O que é

Um topico RIA para fechar o ciclo dos materiais avançados

O HORIZON-CL4-2027-01-MAT-PROD-06 é um topico do programa Horizon Europe, integrado no Cluster 4 (Digital, Indústria e Espaço) e na call HORIZON-CL4-2027-01 (INDUSTRY) do Work Programme 2026-2027. É financiado sob o instrumento HORIZON-RIA, ou seja, ações de investigação e inovação que cobrem ate 100% dos custos elegíveis e privilegiam a geração de novo conhecimento aplicado em consorcios europeus.

A dotação prevista para 2027 é de 36 milhoes de euros, distribuídos por sete projetos esperados, cada um entre 5 e 6,5 milhoes de euros. Os trabalhos arrancam tipicamente em TRL 4-5 e devem alcançar TRL 6 no final, ou seja, validação em ambiente relevante. O topico implementa simultaneamente as parcerias europeias co-programadas Innovative Advanced Materials for the EU (IAM4EU) e Made in Europe (MiE), o que reforça a expectativa de envolvimento industrial substancial nos consorcios.

O foco material é específico: polimeros e compositos reciclaveis, imanes e ligas metalicas para fabrico aditivo. O eixo de aplicação está restrito a duas cadeias de valor estratégicas: energia e construção. A Comissão usará uma abordagem de portfolio para garantir que pelo menos um projeto de cada uma destas cadeias é financiado, mesmo que o ranking puro favoreça uma delas.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Este topico cobre simultaneamente três necessidades empresariais distintas: investigação aplicada com orçamento substancial, integração industrial de materiais sustentaveis e capacidade de demonstração em escala próxima da pré-comercial. Para uma empresa portuguesa que opere em compositos, polimeros técnicos, ligas metalicas ou fabrico aditivo, o cruzamento destas três dimensoes é raro num so instrumento.

  • I&D e ciência: o topico financia investigação e desenvolvimento de novos materiais avançados desenhados para circularidade, incluindo desenvolvimento de processos de recuperação, reciclagem e valorização em fim de vida. Adequa-se a centros de investigação, departamentos de I&D corporativos e empresas com equipa técnica capaz de operar em TRL 4-6.
  • Sustentabilidade, energia e clima: o eixo de circularidade é central, com referência explicita ao framework Safe and Sustainable by Design (SSbD) da Comissão. Projetos que reduzam a dependência de matérias-primas críticas, prolonguem a vida útil de componentes ou reduzam a pegada material das cadeias de energia e construção têm aqui um veículo natural.
  • Investimento produtivo: apesar de RIA, o topico exige integração nas instalações de fabrico industrial e demonstração da adopção pelo setor, com modelos de negocio circulares que considerem custo de mudança ao longo do ciclo de vida. O envolvimento industrial não é decorativo, é critério de avaliação.
Foco material

Famílias de materiais cobertas

O scope do topico não é generalista. Privilegia explicitamente três famílias de materiais com relevância estratégica para a autonomia industrial europeia:

  • Polimeros e compositos reciclaveis: novos polimeros desenhados para reciclabilidade, compositos com matriz e reforços recuperaveis, processos escalaveis de despolimerização e revalorização.
  • Imanes: alternativas a imanes de terras raras criticas, imanes recuperaveis e reciclaveis para motores eletricos, geradores eolicos e atuadores industriais.
  • Ligas metalicas para fabrico aditivo: ligas otimizadas para impressão 3D em metal, com circularidade desde a produção do po até a recuperação de pecas em fim de vida.

As propostas devem cobrir o ciclo completo de inovação: desenho para circularidade, integração funcional, desenvolvimento e scale-up, recuperação e reciclagem em fim de vida, demonstração de absorção industrial e integração em produtos finais. A natureza transformadora deve ser provada através de demonstradores e casos de uso industriais.

Cadeias de valor elegíveis

Energia e construção, com regra de portfolio

O topico restringe a aplicação a duas cadeias estratégicas. Cada proposta deve declarar a sua área principal: energia ou construção. A Comissão garantira pelo menos um projeto financiado de cada area, desde que ambos atinjam os limiares mínimos de avaliação.

CadeiaExemplos de aplicaçãoMateriais alvo
EnergiaComponentes de turbinas eolicas, modulos fotovoltaicos, baterias, sistemas de armazenamentoImanes para geradores, ligas para estruturas, polimeros para encapsulamento
ConstruçãoMateriais estruturais, isolamento, sistemas de fachada, componentes pré-fabricadosCompositos reciclaveis, ligas para conectores, polimeros técnicos circulares

Esta segmentação tem implicação prática: um consorcio com competências exclusivamente em construção não compete diretamente com um focado em energia, o que altera a leitura do espaço competitivo face a outros topicos sem regra de portfolio.

Regras horizontais

SSbD, dados FAIR e Materials Commons

O Safe and Sustainable by Design (SSbD) é o framework de referência da Comissão para avaliar a segurança e sustentabilidade de novos materiais. As propostas devem alinhar o processo de inovação com este framework e podem ter de partilhar dados gerados com a Common Data Platform for Chemicals.

