terra que dependem da gravimetria espacial e que interessam a ambos os lados, desenvolver ou adaptar algoritmos de processamento e demonstrar, de forma concreta, os benefícios de medir o campo gravítico com sensores quânticos. O resultado esperado é um único projeto selecionado, capaz de articular esta agenda científica em torno de uma missão ainda por voar.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este é um tópico de investigação na sua forma mais pura. O financiamento serve para fazer ciência e disseminação, antes de existir um produto ou um serviço comercial. A maturidade visada, TRL 3, confirma-o: estamos no plano da prova de conceito, não da aplicação no mercado.

  • I&D e ciência: o projeto seleciona campos das ciências da Terra de interesse mútuo UE-Japão, desenvolve soluções algorítmicas inovadoras para explorar os dados QSG e discute o desempenho esperado da futura missão. É atividade de investigação e demonstração científica, financiável pelo Horizonte Europa apenas para os participantes da UE e dos países associados.
Quem pode aceder

Um consórcio com presença obrigatória do Japão

A condição que define este tópico é a cooperação internacional. Para atingir o resultado esperado, o consórcio tem de incluir pelo menos uma entidade legal estabelecida no Japão. A lógica de financiamento é assimétrica e deve ser entendida à partida: o Horizonte Europa financia apenas os cientistas da UE e dos países associados, enquanto os parceiros japoneses financiam as suas próprias atividades, esperando-se que o façam a um nível equivalente ao da contribuição europeia.

Na prática, isto significa que uma organização portuguesa de investigação, uma universidade ou uma empresa com competências em geodesia, processamento de sinal ou sensores quânticos pode integrar a candidatura, desde que exista do outro lado um parceiro japonês comprometido com a sua própria parte. Sem essa contraparte, a proposta não é elegível.

Condição crítica
A presença de uma entidade japonesa no consórcio é eliminatória, não opcional. O financiamento europeu cobre apenas a componente UE e associados. A parte japonesa traz o seu próprio orçamento, em pé de igualdade.
Condições específicas

O que distingue este aviso

  • Um único projeto financiado: a autoridade financiadora pode atribuir, no máximo, um projeto a este tópico. A concorrência é direta e a margem para várias abordagens em paralelo não existe.
  • Custos em montante fixo: o financiamento assume a forma de lump sum, com o orçamento detalhado a ser justificado segundo as regras do Horizonte Europa para esta modalidade.
  • Uso de Copernicus e Galileo: se o projeto recorrer a observação da Terra, posicionamento ou navegação por satélite, os beneficiários têm de usar os serviços europeus Copernicus e Galileo ou EGNOS, podendo complementar com outras fontes.
  • Proteção das redes de comunicação: aplicam-se restrições associadas à proteção das redes de comunicação europeias, que condicionam quem pode participar em certas componentes.
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um tópico de nicho, dirigido a quem trabalha na fronteira entre a metrologia quântica e as ciências da Terra. Para a maioria das empresas portuguesas não é um instrumento relevante. Para um grupo de investigação com posição reconhecida em geodesia espacial, processamento de dados gravimétricos ou sensores quânticos, é uma oportunidade rara de ancorar uma colaboração com o Japão a financiamento europeu.

A armadilha principal é tratar a cooperação com o Japão como uma formalidade. Não é. A proposta tem de demonstrar um parceiro japonês credível, com agenda científica própria e orçamento equivalente assegurado pelo seu lado. O segundo ponto de atenção é o realismo: com um único projeto a ser financiado e maturidade ao nível da prova de conceito, vence a equipa que articular melhor a relevância científica dos dados QSG e o seu valor para aplicações concretas das ciências da Terra. Como o aviso já se encontra fechado, o seu interesse hoje é sobretudo de preparação, antecipar o posicionamento para a próxima geração de tópicos espaciais do Horizonte Europa, onde a gravimetria quântica voltará a aparecer.

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