Uma porta lateral para entrar em projetos europeus em curso
O Hop-On Facility e um mecanismo único no panorama do Horizonte Europa. Ao contrario das calls tradicionais, que financiam novos consorcios a partir do zero, o Hop-On permite que uma entidade de um pais Widening (Portugal incluido) se junte a um projeto que ja esta em execução sob o Pilar 2 ou sob o EIC Pathfinder, acrescentando uma tarefa especifica ou um work package adicional. O orcamento da entidade entrante e financiado pela Comissão como top-up, ou seja, dinheiro novo que se soma ao projeto sem o reduzir.
A logica do instrumento responde a um problema estrutural do programa-quadro europeu: o desequilibrio na taxa de captacao de fundos entre estados-membros do Norte e Centro da Europa, que captam a maior fatia e estados-membros do Sul, do Leste e Outermost Regions, que tradicionalmente captam menos. O Widening Programme do Horizonte Europa criou varios mecanismos para reduzir este gap (ERA Chairs, Twinning, Teaming) e o Hop-On e o mais agil de todos eles, porque nao exige construcao de novo consorcio nem aprovacao de um projeto novo.
Necessidades que este instrumento resolve
O Hop-On Facility responde a uma necessidade especifica para entidades portuguesas que nao conseguiram entrar nos consorcios originais de calls competitivas. Em vez de esperar pelo proximo ciclo de chamadas, ganha-se acesso imediato a um projeto ja em execução.
- Investigação e ciencia: a entidade portuguesa entra num projeto que ja tem hipoteses cientificas formuladas, work packages aprovados e equipa internacional consolidada. A tarefa adicional permite explorar uma vertente onde a entidade tem expertise especifica, sem ter de construir um projeto inteiro.
- Internacionalização: o Hop-On e provavelmente o caminho mais rapido para construir presenca europeia em projetos de topo. Em vez de meses a coordenar uma proposta nova com 8 a 15 parceiros, o Hop-On permite, num único ano, integrar um consorcio existente, ganhar reputacao internacional e abrir caminho para chamadas futuras como parceiro de pleno direito.
A logica de adesao a um projeto em curso
O Hop-On nao funciona como uma chamada onde se submete uma ideia de raiz. Funciona como uma alteracao a um projeto existente. A entidade portuguesa identifica primeiro um projeto Pilar 2 ou EIC Pathfinder em execução onde possa contribuir, contacta o coordinador, alinha uma proposta de tarefa adicional e depois o consorcio submete em conjunto a alteracao ao Hop-On Facility.
A alteracao do Grant Agreement e o instrumento juridico que formaliza a adesao da entidade portuguesa. O coordinador continua a ser o coordinador original e a entidade portuguesa entra como parceiro adicional. As tarefas e responsabilidades estao definidas num Annex técnico submetido em conjunto pela entidade entrante e pelo consorcio.
Que entidades e que projetos sao elegiveis
A elegibilidade tem duas dimensoes simultaneas: a entidade entrante tem de ser elegivel e o projeto onde quer entrar tambem.
- Entidade entrante: tem de estar estabelecida num pais Widening (Portugal qualifica integralmente) e nao pode ser parceiro original do projeto onde quer aderir. Inclui universidades, centros de investigação, empresas (grandes e PME), entidades públicas e organizações da sociedade civil.
- Projeto-alvo: tem de ser um projeto em execução (nao concluido) sob Pilar 2 do Horizonte Europa (Cluster 1 a 6, incluindo todas as Missions) ou sob EIC Pathfinder (open ou challenges). Projetos do Pilar 1 (ERC, MSCA, Research Infrastructures), do EIC Accelerator ou do Pilar 3 nao sao elegiveis.
- Tarefa relevante: a tarefa proposta tem de ter relacao directa com os objetivos cientificos do projeto e tem de ser executavel dentro do prazo restante. Tarefas marginais ou desligadas dos work packages existentes sao tipicamente rejeitadas.
Porque o Hop-On e atrativo
O Hop-On Facility tem caracteristicas que o tornam particularmente atrativo para entidades portuguesas a construir presenca europeia. Tres delas merecem destaque.
- Velocidade: ciclo de submissão a aprovacao tipicamente entre 4 a 6 meses, contra 12 a 18 meses de uma proposta nova. A entidade pode estar em execução no ano seguinte.
- Risco baixo: o projeto-alvo ja foi aprovado em concurso competitivo. A entidade entrante junta-se a algo que ja passou crivo científico, em vez de assumir o risco de uma proposta nova.
- Aprendizagem aplicada: a integração num consorcio europeu maduro permite aprender, na prática, gestão de projetos europeus, governance de consorcio, processos de reporte a EU, qualidade técnica esperada. Esta aprendizagem e activo intangivel para futuras chamadas como coordinador.
O que pode correr mal
Apesar da agilidade do mecanismo, o Hop-On nao e isento de desafios. O primeiro e identificar projetos em execução onde se pode efectivamente contribuir. A base de dados CORDIS tem todos os projetos financiados, mas filtrar os que estao em execução, na area certa e onde a entidade tem proposta de valor real, exige trabalho preparatorio. O segundo desafio e ganhar a adesao do coordinador. Coordinadores ocupados por vezes resistem a integrar um parceiro novo a meio do projeto, mesmo que o orcamento adicional seja top-up. A relacao previa, ou pelo menos a credibilidade da entidade entrante na area científica, pesam significativamente.
Um terceiro desafio e a integração operacional. Entrar a meio de um projeto exige absorver rapidamente a documentacao, os deliverables ja produzidos, as expectativas dos avaliadores externos da Comissão e o ritmo do consorcio. Entidades sem experiencia previa em projetos Horizonte Europa podem ter dificuldade em manter o passo no inicio.
O que recomendamos
O Hop-On Facility e uma das oportunidades mais subaproveitadas do Horizonte Europa para entidades portuguesas. A maioria das organizações investe muito tempo em construir propostas competitivas para chamadas tradicionais e ignora este mecanismo lateral que tem taxa de aprovacao mais alta e ciclo significativamente mais curto.
Para universidades e centros de investigação portugueses, recomendamos uma logica dupla: continuar a candidatar a chamadas tradicionais, mas paralelamente mapear projetos em execução no CORDIS onde possam contribuir e abordar coordinadores. Para PMEs portuguesas com tecnologia ou expertise validada, o Hop-On em projetos do Pilar 2 (Indústria, Saúde, Mobilidade, Energia) pode ser o caminho mais rapido para entrar no ecossistema europeu.
Tres notas finais. Primeiro, o Hop-On nao e instrumento para fazer ciencia exploratoria; e instrumento para aplicar expertise existente a um contexto que ja existe. Segundo, o trabalho preparatorio (mapeamento de projetos, conversa com coordinadores) tem de comecar pelo menos seis meses antes do prazo. Terceiro, a entidade que faz Hop-On uma vez tipicamente faz mais vezes; a relacao com o consorcio gerador transforma-se em base para futuras candidaturas conjuntas como parceiro de pleno direito.
Comentarios, correcoes ou contrapontos sao bem-vindos: [email protected]