O que é este tópico
O tópico HORIZON-CL4-2026-04-DIGITAL-EMERGING-12 é uma Coordination and Support Action dedicada à normalização das tecnologias quânticas. O objetivo é apoiar e acelerar o desenvolvimento e a adoção de normas europeias e internacionais para o quântico, melhorando a interoperabilidade, a garantia de qualidade e a confiança nos sistemas e assegurando que as prioridades industriais e científicas europeias ficam bem representadas nas normas emergentes.
Ao contrário das ações de investigação, uma CSA não financia o desenvolvimento de tecnologia em si, mas a coordenação, o apoio e a estruturação de um domínio. Aqui, isso traduz-se em transformar resultados de projetos quânticos já financiados (no Horizonte Europa, no Programa Europa Digital e no EuroHPC) em especificações técnicas e normas concretas. Espera-se uma única proposta financiada.
Necessidades que este instrumento resolve
Sem normas comuns, cada laboratório e cada empresa constroem sistemas quânticos que não comunicam entre si e o mercado fragmenta-se. Este tópico resolve precisamente esse problema, ligando a fronteira da ciência ao trabalho menos visível mas decisivo da normalização.
- I&D e ciência: a ação parte dos roadmaps das organizações europeias de normalização e dos resultados de projetos quânticos financiados pela UE, convertendo conhecimento científico em normas pré-normativas e especificações técnicas em computação, comunicação e sensorização quântica.
- Digitalização e tecnologias de fronteira: o quântico é um dos pilares da soberania tecnológica europeia. O tópico promove interfaces, protocolos e metodologias de benchmarking padronizados, reduzindo barreiras técnicas e fragmentação no mercado destas tecnologias digitais avançadas.
Quem se pode candidatar
A proposta é apresentada por um consórcio, sendo as organizações europeias de normalização (CEN-CENELEC, ETSI) encorajadas a liderar ou a ser parceiras-chave. O consórcio deve articular comunidade científica, indústria de grande dimensão, PME e startups do setor quântico, de modo a garantir inclusividade e construção de consenso.
O que se espera dos projetos
A CSA deve coordenar e apoiar atividades de normalização em áreas como a computação, a comunicação, a sensorização e o controlo quânticos. Entre as atividades previstas:
- Elaboração de normas: redigir e desenvolver especificações técnicas em cooperação com organismos de normalização, em áreas como interfaces hardware-software, protocolos de sensorização e metrologia, além da modularidade de eletrónica de controlo.
- Participação internacional: permitir a participação alargada de stakeholders, sobretudo PME e startups, em organismos como ISO/IEC, ITU-T e ETSI, promovendo as prioridades europeias.
- Interoperabilidade e benchmarking: apoiar a integração de sistemas quânticos através da normalização de interfaces, protocolos e metodologias de avaliação de desempenho.
- Materiais de apoio: desenvolver guias, módulos de formação e boas práticas que facilitem a adoção e implementação das normas, além de workshops e consultas com a comunidade.
A proposta deve apresentar um plano claro de envolvimento de stakeholders, entregáveis e justificação orçamental, incluindo dias-pessoa por tarefa e taxas diárias. O financiamento assume a forma de montante fixo (lump sum).
O que recomendamos
A normalização não é o tema mais visível da agenda quântica, mas é onde se define quem fica com a vantagem competitiva quando a tecnologia amadurecer. Para uma PME ou startup quântica portuguesa, integrar este consórcio é menos uma fonte de receita imediata e mais um lugar à mesa onde se desenham as regras do mercado futuro. Quem ajuda a escrever a norma raramente fica em desvantagem perante quem só a tem de cumprir.
Sendo esperada uma única proposta financiada, a competição é intensa e o peso das organizações europeias de normalização é determinante. Recomendamos que empresas e centros de investigação interessados procurem cedo o contacto com consórcios em formação liderados por CEN-CENELEC ou ETSI, em vez de tentarem montar uma candidatura isolada. O valor para um parceiro mais pequeno está na contribuição técnica específica e na representação dos seus interesses nos organismos internacionais, não na liderança formal da ação.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]