Quantificar o preco da inacao: a fronteira da economia do clima
O topico HORIZON-CL5-2026-07-D1-03 financia investigação que preenche uma das lacunas mais criticas no debate politico sobre clima: a quantificacao robusta dos custos economicos de nao agir. Com 16 milhoes de euros e ate quatro projetos financiados, este instrumento procura modelos mais sofisticados do que os atualmente disponiveis para medir o impacto economico das alteracoes climáticas em termos de saúde, biodiversidade, infraestruturas e competitividade industrial.
O argumento de base e simples mas tecnicamente complexo: os modelos economicos atuais subvalorizam sistematicamente os custos do clima porque nao capturam adequadamente danos nao lineares, efeitos de tipping points, impactos distribucionais entre paises e geracoes e as sinergias entre mitigacao e adaptação. Este call financia a construcao de modelos de nova geracao que abordem essas falhas.
Perspetiva global versus foco europeu industrial
O call estrutura-se em torno de duas areas com logicas distintas. Como no topico D1-01, o mecanismo de selecao garante pelo menos dois projetos financiados em cada area, independentemente do ranking global. A escolha da area e uma decisao estratégica que deve decorrer da capacidade real do consorcio, nao de uma percepcao de menor concorrencia.
Interdisciplinaridade, acesso aberto e co-design com stakeholders
A call e explicita sobre a abordagem metodologica esperada. Os projetos devem reunir cientistas fisicos do clima, economistas e especialistas em ciencias sociais, sendo a colaboracao interdisciplinar uma condicao de elegibilidade, nao uma opcao. Grupos de investigação exclusivamente economicos ou exclusivamente climatologicos nao serao competitivos.
- Acesso aberto mandatorio: quaisquer novos modulos, modelos ou ferramentas desenvolvidos de raiz ou substancialmente melhorados devem ser disponibilizados em acesso aberto, garantindo reutilizacao por outros grupos e por decisores politicos.
- Co-design com stakeholders: o processo de desenvolvimento dos modelos deve incluir um processo formal de co-design com stakeholders relevantes, incluindo indústria, governos, organizações civis e comunidades afetadas.
- Dados Copernicus/Galileo: utilização mandatoria de dados dos sistemas espaciais europeus para a componente de observacao por satelite.
- Area A - parceiros de paises de rendimento baixo/medio: mínimo de tres entidades independentes desses paises como beneficiarios ou afiliados do consorcio, nao apenas como subcontratados.
O que recomendamos
Este topico e tecnicamente exigente numa dimensao pouco habitual em calls de clima: requer expertise economica de alta qualidade. Consórcios liderados por grupos de climatologia que incluam economistas como parceiros menores serao menos competitivos do que consórcios onde a massa critica economica e genuinamente equivalente a climatologica.
Para a Area A, a qualidade das parcerias com entidades de paises de rendimento baixo ou medio e determinante, nao apenas em número mas em substancia. A Comissão avalia se os parceiros do Sul Global sao co-criadores reais da investigação ou apenas participantes formais para cumprir requisitos. Consórcios com relacoes pre-existentes e solidas com universidades ou centros de investigação africanos, asiaticos ou latino-americanos partem com vantagem.
Para a Area B, o elemento de autonomia estratégica europeia da muito protagonismo a setores como aco, cimento, quimica, fertilizantes e aluminio. Consórcios que consigam envolver parceiros industriais destes setores na fase de co-design sao mais credíveis na demonstracao de relevancia prática dos modelos desenvolvidos.
Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]