Reconhecer a liderança científica em meio de carreira
O Scientific Leadership Prize é um dos prémios EDCTP 2026-2027, financiados ao abrigo do Horizonte Europa no quadro do programa Global Health EDCTP3, a parceria europeia dedicada à investigação clínica de doenças infecciosas com foco na África subsariana. É um prémio de reconhecimento, atribuído por mérito a trabalho já realizado, não um apoio a despesas futuras. O valor é de 15 000 euros.
Existem quatro prémios de Liderança Científica, distribuídos por quatro perfis distintos: dois para investigadores residentes na União Europeia ou em país associado ao Horizonte Europa (uma mulher e um homem) e dois para investigadores residentes num país da África subsariana membro da EDCTP Association (uma mulher e um homem). Esta ficha refere-se especificamente ao prémio para um investigador (homem) residente na África subsariana.
O objetivo é distinguir cientistas em crescimento, em fase de meio de carreira, que se afirmem como líderes na sua área e que tenham contribuído de forma significativa para os objetivos do programa. Os vencedores são distinguidos no EDCTP Forum 2027, em Espanha.
Necessidades que este instrumento resolve
Este instrumento opera num registo de reconhecimento, não de financiamento de operação. As necessidades que cobre refletem essa natureza.
- Prémios e visibilidade: a distinção confere reconhecimento institucional europeu a um investigador e ao seu percurso, com cerimónia pública no EDCTP Forum e divulgação associada. É um selo de credibilidade que projeta o cientista e a sua instituição nas redes internacionais de saúde global.
- I&D e ciência: o critério decisivo combina excelência científica com impacto na construção de capacidade de investigação na África subsariana, valorizando o reforço de redes de cooperação Sul-Sul e Norte-Sul dentro do âmbito do programa EDCTP3.
Elegibilidade e critérios
A candidatura é individual e apresentada pelo próprio candidato. Para ser elegível a este prémio específico, é preciso ser pessoa singular, ter menos de 50 anos à data do lançamento do concurso, identificar-se como homem e residir num país da África subsariana que seja membro da EDCTP Association. A candidatura inclui uma carta de apoio de um cientista reputado, com o respetivo currículo curto, mais o currículo do candidato, num documento técnico até 45 páginas.
As candidaturas são submetidas exclusivamente por via eletrónica, através do Funding & Tenders Portal da Comissão Europeia. Cada candidato pode apresentar apenas uma candidatura. Os colaboradores do programa Global Health EDCTP3, de instituições da UE e da EDCTP Association não são elegíveis, nem podem fornecer cartas de apoio.
Relevância no contexto português
Este prémio específico não é acessível a investigadores residentes em Portugal: a elegibilidade exige residência num país da África subsariana membro da EDCTP Association. A sua relevância para o ecossistema português é indireta mas real: situa-se no plano da cooperação. Grupos portugueses com tradição em medicina tropical e doenças infecciosas mantêm parcerias com investigadores e instituições da África subsariana. A distinção de um colaborador africano reforça a visibilidade dessas redes conjuntas.
Para universidades, centros de investigação e hospitais portugueses ativos em saúde global, vale identificar parceiros africanos cujo percurso se enquadre nos critérios e apoiar a sua candidatura. Para a versão deste prémio acessível a residentes na UE existe o prémio paralelo de Liderança Científica para a UE. O prémio Dr Pascoal Mocumbi, por seu lado, admite candidatos residentes na UE ou em país associado.
O que recomendamos
Os prémios de reconhecimento são frequentemente subvalorizados porque não trazem orçamento de projeto. O seu retorno é reputacional e esse retorno é tangível: uma distinção europeia abre portas a colaborações, a convites e a financiamento futuro com muito menos esforço do que uma candidatura competitiva equivalente. Numa rede de investigação Europa-África, o reconhecimento de um parceiro africano valoriza toda a colaboração.
A quem se enquadre, recomendamos que construa a candidatura em torno de evidência concreta de liderança científica e de impacto na capacidade de investigação local, com indicadores tangíveis. A carta de apoio deve ser de alguém com peso na área. É a qualidade dessa narrativa, não a sua extensão, que distingue uma candidatura premiada das restantes.
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