Riscos climaticos: a fronteira do conhecimento europeu
O topico HORIZON-CL5-2026-07-D1-02 integra a call HORIZON-CL5-2026-07, no ambito do programa Horizon Europe - Climate Science and Solutions. Com 15 milhoes de euros distribuidos por ate tres projetos, este instrumento responde a uma lacuna identificada tanto na Avaliação Europeia de Riscos Climaticos (EUCRA) como nos mais recentes relatorios do IPCC: o conhecimento sobre como os riscos climaticos se propagam entre sistemas interligados e atravessam fronteiras politicas e geograficas e ainda insuficiente para suportar decisoes de adaptação robustas.
A EUCRA, publicada pela Agencia Europeia do Ambiente, mapeou pela primeira vez os riscos criticos para a Europa em cinco grandes clusters: ecossistemas, alimentacao, saúde, infraestruturas e financas. Este call traduz esse mapeamento em agenda de investigação financiada, pedindo a consórcios que aprofundem a compreensao dos mecanismos pelos quais esses riscos se amplificam e interagem.
Dois sistemas interligados, quatro regioes europeias
O call tem dois requisitos de escopo que moldam a estrutura de qualquer proposta competitiva. O primeiro e a abordagem multi-sistema: cada proposta deve abordar pelo menos dois sistemas interligados entre si, escolhidos de entre ecossistemas, agricultura, saúde, infraestruturas, energia, água e financas. A premissa e que os riscos climaticos raramente se materializam de forma isolada.
O segundo requisito e geografico: as propostas devem incluir estudos de caso que cubram as quatro regioes europeias definidas na EUCRA, assegurando que as conclusoes da investigação tem relevancia pan-europeia e nao apenas para um contexto nacional ou sub-regional.
| Sistema | Exemplos de riscos climaticos |
|---|---|
| Ecossistemas | Perda de biodiversidade, alteracao de habitats, colapso de servicos de ecossistema |
| Agricultura | Redução de colheitas, stress hídrico, proliferacao de pragas e doencas |
| Saúde | Ondas de calor, expansão de vetores de doencas, qualidade do ar |
| Infraestruturas | Inundacoes costeiras e fluviais, cheias rapidas, degradacao de activos |
| Energia | Interrupcoes no fornecimento, variabilidade hidrologica, demanda de arrefecimento |
| Água | Escassez hidrica, qualidade da água, seca prolongada |
| Financas | Riscos fisicos para activos, seguros, credito e estabilidade financeira |
Eventos recentes e experiencia de adaptação como material de investigação
O call e explicito sobre o tipo de evidencia que espera integrar: as propostas devem incorporar licoes aprendidas com eventos climaticos extremos recentes - incendios, inundacoes, ondas de calor - e com experiencias concretas de adaptação ja implementadas, analisando o que funcionou, o que falhou e porque. Esta exigencia distingue este topico de investigação puramente modelistica: ha uma expectativa clara de que a investigação dialogara com a realidade observada na ultima decada.
Os consórcios devem tambem usar dados Copernicus e/ou Galileo/EGNOS para a componente de observacao por satelite e os dados produzidos devem seguir os principios FAIR para garantir reutilizacao por outros grupos de investigação e por decisores politicos.
O que recomendamos
Este e um topico com perfil de consorcio exigente. A combinacao de dois sistemas interligados com cobertura de quatro regioes europeias requer parceiros com capacidade empirica diversa: grupos de investigação de saúde pública, gestores de infraestruturas, economistas do clima, especialistas em ecossistemas. Consórcios homogeneos disciplinarmente terão dificuldade em ser competitivos.
O elemento diferenciador mais valioso neste call e a qualidade da análise de eventos recentes. A Comissão quer ver investigação que aprende com o que ja aconteceu, nao apenas modelos que projectam o que pode acontecer. Consórcios que consigam mobilizar dados empiricos de eventos como as inundacoes de 2021 na Europa central, os incendios de 2023 na Grecia, ou a seca prolongada de 2022 na Peninsula Iberica e integra-los em frameworks analiticos robustos, partem com vantagem.
A abordagem de efeitos transfronteiriços deve ser genuinamente transfronteiriça: nao basta ter parceiros de varios paises. O consorcio deve demonstrar que os mecanismos de propagacao de risco entre paises e regioes sao o objeto central da investigação, nao um resultado secundario.
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