O Programa

Chips Joint Undertaking: a aposta europeia nos semicondutores

O Chips Joint Undertaking (Chips JU) e a parceria pública-privada europeia criada ao abrigo do Regulamento Europeu dos Chips (European Chips Act) para reposicionar a Europa como potencia global na produção de semicondutores. Com o objetivo de duplicar a quota de mercado europeia em microeletrónica para 20% ate 2030, o Chips JU financia investigação, inovação e capacidade produtiva em toda a cadeia de valor dos chips.

A call HORIZON-JU-CHIPS-2026-1-IA financia especificamente ações de inovação, orientadas para a demonstracao e validacao de tecnologias prontas para o mercado. O foco esta nos níveis TRL 5-8, que cobrem desde a validacao em ambiente relevante ate o sistema demonstrado em ambiente operacional real. Nao se trata de investigação basica: espera-se que os projetos estejam proximos de aplicacao industrial concreta.

40M
Dotacao EUR 2026
5
Grantos esperados
15M max
Por projeto
5-8
Níveis TRL alvo
Estrutura da Call

Processo em duas fases e montantes disponiveis

A call opera em formato two-stage: uma primeira fase de pre-proposta (deadline 31 de marco de 2026, ja encerrada) e uma segunda fase de proposta completa com deadline a 14 de maio de 2026. Os candidatos que passaram a primeira fase encontram-se agora em preparacao das suas propostas finais. Organizações que nao submeteram na primeira fase nao podem concorrer a esta edicao.

O envelope disponivel e de EUR 40 milhoes para 2026, com expectativa de financiar cinco projetos. Os valores por projeto variam entre um mínimo de EUR 1 milhao e um máximo de EUR 15 milhoes, dependendo do escopo e composicao do consorcio. O mecanismo de financiamento e um Action Grant Budget-Based (HORIZON-AG), o formato padrao do Horizonte Europa.

Enquadramento SRIA 2026
As propostas devem alinhar-se com a Strategic Research and Innovation Agenda (SRIA) 2026 do Chips JU, que define as prioridades tecnologicas e os dominios de aplicacao onde a Europa quer construir vantagem competitiva. A conformidade com a SRIA nao e opcional: e um criterio de avaliação central.
Elegibilidade e Consorcio

Quem pode candidatar-se e com que perfil

A elegibilidade geografica abrange os Estados-Membros da UE e os paises associados ao Horizonte Europa. Do ponto de vista organizacional, o Chips JU tem um requisito estruturante: os projetos devem ser desenvolvidos por consorcios que incluam obrigatoriamente grandes empresas, PME, universidades e institutos de investigação. Esta exigencia reflete a logica do programa: as Innovation Actions do Chips JU nao sao projetos academicos, mas sim iniciativas com forte ancoragem industrial.

As condições detalhadas de admissibilidade e elegibilidade estao no Apendice 7 do Workprogramme do Chips JU. Os consorcios sao tipicamente compostos por empresas de semicondutores, fabricantes de equipamentos, centros tecnologicos e universidades técnicas com experiencia em microeletrónica.

  • Grandes empresas: empresas do setor de semicondutores ou utilizadoras intensivas de chips (automovel, indústria, saúde, defesa, comunicacoes)
  • PME tecnologicas: empresas especializadas em design de chips, EDA tools, materiais avancados ou integração de sistemas
  • Universidades e institutos: entidades com laboratorios de fabricacao, centros de competencias em microeletrónica ou capacidade de prototipagem
  • Perfil portugues tipico: INESC TEC, INESC MN, IT Aveiro, IST, empresas como Tekever ou Critical Software em componentes de sistema
Atividades Elegiveis

O que os projetos devem demonstrar

As Innovation Actions do Chips JU focam-se em atividades que criam ambientes de inovação realistas, com impacto industrial mensuravel. O Workprogramme identifica tres grandes areas de intervencao:

  • Instalações piloto de fabricacao: criação ou upgrade de linhas de produção em escala piloto para novas tecnologias de chips, incluindo processos de 3nm e abaixo, chiplets avancados ou tecnologias de embalagem heterogenea
  • Zonas de teste em escala real: ambientes de validacao que replicam condições reais de utilização dos chips (temperatura, radiacao, interferencia eletromagnetica, fiabilidade a longo prazo)
  • Novos processos de fabrico: desenvolvimento de processos industriais que reduzam custos, aumentem rendimento ou habilitem novas funcionalidades nos chips fabricados

O programa valoriza propostas que cubram multiplos dominios de aplicacao: automovel, indústria 4.0, computacao de alto desempenho, comunicacoes 5G/6G, saúde digital, espaco e defesa. O portfolio equilibrado entre projetos de diferente dimensao e complexidade e um criterio explicito de selecao.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

O Chips JU opera numa liga diferente da maioria dos programas europeus de inovação: os consorcios vencedores sao tipicamente liderados por grandes grupos industriais europeus (STMicroelectronics, Infineon, NXP, Bosch) com anos de relacionamento com o Chips JU e com o ECSEL JU predecessor. Para uma organização portuguesa entrar nesta competicao, o caminho mais realista e integrar um consorcio como parceiro especializado, nao como lider.

O valor de uma participacao portuguesa nao esta tanto no montante direto recebido quanto no posicionamento no ecossistema europeu de semicondutores: acesso a tecnologia de ponta, relacoes com os grandes fabricantes e visibilidade junto da Comissão Europeia. Para empresas com capacidade de design de chips, integração de sistemas ou materiais avancados, uma parceria estratégica num consorcio Chips JU pode valer mais do que o financiamento em si.

Para a edicao 2026, a janela de candidatura como primeiro submissor ja encerrou. As organizações interessadas devem desde ja identificar consorcios ativos para futuras edicoes e construir o historial de colaboracao necessario para ser um parceiro credivel.

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