A proxima geracao de dados para o clima europeu
O topico HORIZON-CL5-2026-07-D1-01 faz parte da call HORIZON-CL5-2026-07, integrada no programa Horizon Europe - Climate Science and Solutions (HORIZON.2.5.1). Com uma dotacao de 15 milhoes de euros e ate tres projetos financiados, este instrumento financia investigação fundamental que sustenta a capacidade europeia de monitorizar, compreender e reportar sobre o clima a escala global.
O enquadramento estratégico e claro: a Europa atravessa um momento de crescente dependencia de dados climaticos para decisoes de politica pública, adaptação e mitigacao. Este call responde diretamente a necessidade de fortalecer a soberania europeia em informacao climática, num contexto em que a retirada de investimento norte-americano em sistemas de monitorizacao climática cria lacunas que a UE precisa de antecipar.
Tres caminhos, um objetivo: dados climaticos de nova geracao
Cada proposta deve abordar exclusivamente uma das tres areas prioritarias definidas. Nao e possivel combinar areas na mesma candidatura. A selecao final dos projetos financiados garante cobertura equilibrada do portfolio, assegurando pelo menos um projeto financiado por area (o melhor classificado em cada).
Alinhamento obrigatorio com infraestruturas espaciais europeias
A candidatura implica requisitos técnicos nao negociaveis que diferem este call de outros instrumentos de investigação climática. Os consórcios devem demonstrar utilização ativa de dados Copernicus e/ou Galileo/EGNOS para a componente de observacao por satelite. Esta exigencia reforca o papel estratégico dos programas espaciais europeus como infraestrutura de suporte a ciencia do clima.
- Princípios FAIR: todos os dados produzidos devem ser Encontraveis, Acessiveis, Interoperaveis e Reutilizaveis, com alinhamento ao modelo CMIP (Coupled Model Intercomparison Project).
- Avaliação do impacto do desinvestimento dos EUA: os projetos devem analisar como potenciais reducoes de investimento norte-americano em monitorizacao climática afetam os sistemas globais de dados e propor estrategias de compensacao europeias.
- Coordenacao com iniciativas globais: articulacao mandatoria com o IPCC, WCRP, GCOS e as iniciativas Copernicus relevantes, garantindo que a investigação financiada se integra no ecossistema científico internacional.
- Modelo lump sum: os grants sao concedidos em regime de lump sum. A justificacao de orcamento para categorias de custo C e D e obrigatoria quando estas excedam 15% dos custos de pessoal.
Portfolio equilibrado por area prioritaria
O mecanismo de selecao deste topico combina classificacao por merito com logica de portfolio. Os projetos nao sao selecionados apenas por ordem decrescente de pontuacao: a Comissão garante que pelo menos o projeto melhor classificado em cada uma das tres areas prioritarias recebe financiamento, independentemente da sua posicao no ranking global.
Esta abordagem tem implicacoes práticas para os candidatos. Uma proposta tecnicamente solida numa area menos competida pode ter maior probabilidade de financiamento do que uma proposta excelente numa area com muita concorrencia, se o equilibrio do portfolio assim o exigir. A escolha estratégica da area prioritaria e, portanto, uma decisao critica no desenho da candidatura.
O que recomendamos
Este topico dirige-se a consórcios com forte componente de ciencia de dados climaticos, experiencia em trabalho com produtos Copernicus e capacidade de articulacao com redes internacionais como o WCRP ou o GCOS. Nao e um call para estreantes em Horizon Europe: o nível de exigencia técnica e de coordenacao internacional e elevado.
O ponto diferenciador mais subavaliado pelos candidatos e a avaliação do impacto do desinvestimento norte-americano. As propostas que tratarem este requisito como uma formalidade burocrática tendem a pontuar menos do que aquelas que o integram como uma questao de investigação genuina, com análise quantitativa dos gaps de dados e propostas concretas de substituicao ou compensacao europeia.
A escolha da area prioritaria deve ser orientada pela vantagem competitiva real do consorcio, nao pela percepcao de que uma area e menos disputada. A Comissão financia o melhor projeto de cada area, pelo que uma proposta fraca numa area pouco concorrida nao tem vantagem sobre uma proposta forte numa area mais popular.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]