O instrumento

O que e o MAT-PROD-03

O topico HORIZON-CL4-2027-01-MAT-PROD-03 e uma Research and Innovation Action do Cluster 4 (Indústria, Digital e Espaco) do programa Horizonte Europa, dedicada a desfabricacao (de-manufacturing) e refabricacao (re-manufacturing) ao nível da fabrica. A Comissão Europeia atribui 36 milhoes de euros a esta linha em 2027, com seis consorcios esperados e contribuicao individual entre 5 e 6,5 milhoes. O concurso abre em 22 de setembro de 2026 e a submissão decorre em fase única, com prazo final em 2 de fevereiro de 2027.

A racionalidade do topico ataca uma assimetria conhecida da indústria europeia. A Europa tem competencias industriais robustas em manufatura, mas o ecossistema de refabricacao, desmontagem ordenada de produtos, classificacao automatizada de componentes, retencao de funcionalidade e reintroducao em mercado, esta muito menos desenvolvido do que nos Estados Unidos ou Japao. Esta linha financia precisamente as tecnologias que tornam a refabricacao economicamente viavel a escala industrial e nao apenas operação artesanal.

A acao implementa a parceria europeia co-programada Made in Europe, a maior parceria industrial do Cluster 4 e principal interface entre Comissão e indústria europeia de manufatura. Esta articulacao significa que a SRIA da Made in Europe deve ser leitura obrigatoria antes da escrita da proposta, em particular as prioridades de circularidade industrial e human-centric manufacturing.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este topico cruza tres necessidades empresariais centrais para a indústria europeia que pretende avancar de circularidade declarativa para circularidade industrial real.

  • I&D e ciencia: a Research and Innovation Action arranca em TRL 4-5 e termina em TRL 6, com forte componente de investigação aplicada em sensorizacao multimodal, robotica colaborativa, end-effectors inteligentes, model-based systems e digital twins. Tipicamente envolve centros de I&D em manufatura, robotica e inteligencia artificial.
  • Investimento produtivo: as solucoes tem de ser demonstradas em fabricas reais, nao em laboratorio. Isto significa investimento em infraestruturas de demonstracao em parceiros industriais que acolhem as tecnologias de desfabricacao em paralelo com as suas linhas de manufatura primaria.
  • Sustentabilidade, energia e clima: a refabricacao e uma alavanca de descarbonização significativa para industrias com produtos de longa vida util (turbinas eolicas, aeronaves, navios, equipamentos industriais), reduzindo a pegada de carbono entre 50% e 80% em comparacao com a produção de novo.
Dotacao e tipologia

A engenharia financeira da chamada

36M EUR
Dotacao total 2027
6
Subvenções esperadas
5-6,5M EUR
Contribuicao por projeto

Sendo Research and Innovation Action, o cofinanciamento da UE e de 100% para todas as entidades, incluindo empresas com fins lucrativos. Esta caracteristica torna o topico particularmente atrativo para PME deep-tech sem capacidade de cofinanciamento próprio, ao contrario das Innovation Actions que limitam a 70% para entidades com fins lucrativos.

Os custos sao reembolsados em formato lump sum, em conformidade com a decisao da Comissão de 7 de julho de 2021. A combinacao de RIA com lump sum e nova no Cluster 4 (foi adotada generalizadamente apenas a partir de 2024) e exige rigor extra na fase de definição do plano de trabalho. Os work packages tem de ser desenhados para que cada milestone seja efetivamente verificavel.

Ambito técnico

O que as propostas tem de cobrir

A Comissão definiu cinco areas tecnologicas, das quais as propostas devem cobrir pelo menos tres. Esta exigencia explicita de cobertura multipla forca os consorcios a integrarem competencias diversas, com peso relativamente equilibrado entre elas.

