O que e o Hop-On Facility

Uma porta lateral para entrar em projetos europeus em curso

O Hop-On Facility e um mecanismo único no panorama do Horizonte Europa. Ao contrario das calls tradicionais, que financiam novos consorcios a partir do zero, o Hop-On permite que uma entidade de um pais Widening (Portugal incluido) se junte a um projeto que ja esta em execução sob o Pilar 2 ou sob o EIC Pathfinder, acrescentando uma tarefa especifica ou um work package adicional. O orcamento da entidade entrante e financiado pela Comissão como top-up, ou seja, dinheiro novo que se soma ao projeto sem o reduzir.

A logica do instrumento responde a um problema estrutural do programa-quadro europeu: o desequilibrio na taxa de captacao de fundos entre estados-membros do Norte e Centro da Europa, que captam a maior fatia e estados-membros do Sul, do Leste e Outermost Regions, que tradicionalmente captam menos. O Widening Programme do Horizonte Europa criou varios mecanismos para reduzir este gap (ERA Chairs, Twinning, Teaming) e o Hop-On e o mais agil de todos eles, porque nao exige construcao de novo consorcio nem aprovacao de um projeto novo.

Pais Widening: Portugal
Portugal e um dos paises classificados como Widening pelo Horizonte Europa. Esta classificacao torna entidades portuguesas elegiveis para todos os instrumentos do Widening Programme, incluindo o Hop-On. Outros paises Widening incluem Espanha (apenas regioes selecionadas), Italia (regioes Sul), Grecia, Polonia, Republica Checa, Hungria, Bulgaria, Romania e os estados balticos.
Para que serve

Necessidades que este instrumento resolve

O Hop-On Facility responde a uma necessidade especifica para entidades portuguesas que nao conseguiram entrar nos consorcios originais de calls competitivas. Em vez de esperar pelo proximo ciclo de chamadas, ganha-se acesso imediato a um projeto ja em execução.

  • Investigação e ciencia: a entidade portuguesa entra num projeto que ja tem hipoteses cientificas formuladas, work packages aprovados e equipa internacional consolidada. A tarefa adicional permite explorar uma vertente onde a entidade tem expertise especifica, sem ter de construir um projeto inteiro.
  • Internacionalização: o Hop-On e provavelmente o caminho mais rapido para construir presenca europeia em projetos de topo. Em vez de meses a coordenar uma proposta nova com 8 a 15 parceiros, o Hop-On permite, num único ano, integrar um consorcio existente, ganhar reputacao internacional e abrir caminho para chamadas futuras como parceiro de pleno direito.
Como funciona

A logica de adesao a um projeto em curso

O Hop-On nao funciona como uma chamada onde se submete uma ideia de raiz. Funciona como uma alteracao a um projeto existente. A entidade portuguesa identifica primeiro um projeto Pilar 2 ou EIC Pathfinder em execução onde possa contribuir, contacta o coordinador, alinha uma proposta de tarefa adicional e depois o consorcio submete em conjunto a alteracao ao Hop-On Facility.

30M EUR
Orcamento total
100%
Top-up (sem redução)
2026
Aberto desde 13 janeiro

A alteracao do Grant Agreement e o instrumento juridico que formaliza a adesao da entidade portuguesa. O coordinador continua a ser o coordinador original e a entidade portuguesa entra como parceiro adicional. As tarefas e responsabilidades estao definidas num Annex técnico submetido em conjunto pela entidade entrante e pelo consorcio.

Elegibilidade

Que entidades e que projetos sao elegiveis

A elegibilidade tem duas dimensoes simultaneas: a entidade entrante tem de ser elegivel e o projeto onde quer entrar tambem.

