EDCTP3: a parceria europeia para saúde global
A Global Health EDCTP3 Joint Undertaking e a terceira geracao da European and Developing Countries Clinical Trials Partnership, uma das mais antigas e robustas parcerias público-públicas no dominio da saúde global financiadas pelo Horizonte Europa. O seu mandato e especifico: financiar investigação clinica e desenvolvimento de intervencoes medicas - vacinas, medicamentos e diagnosticos - para doencas que afetam desproporcionalmente populacoes de Africa Subsariana.
A call 2025-01, em duas fases (two-stage), mobilizou 214 milhoes de euros para tres areas temáticas: tuberculose, malaria e doencas tropicais negligenciadas (DTN). Estes tres dominios foram selecionados pela sua relevancia epidemiologica e pelo deficit de financiamento privado - sao doencas onde o mercado nao oferece incentivos suficientes para que a indústria farmaceutica invista de forma autonoma, tornando o financiamento público europeu estruturante.
Portugal tem uma posicao historicamente distinta neste programa: a ligacao luso-africana, as competencias de investigação clinica do IHMT e do IPATIMUP e os laboratorios associados com experiencia em doencas tropicais conferem ao ecossistema científico nacional uma vantagem comparativa que e sub-aproveitada.
Areas temáticas financiadas
| Codigo | Area | Foco científico |
|---|---|---|
| TB-01 | Tuberculose | Desenvolvimento de vacinas para TB em contexto de Africa Subsariana, em colaboracao com parceiros africanos |
| MALARIA-02 | Malaria | Investigação sobre terapeuticas existentes e desenvolvimento clinico de novos candidatos a antimalarios |
| NTD-03 | DTN | Aceleracao do desenvolvimento de vacinas profilaticas contra doencas tropicais negligenciadas na Africa Subsariana |
Todos os topicos sao Research and Innovation Actions (RIA), o tipo de acao mais exigente do Horizonte Europa em termos de rigor científico e esperanca de resultados empiricos originais. O modelo two-stage implica uma primeira fase de nota de intencao (outline proposal), seguida de convite para proposta completa apenas para os projetos pre-selecionados - um processo que reduz o esforco de candidatura para os consorcio que nao passam a segunda fase.
Perfil dos consorcio
A EDCTP3 financia consorcio multinacionais com obrigatoriedade de parceiros europeus e africanos. Os tipos de entidade elegiveis incluem:
- Universidades e centros de investigação: com capacidade de investigação clinica ou laboratorial em doencas infeciosas
- Hospitais e institutos de saúde pública: com experiencia em ensaios clinicos em contextos de recursos limitados
- Empresas farmaceuticas e de biotecnologia: incluindo PMEs com pipeline em desenvolvimento para doencas neglected
- Organizações africanas: institutos de investigação, ministerios da saúde, hospitais universitarios - com papel científico ativo
O perfil de consorcio tipicamente vencedor neste programa combina um coordenador europeu com forte historial em EDCTP anteriores, dois a tres parceiros cientificos europeus complementares e dois a quatro parceiros africanos com presenca nos paises de intervencao. A dimensao dos projetos - ate 15,3 milhoes de euros - implica consorcio de oito a quinze entidades.
O que recomendamos
A EDCTP3 e um programa de nicho: financia investigação clinica altamente especializada, com requisitos de consorcio exigentes e horizonte científico de longo prazo. Para a grande maioria das organizações portuguesas, nao e um instrumento de entrada - e um instrumento de consolidacao para quem ja tem redes africanas e experiencia clinica nestas areas.
O valor desta ficha reside na consciencializacao: centros como o IHMT, o IGC, ou unidades hospitalares com experiencia em doencas infeciosas devem estar atentos as edicoes anuais da EDCTP3. O pipeline de calls e regular e a construcao de redes africanas e um investimento que se amortiza ao longo de varios ciclos de financiamento.
Para quem esta a comecar, a estrategia mais eficaz e entrar como parceiro numa proposta liderada por uma organização com mais experiencia, ganhando visibilidade e credibilidade para coordenar em ciclos futuros. O programa tem um efeito de lock-in positivo: quem ganha uma vez tem vantagem nas edicoes seguintes, dada a complexidade das redes africanas que e necessario construir.
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