Os dados produzidos devem seguir os princípios FAIR (Findable, Accessible, Interoperable, Reusable) e ser interoperaveis ao longo das cadeias de valor. O uso de ferramentas digitais avançadas, incluindo IA e abordagens orientadas por dados, é incentivado em todo o ciclo de inovação. O Materials Commons for Europe é referência explicita: projetos devem procurar sinergias e contribuir para esta plataforma comum europeia de materiais.

Plano de exploração obrigatorio
As propostas devem incluir business case e estratégia de exploração. O limite de paginas da Parte B é excecionalmente alargado em 3 paginas para acomodar este conteudo. Sinal claro de que a Comissão espera que os consorcios pensem o resultado economico desde o desenho da candidatura, não apenas a publicação científica.
Estrutura financeira

Lump sum, 36 milhoes para sete projetos

36M EUR
Dotação 2027
7
Projetos esperados
5a 6,5M
Por projeto
100%
Taxa de cofinanciamento

Os custos elegíveis assumem a forma de lump sum (montante fixo), nos termos da decisão de 7 de julho de 2021 que autoriza o uso de contribuições por montantes globais ao abrigo do Horizon Europe. Esta modalidade simplifica a justificação de despesas (não exige demonstração de custos reais por linha) mas exige planeamento orçamental rigoroso na fase de candidatura, porque o pagamento esta indexado ao cumprimento de pacotes de trabalho, não a custos incorridos.

A taxa de financiamento é de 100% dos custos elegíveis para todas as entidades participantes, regra padrão das ações RIA. A autoridade de financiamento pode opor-se, ate quatro anos apos o fim do projeto, a transferência de propriedade ou licenciamento exclusivo de resultados, regra que protege a propriedade intelectual gerada com fundos europeus.

Calendario

Janela de submissão

MarcoData
Abertura prevista22 de setembro de 2026
Deadline submissão2 de fevereiro de 2027
ModeloSingle-stage (proposta única completa)
AvaliaçãoIndicativa, ate 5 meses apos deadline
Assinatura GAIndicativa, ate 8 meses apos deadline

Single-stage significa que toda a proposta técnica e financeira é submetida de uma so vez, sem fase de manifestação de interesse. O tempo util para preparar uma candidatura sólida é de cerca de quatro meses entre abertura e deadline. Equipas que pretendam competir devem começar a montar consorcio e a explorar Materials Commons ja no terceiro trimestre de 2026.

Para que tipo de empresa

Quem se enquadra

O topico não restringe formalmente o tipo de entidade beneficiaria, mas o perfil tipico de consorcio vencedor combina elementos académicos e industriais com perfil materialmente complementar:

  • Centros de I&D e universidades com track-record em materiais avançados, fabrico aditivo, polimeros, metalurgia ou compositos. Em Portugal, INL, INEGI, ISQ, INESC TEC, IPN e LNEG são candidatos naturais.
  • Empresas industriais nas cadeias de valor da energia ou construção, com capacidade de absorver e demonstrar a tecnologia em ambiente produtivo. Inclui produtores de componentes para eolico, fotovoltaico, modulos pré-fabricados, sistemas estruturais.
  • Fornecedores de materiais e equipamentos capazes de escalar o processo desde o protótipo laboratorial ate a linha pré-industrial.
  • PME com tecnologia diferenciadora em reciclagem, recuperação de polimeros, imanes ou metais. Em particular spin-offs e startups deep tech do ecossistema português podem candidatar-se como parceiros tecnológicos.

A composição do consorcio deve respeitar as regras gerais do Horizon Europe: mínimo de três entidades juridicas independentes de três Estados-Membros ou paises associados diferentes. Para topicos desta dimensão, consorcios vencedores tipicamente envolvem entre 8 e 14 parceiros.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este topico é estrategicamente atrativo para entidades portuguesas com tecnologia em compositos, ligas metalicas, fabrico aditivo ou polimeros, mas a barreira de entrada não esta no mérito técnico, esta na construção do consorcio. Sete projetos para todo o espaço europeu é um número apertado e a competição vem de organizações como Fraunhofer, CEA, TNO ou VTT, com equipas dedicadas a Horizon que escrevem propostas em paralelo.

A nossa recomendação para empresas e centros portugueses é triplice. Primeiro, identificar nicho diferenciador: não competir em "novos polimeros", mas em "polimeros com aplicação especifica em encapsulamento de modulos fotovoltaicos com circularidade demonstrada". A regra de portfolio energia versus construção pode ser aproveitada se a proposta se posicionar claramente numa cadeia onde a concorrência seja menos densa. Segundo, integrar consorcios ja em formação liderados por industriais europeus em vez de tentar liderar de raiz, especialmente em primeira candidatura. Terceiro, mobilizar cedo o Ponto Nacional de Contacto (NCP) Cluster 4 e usar a rede Enterprise Europe Network para encontrar parceiros qualificados.

Para projetos que combinem investigação avançada com clara via de mercado em energia ou construção, este topico é uma das poucas oportunidades de financiamento na escala dos 5 a 6,5 milhoes de euros sem cofinanciamento privado obrigatorio. Vale a candidatura mesmo com baixa taxa de sucesso historica em RIA materiais (tipicamente abaixo de 15%), porque o retorno em IP, demonstradores e posicionamento europeu é substancial. Quem não estiver preparado para abrir consorcio em julho de 2026 dificilmente consegue submeter uma proposta competitiva em fevereiro de 2027.

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