Contexto

Vias navegaveis interiores: arteria esquecida da mobilidade europeia

A rede de vias navegaveis interiores da Europa, rios, canais e lagos navegaveis, transporta cerca de 500 milhoes de toneladas de mercadorias por ano. E uma infraestrutura que em muitos paises representa a alternativa mais sustentavel ao transporte rodoviario para cargas pesadas, especialmente em corredores como o Reno, o Danubio, o Sena e o Po. No entanto, as alteracoes climáticas estao a colocar sob pressao crescente esta rede: os episodios de seca severa reduzem drasticamente os níveis de água e inviabilizam a navegacao, enquanto as cheias extremas causam danos em ecluses, pontes e portos fluviais.

Este topico da Missao da UE sobre Adaptação Climática (HORIZON-MISS-2026-01-CLIMA-06) financia investigação que vai desde a modelacao dos impactos climaticos nestas vias ate ao desenvolvimento de solucoes baseadas na natureza para aumentar a sua resiliencia, passando por estimativas de custos de investimento em adaptação que permitam fundamentar decisoes públicas e privadas.

Objetivos técnico-cientificos

O que cada projeto deve entregar

As propostas aprovadas devem cobrir um conjunto exigente de objetivos, que tornam este topico especialmente adequado para consorcios com competencia multidisciplinar em hidrologia, modelacao climática, engenharia de infraestruturas e politica de transportes:

  • Quadros de modelacao climática: desenvolver modelos especificos para vias navegaveis interiores da UE, incorporando cenarios de precipitacao, temperatura, caudais extremos e níveis de água com horizontes temporais de 2050 e 2100.
  • Avaliações de risco na rede TEN-T: conduzir avaliações abrangentes das rotas navegaveis que integram a Rede de Transportes Trans-Europeus, identificando os trocos de maior vulnerabilidade e as janelas criticas de disrupcao operacional.
  • Estimativas de custo de adaptação: quantificar os investimentos necessarios para adaptar as infraestruturas existentes (ecluses, barragens, canais, terminais fluviais) aos cenarios climaticos projetados, criando instrumentos de apoio a decisao de investimento.
  • Solucoes baseadas na natureza: explorar intervencoes NbS como requalificação de margens, restauro de leitos de cheia e gestão de vegetacao ribeirinha que, simultaneamente, reforcem a resiliencia hidrica e criem valor ecológico.
  • Mecanismos de colaboracao multiparte: desenvolver estruturas de governanca que facilitem a colaboracao entre gestores de vias navegaveis, autoridades nacionais, operadores de transporte e gestores de infraestrutura.
Formato Lump Sum
Este topico usa o modelo de financiamento Lump Sum do Horizonte Europa, ao abrigo do Regulamento Financeiro da UE 2024/2509. O consorcio recebe o valor acordado na proposta, sem necessidade de reportar custos reais por linha. Simplifica a gestão mas exige uma proposta orcamental muito solida desde o inicio.
12M EUR
Dotacao total
6M EUR
Por projeto
2
Projetos financiados
Perfil de candidato

Quem tem posicionamento relevante neste topico

O perfil ideal para liderar ou participar neste topico combina competencia hidrologica ou de modelacao climática com acesso a dados de vias navegaveis e capacidade de trabalhar com gestores de infraestrutura. Organizações tipicamente relevantes incluem institutos nacionais de hidrologia e recursos hídricos, universidades com grupos de investigação em clima e transporte, gestores de vias navegaveis (como o LNEC em Portugal), empresas de engenharia com experiencia em infraestrutura hidrica e autoridades portuarias fluviais.

Para Portugal, o contexto e particular: as principais vias navegaveis interiores do pais, como o Douro, estao sujeitas a variabilidade hidrologica intensa, com anos de seca severa a afetarem os níveis de água necessarios para a navegacao comercial e de lazer. Esta especificidade iberica, marcada pela influencia dos regimes atlantico e mediterranico, pode ser um contributo diferenciador num consorcio europeu maioritariamente focado nos grandes rios do centro e norte da Europa.

Criterio Detalhe
Tipo de acaoRIA - Investigação e Inovação (Lump Sum)
Dotacao total12.000.000 EUR
Projetos financiados2 projetos
Contribuicao por projeto6.000.000 EUR
Abertura prevista7 de abril de 2026
Prazo de candidatura28 de abril de 2027
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

Este e um topico de nicho com alta profundidade técnica requerida. A vantagem competitiva vai para os consorcios que consigam combinar credibilidade científica em modelacao hidrologica com acesso a dados operacionais reais de gestão de vias navegaveis. Equipas puramente academicas sem parceiros operacionais tendem a ser penalizadas na dimensao de relevancia prática das avaliações.

O facto de financiar dois projetos (em vez de apenas um, como em CLIMA-03 e CLIMA-04) aumenta as hipoteses de sucesso e permite que dois consorcios com abordagens distintas sejam financiados: por exemplo, um focado na modelacao e outro nas solucoes NbS. Para organizações portuguesas, a estrategia de entrada mais eficaz e posicionar Portugal como representante de regimes hidrologicos do sul da Europa, complementando consorcios dominados por parceiros dos rios do norte.

Com abertura prevista para abril de 2026 e prazo em abril de 2027, ha cerca de doze meses de preparacao disponivel. E tempo suficiente para construir um consorcio solido, mas insuficiente para comecar do zero. Organizações que ja participem em projetos Horizonte Europa relacionados com água, transportes ou adaptação climática estao naturalmente melhor posicionadas.

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