Instrumento

O que é o tópico BIODIV-03

O HORIZON-CL6-2027-01-BIODIV-03, "Technical innovation to protect ecosystems and to scale up their restoration", é uma ação de inovação do Cluster 6 do Horizonte Europa, o cluster dedicado à alimentação, bioeconomia, recursos naturais, agricultura e ambiente. O objetivo é claro: dotar quem trabalha no terreno de ferramentas técnicas concebidas de propósito para proteger e restaurar ecossistemas.

Hoje, a maioria das intervenções de restauro depende de máquinas e equipamento agrícola adaptados, que nem sempre são eficazes. Falta material dedicado a tarefas específicas, da remoção de espécies invasoras e das suas sementes à proteção temporária de plantas. Este tópico procura preencher essa lacuna, num momento em que a legislação europeia entrou em fase de implementação. O Regulamento da UE sobre Restauro da Natureza obriga os Estados-Membros a aplicar medidas de restauro que cubram, no mínimo, 20% das áreas terrestres e 20% das áreas marinhas até 2030 e todos os ecossistemas que dele necessitem até 2050.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

Trata-se de um tópico de inovação aplicada à restauração da natureza, o que explica a sua posição na biblioteca e o cruzamento de duas necessidades concretas.

  • Sustentabilidade, energia e clima: o financiamento serve diretamente os objetivos de biodiversidade e de adaptação climática da UE, ao tornar as atividades de proteção e restauro de ecossistemas mais simples e eficazes, com benefícios para os serviços dos ecossistemas, incluindo a mitigação e a adaptação às alterações climáticas.
  • I&D e ciência: o apoio cobre a conceção, o desenvolvimento e o teste de inovações técnicas correspondentes a necessidades identificadas, sejam máquinas novas ou adaptadas, soluções de baixa tecnologia, inovações digitais ou combinações destas, aplicáveis a ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos.
Âmbito

O que os projetos têm de fazer

As propostas devem conceber, desenvolver e testar inovações técnicas que respondam a necessidades concretas de atividades de proteção e restauro para ecossistemas específicos. O leque de soluções possíveis é amplo e a avaliação não premeia apenas a novidade. Os projetos devem dar atenção à eficácia, à simplicidade de utilização, à durabilidade e à sustentabilidade ambiental das soluções, incluindo a vigilância sobre riscos, compromissos e consequências não intencionais do uso de inovações tecnológicas.

As propostas devem ainda prever recursos para cooperar de perto com o Centro de Conhecimento para a Biodiversidade da Comissão Europeia e o seu Science Service. As atividades devem atingir um nível de maturidade tecnológica de TRL 6 a 7 no final do projeto, ou seja, soluções demonstradas em ambiente relevante, ainda numa fase anterior à plena entrada no mercado.

Tipo de ação e relevância para PME
É uma ação de inovação do Horizonte Europa, financiada por montante fixo (lump sum). As entidades com fins lucrativos recebem em regra 70% dos custos elegíveis e as entidades sem fins lucrativos 100%. O texto do tópico assinala que é particularmente relevante para PME, o que abre espaço a empresas tecnológicas com soluções de campo perto da demonstração.
Para que tipo de organização

Quem deve olhar para este tópico

O tópico dirige-se a PME e empresas tecnológicas que desenvolvam equipamento, máquinas, sensores ou ferramentas digitais para gestão e restauro de habitats e a centros tecnológicos, universidades e entidades de gestão de áreas protegidas que possam validar essas soluções no terreno. Para uma empresa portuguesa com tecnologia aplicável à remoção de invasoras, à monitorização de habitats ou à intervenção em zonas húmidas, costeiras ou florestais, este é um dos poucos tópicos do Horizonte Europa centrado no instrumento técnico de restauro e não apenas na investigação ecológica.

Como o leque de ecossistemas elegíveis é vasto, terrestres, de água doce e marinhos, a participação faz mais sentido quando a tecnologia resolve uma necessidade clara e mensurável de uma atividade de restauro concreta, em articulação com quem gere o território.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Com um TRL alvo de 6 a 7 e um foco explícito na eficácia e na utilidade prática, este tópico procura soluções próximas da utilização real, não conceitos de laboratório. O avaliador vai valorizar a evidência de que a inovação responde a uma necessidade identificada de restauro, com atenção à durabilidade, à facilidade de uso e à ausência de efeitos secundários sobre o ambiente. Uma proposta forte ancora-se num caso de demonstração concreto e numa parceria com quem gere ecossistemas no terreno.

Para uma PME tecnológica, a sinalização de que o tópico é particularmente relevante para PME é um convite a liderar ou a integrar um consórcio que combine desenvolvimento técnico, validação ecológica e ligação ao Centro de Conhecimento para a Biodiversidade. A abertura está prevista para 20 de abril de 2027 e o prazo é 22 de setembro de 2027, o que dá margem para estruturar a parceria. A Open Capital pode ajudar a avaliar o enquadramento e a posicionar a participação.

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