  • Análise de condicao de pecas: tecnologias para analisar eficientemente o estado das pecas e suportar manutencao preditiva, incluindo para componentes refabricados de menor valor, combinando dados sensoriais multimodais, IA e inputs humanos.
  • Robotica e IA na desfabricacao: tecnologias roboticas e de IA para desmontar produtos e componentes, incluindo end-effectors inovadores, sistemas de manuseio, classificacao e logistica avancada para fluxos variaveis.
  • Model-based systems e digital twins: sistemas que permitam aos operadores de desfabricacao e refabricacao usar dados CAD e digital twins relacionados com pecas originais, contribuindo para um ecossistema digital industrial.
  • Solucoes de reparacao on-site: tecnologias que permitam reparacao ou refabricacao local de componentes de elevado valor acrescentado, aplicadas a turbinas eolicas, aeronaves e navios.
  • Planeamento sequencial de operações: sistemas que permitam planear a sequencia de operações com base nas caracteristicas variaveis dos produtos a refabricar.
Cobertura mínima de tres areas
A exigencia de cobrir pelo menos tres das cinco areas e um requisito de admissibilidade frequentemente subestimado. Propostas focadas em duas areas, ainda que tecnicamente excelentes, sao penalizadas na fase Excellence pela ausencia de abrangencia. O desenho do consorcio deve, portanto, antecipar quais as tres areas mais defensaveis em termos de competencia conjunta e nao tentar cobrir todas as cinco com profundidade limitada em cada uma.
Quem se candidata

Para que tipo de empresa portuguesa

A Open Capital identifica tres perfis com encaixe natural em Portugal. Primeiro, integradores industriais com competencia comprovada em automacao, robotica e digitalização da fabrica, capazes de assumir o papel de WP leader em tecnologias roboticas ou model-based. Segundo, OEMs portugueses em setores com alto valor de refabricacao (mobilidade, aeronautica, equipamentos industriais, energia), que oferecem casos de uso reais e ambientes de demonstracao. Terceiro, PMEs deep-tech especializadas em sensorizacao avancada, IA aplicada a manufatura ou digital twins, que podem entrar como tecnologia diferenciadora.

Os centros de interface portugueses com competencia em manufatura avancada (INESC TEC, INEGI, IPN, CCG) sao parceiros estrategicos e tem histórico solido em consorcios da Made in Europe. A vantagem comparativa de Portugal nesta area esta na conjugacao entre engenharia robusta a custo competitivo e setores industriais nicho com necessidade real de refabricacao (manutencao aeronautica, indutria automovel de componentes, energia eolica offshore).

Calendario

Datas-chave

MarcoDataO que significa
Abertura22 de setembro de 2026Submissão no Funding & Tenders Portal abre
SubmissãoAte 2 de fevereiro de 2027Modelo single-stage
AvaliaçãoQ1-Q2 2027Comites independentes Excellence, Impact, Implementation
Acordo de subvençãoQ3-Q4 2027Indicativo conforme Anexo F das General Annexes
Inicio dos projetosFinal 2027Tipicamente 36 a 48 meses
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Esta e, na nossa leitura, uma das chamadas mais promissoras de toda a oferta CL4-2027 para o tecido industrial portugues, por uma razao especifica, o cofinanciamento de 100% mesmo para empresas com fins lucrativos abre porta a participacao de PMEs deep-tech sem a tipica restricao de cofinanciamento de 30% que penaliza Innovation Actions equivalentes. Quem tem tecnologia diferenciadora em sensorizacao, IA aplicada a manufatura ou robotica para desmontagem deve considerar seriamente esta linha como porta de entrada europeia.

Tres alertas praticos. Primeiro, a exigencia de pelo menos tres das cinco areas tecnologicas obriga a um consorcio efetivamente multidisciplinar. Tentar abranger as cinco com superficialidade tipicamente conduz a propostas fracas em Excellence. Segundo, a forte expectativa de demonstracao em ambiente industrial real (digital twins de pecas reais, refabricacao on-site de componentes de alto valor) significa que o consorcio tem de incluir um OEM com produtos efetivamente refabricaveis, nao apenas centros de I&D ou integradores tecnologicos. Terceiro, o lump sum em RIA exige cuidado redobrado no dimensionamento dos work packages e dos custos. O regime e novo no contexto RIA do CL4 e a margem para correcao em fase de execução e estreita.

Para Portugal, a recomendacao tatica e dupla. Para PMEs e centros de I&D, procurar entrada como WP leader em areas tecnologicas especificas (sensorizacao, IA, planeamento) onde a competicao europeia esta menos saturada. Para OEMs, considerar o papel de utilizador final, fornecendo casos de uso reais e ambiente de demonstracao, em troca de transferencia de conhecimento sobre as tecnologias desenvolvidas. Em qualquer dos casos, o pre-posicionamento via Made in Europe e essencial para garantir visibilidade junto dos consorcios que se estao a formar.

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