  • Entidade entrante: tem de estar estabelecida num pais Widening (Portugal qualifica integralmente) e nao pode ser parceiro original do projeto onde quer aderir. Inclui universidades, centros de investigação, empresas (grandes e PME), entidades públicas e organizações da sociedade civil.
  • Projeto-alvo: tem de ser um projeto em execução (nao concluido) sob Pilar 2 do Horizonte Europa (Cluster 1 a 6, incluindo todas as Missions) ou sob EIC Pathfinder (open ou challenges). Projetos do Pilar 1 (ERC, MSCA, Research Infrastructures), do EIC Accelerator ou do Pilar 3 nao sao elegiveis.
  • Tarefa relevante: a tarefa proposta tem de ter relacao directa com os objetivos cientificos do projeto e tem de ser executavel dentro do prazo restante. Tarefas marginais ou desligadas dos work packages existentes sao tipicamente rejeitadas.
Restricao critica
A entidade portuguesa nao pode propor uma tarefa que altere o objetivo central do projeto. O Hop-On e um instrumento de complementaridade, nao de redirecionamento. Tarefas tipicamente bem aceites sao análises adicionais com metodologia especifica, validacao em casos de estudo portugueses, integração de dataset adicional, ou colaboracao em deliverables que beneficiam de expertise complementar.
Vantagens estrategicas

Porque o Hop-On e atrativo

O Hop-On Facility tem caracteristicas que o tornam particularmente atrativo para entidades portuguesas a construir presenca europeia. Tres delas merecem destaque.

  • Velocidade: ciclo de submissão a aprovacao tipicamente entre 4 a 6 meses, contra 12 a 18 meses de uma proposta nova. A entidade pode estar em execução no ano seguinte.
  • Risco baixo: o projeto-alvo ja foi aprovado em concurso competitivo. A entidade entrante junta-se a algo que ja passou crivo científico, em vez de assumir o risco de uma proposta nova.
  • Aprendizagem aplicada: a integração num consorcio europeu maduro permite aprender, na prática, gestão de projetos europeus, governance de consorcio, processos de reporte a EU, qualidade técnica esperada. Esta aprendizagem e activo intangivel para futuras chamadas como coordinador.
Desafios praticos

O que pode correr mal

Apesar da agilidade do mecanismo, o Hop-On nao e isento de desafios. O primeiro e identificar projetos em execução onde se pode efectivamente contribuir. A base de dados CORDIS tem todos os projetos financiados, mas filtrar os que estao em execução, na area certa e onde a entidade tem proposta de valor real, exige trabalho preparatorio. O segundo desafio e ganhar a adesao do coordinador. Coordinadores ocupados por vezes resistem a integrar um parceiro novo a meio do projeto, mesmo que o orcamento adicional seja top-up. A relacao previa, ou pelo menos a credibilidade da entidade entrante na area científica, pesam significativamente.

Um terceiro desafio e a integração operacional. Entrar a meio de um projeto exige absorver rapidamente a documentacao, os deliverables ja produzidos, as expectativas dos avaliadores externos da Comissão e o ritmo do consorcio. Entidades sem experiencia previa em projetos Horizonte Europa podem ter dificuldade em manter o passo no inicio.

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O que recomendamos

O Hop-On Facility e uma das oportunidades mais subaproveitadas do Horizonte Europa para entidades portuguesas. A maioria das organizações investe muito tempo em construir propostas competitivas para chamadas tradicionais e ignora este mecanismo lateral que tem taxa de aprovacao mais alta e ciclo significativamente mais curto.

Para universidades e centros de investigação portugueses, recomendamos uma logica dupla: continuar a candidatar a chamadas tradicionais, mas paralelamente mapear projetos em execução no CORDIS onde possam contribuir e abordar coordinadores. Para PMEs portuguesas com tecnologia ou expertise validada, o Hop-On em projetos do Pilar 2 (Indústria, Saúde, Mobilidade, Energia) pode ser o caminho mais rapido para entrar no ecossistema europeu.

Tres notas finais. Primeiro, o Hop-On nao e instrumento para fazer ciencia exploratoria; e instrumento para aplicar expertise existente a um contexto que ja existe. Segundo, o trabalho preparatorio (mapeamento de projetos, conversa com coordinadores) tem de comecar pelo menos seis meses antes do prazo. Terceiro, a entidade que faz Hop-On uma vez tipicamente faz mais vezes; a relacao com o consorcio gerador transforma-se em base para futuras candidaturas conjuntas como parceiro de pleno direito.

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