Instrumento

O que é o tópico TRANSFO-01

O HORIZON-CL2-2027-01-TRANSFO-01 estuda o impacto do acesso a ambientes naturais positivos na promoção da coesão social e na redução das desigualdades em contextos urbanos e periurbanos. É uma ação de investigação do Cluster 2 do Horizonte Europa, que cruza dois domínios que costumam ser tratados em separado: a qualidade dos espaços verdes e azuis das cidades e o tecido social das comunidades que os usam, ou que deles estão privadas.

A premissa de partida é apoiada por evidência: as comunidades mais desfavorecidas têm espaços verdes e azuis em menor número e de pior qualidade. O que se sabe menos é através de que mecanismos o acesso a espaços de natureza reforça identidades culturais, coesão e resiliência, sobretudo em comunidades de menor rendimento e ao longo das gerações. O tópico procura preencher essa lacuna, tendo em conta as metas de restauro de ecossistemas urbanos do Regulamento da UE sobre Restauro da Natureza.

Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

É um tópico de investigação no cruzamento entre ambiente e sociedade, o que explica as três necessidades que cobre na biblioteca.

  • Impacto social e inclusão: o objetivo central é gerar evidência sobre se a falta de acesso a espaços verdes e azuis de qualidade agrava desigualdades existentes, como a pobreza e a marginalização e sobre como a gestão inclusiva destes espaços fomenta a coesão e o bem-estar das comunidades.
  • Sustentabilidade, energia e clima: a investigação liga-se às transições para comunidades resilientes ao clima, numa perspetiva de adaptação e de biodiversidade e integra a dimensão distributiva do acesso à natureza no planeamento territorial.
  • I&D e ciência: o financiamento cobre o desenvolvimento de estratégias e soluções para quantificar e integrar valores não-mercantis nas decisões de uso do solo e de desenvolvimento urbano, com abordagens interdisciplinares das ciências sociais e humanas.
Âmbito e dotação

O que os projetos têm de fazer

As propostas devem explorar e compreender melhor a relação entre o acesso a espaços verdes e azuis de qualidade e a justiça social e ambiental, a coesão comunitária e o tecido social. Podem também analisar como apoiar transições justas para comunidades resilientes ao clima. O conceito de acesso deve ir além da distância física: importa considerar o estado de degradação dos espaços públicos, a privatização e as barreiras culturais, sociais e económicas.

Entre as direções possíveis estão os impactos ao nível da comunidade de iniciativas que introduzem espaços verdes e azuis, o papel de projetos de base comunitária como hortas urbanas, conservação da natureza e soluções baseadas na natureza no reforço da identidade e do bem-estar e o contributo dos espaços naturais para a mitigação das desigualdades de exposição à poluição. As propostas devem adotar uma abordagem sensível ao género e intersecional, identificando os fatores estruturais que geram as disparidades de acesso.

12M€
Dotação do tópico
3
Projetos previstos
3 a 4M€
Por projeto
Tipo de ação e financiamento
Ação de investigação e inovação do Horizonte Europa, financiada por montante fixo (lump sum), com taxa de financiamento, em regra, de 100% dos custos elegíveis. É incentivada a participação de cidades signatárias do Green City Accord e o envolvimento de organizações da sociedade civil no desenho das ações.
Para que tipo de organização

Quem deve olhar para este tópico

O tópico dirige-se a universidades e centros de investigação em ciências sociais, planeamento urbano e ambiente, a autarquias e entidades de gestão do território e a organizações da sociedade civil ligadas à inclusão e à natureza urbana. Valoriza equipas capazes de combinar sociologia, antropologia, direito, filosofia ambiental e ciência de sistemas e de trabalhar com comunidades concretas.

Para entidades portuguesas, o ângulo é pertinente nas áreas metropolitanas e nas cidades de média dimensão, onde a desigualdade no acesso a espaços verdes de qualidade é visível. A participação faz mais sentido integrada num consórcio europeu que reúna investigação, autarquias e sociedade civil, idealmente com cidades aderentes ao Green City Accord.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este é um tópico de investigação a fundo perdido com financiamento integral, mas claramente orientado para a evidência aplicável a políticas. O avaliador vai procurar uma abordagem interdisciplinar genuína e sensível ao género, com mecanismos concretos para envolver as comunidades e não um estudo distante do terreno. As propostas mais fortes ligam a análise das desigualdades de acesso a recomendações utilizáveis no planeamento territorial.

Com três projetos previstos e uma dotação de doze milhões de euros, a seletividade é elevada e recompensa consórcios que tragam casos urbanos reais e parcerias com autarquias. A abertura está prevista para 13 de maio de 2027 e o prazo é 23 de setembro de 2027, o que dá tempo para alinhar os parceiros locais. A Open Capital pode ajudar a avaliar o enquadramento e a estruturar a participação.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]