O Programa

Investigação em semicondutores: o que financia esta call

As Research and Innovation Actions (RIA) do Chips Joint Undertaking financiam investigação orientada para a criação de novos conhecimentos e para a demonstracao de viabilidade de tecnologias ainda em fase laboratorial. Ao contrario das Innovation Actions (IA), que operam nos TRL 5-8 e pressupõem ambientes quasi-industriais, as RIA focam-se nos níveis TRL 3-4: prova de conceito em laboratorio e validacao em ambiente relevante, mas ainda longe da escala produtiva.

A call HORIZON-JU-CHIPS-2026-1-RIA disponibiliza EUR 50 milhoes para 2026, com expectativa de financiar oito projetos. Os montantes por projeto variam entre EUR 1 milhao e EUR 12 milhoes. O processo e em duas fases: a primeira (deadline 30 de abril de 2026) e de pre-proposta; a segunda e de proposta completa, com deadline a 31 de outubro de 2026. Esta edicao ainda tem a primeira fase aberta para novos candidatos.

50M
Dotacao EUR 2026
8
Grantos esperados
12M max
Por projeto
3-4
Níveis TRL alvo
Diferenca entre RIA e IA no Chips JU
As RIA financiam investigação em laboratorio (TRL 3-4): prova de conceito, demonstracao em ambiente controlado, planos de transferencia para o ecossistema. As IA (ver artigo separado) financiam inovação proxima da indústria (TRL 5-8): instalações piloto, validacao em escala real. Sao competicoes distintas, com perfis de consorcio diferentes.
Perfil dos Consorcios

Quem se candidata a uma RIA do Chips JU

As RIA do Chips JU exigem consorcios que combinam capacidade de investigação fundamental com perspetiva de aplicacao industrial. O Workprogramme e explicito: as propostas devem demonstrar "abordagens inovadoras em aplicacoes relevantes" e incluir "planos de implementação para valorizacao do ecossistema". Nao basta investigar: e preciso mostrar um caminho credivel para a aplicacao industrial.

O perfil tipico de consorcio inclui universidades técnicas com laboratorios de microeletrónica, institutos de investigação especializados, PME de tecnologia e pelo menos uma grande empresa industrial que ancora a relevancia aplicada do projeto. Para Portugal, as entidades mais posicionadas incluem:

  • Investigação: INESC MN (nanoelétrónica e microfabricacao), IT Aveiro (fotónica e telecomunicacoes), INESC TEC (sistemas de informacao e eletronica)
  • Universidades: IST Lisboa, Universidade do Minho, Universidade de Aveiro, FEUP Porto
  • Empresas tecnologicas: organizações com capacidade de design de circuitos integrados, processamento de sinais ou integração de sistemas embebidos
Atividades Elegiveis

O que os projetos investigam

As RIA do Chips JU 2026 alinham-se com a SRIA (Strategic Research and Innovation Agenda) 2026, que define as prioridades tecnologicas do Chips Joint Undertaking. As areas de investimento cobrem toda a cadeia de valor dos semicondutores, com enfase em tres linhas:

  • Investigação basica em tecnologias de chips: novos materiais semicondutores (alem do silicio), arquiteturas de transistores de proxima geracao, processos de litografia avancada, computacao quantica em chip
  • Exploracao de viabilidade de processos: novas abordagens de embalagem heterogenea (chiplets), integração 3D, tecnologias de memoria emergentes, chips fotonicos
  • Demonstracao em ambientes laboratoriais: prototipagem de conceito, testes em condições controladas, validacao de parametros criticos de desempenho

Os projetos devem tambem apresentar planos concretos de transferencia para o ecossistema industrial europeu, incluindo publicacoes, patentes, spin-offs ou parcerias com fabricantes.

Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

As RIA do Chips JU sao, comparadas com as IA, mais acessiveis para entidades de investigação portuguesas. O TRL mais baixo (3-4) significa que nao e necessario ter linhas de fabricacao ou instalações piloto: laboratorios universitarios bem equipados podem ser o centro do consorcio. A chave e ter um parceiro industrial europeu que valide a relevancia aplicada da investigação e garanta que a proposta nao parece academica demais.

Para organizações que querem entrar no ecossistema do Chips JU pela primeira vez, as RIA sao o ponto de entrada mais realista. O risco de candidatura e menor, o perfil de consorcio e mais flexivel e a deadline de outubro de 2026 da tempo suficiente para construir uma proposta solida. O primeiro passo pratico e identificar parceiros europeus atraves da rede KDT JU e mapear o alinhamento da investigação interna com as prioridades SRIA 2026.

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