A dimensao financeira da adaptação climática
A Missao "Uma Europa Climaticamente Resiliente" do Horizonte Europa reconhece que a adaptação ao clima nao e apenas uma questao técnica ou científica. E, antes de mais, uma questao financeira. Os investimentos necessarios para tornar as cidades, regioes e sectores economicos resilientes as alteracoes climáticas exigem instrumentos de financiamento adequados, metodologias de avaliação de risco confiaveis e enquadramentos regulatorios que incentivem o capital privado a fluir para as solucoes certas.
O topico CLIMA-07, integrado na Call MISS-2026-01 da referida missao, financia ações de coordenacao e apoio (CSA) que desenvolvam e testem abordagens inovadoras neste dominio. O objetivo nao e financiar investigação fundamental, mas sim coordenar atores, harmonizar metodologias e criar condições para que as financas climáticas funcionem a escala europeia.
O que este instrumento financia
O CLIMA-07 dirige-se a projetos que contribuam para um ecossistema financeiro europeu mais preparado para os riscos e oportunidades do clima. As linhas de trabalho esperadas articulam-se em torno de tres vetores principais.
- Inovação em instrumentos de financiamento climático: desenvolvimento de novos modelos de financiamento para adaptação, incluindo instrumentos mistos público-privados, obrigacoes verdes de adaptação e mecanismos de partilha de risco
- Metodologias de avaliação de risco climático: harmonizacao de abordagens para quantificar riscos fisicos (cheias, secas, calor extremo) e de transição em portfolios financeiros e decisoes de investimento
- Alinhamento com taxonomia europeia: trabalho de coordenacao para clarificar como as atividades de adaptação se enquadram nos criterios da Taxonomia Verde da UE e nos requisitos de divulgacao ESG
- Capacitacao de atores financeiros: formacao, guias e ferramentas práticas para que bancos, seguradoras e investidores institucionais integrem o risco climático nas suas decisoes
Uma das cinco missoes da decada
O Horizonte Europa estruturou cinco missoes temáticas para o período 2021-2030, cada uma com dotacao própria e governacao especifica. A Missao "Uma Europa Climaticamente Resiliente" e uma delas, com o objetivo de desenvolver solucoes transformadoras para adaptar pelo menos 150 regioes europeias ate 2030.
A missao nao funciona apenas como fonte de financiamento para projetos individuais. Opera como um ecossistema onde investigadores, autarquias, empresas, organizações da sociedade civil e decisores politicos colaboram numa plataforma partilhada. Para Portugal, que e dos paises da Europa mais vulneraveis as alteracoes climáticas, a participacao nesta missao tem uma relevancia estratégica acima da media europeia.
Os topicos da call MISS-2026-01 cobrem um espectro alargado de desafios de adaptação, do qual o CLIMA-07 representa a componente especificamente financeira, completando topicos anteriores dedicados a infraestruturas, cidades, vias navegaveis e servicos climaticos.
Quem pode candidatar-se
As CSA do Horizonte Europa estao abertas a entidades juridicas de estados-membros da UE e paises associados, incluindo Portugal. Para este topico especifico, o perfil mais adequado combina instituicoes com competencia técnica em financas e risco climático com atores que tenham proximidade ao terreno e experiencia prática em adaptação.
- Centros de investigação e universidades com especializacao em economia climática, financas sustentaveis ou gestão de risco
- Reguladores e supervisores financeiros (bancos centrais, autoridades de supervisao)
- Instituicoes financeiras com programas de financas sustentaveis
- Autoridades locais e regionais com planos de adaptação em curso
- Organizações internacionais com mandato em financas climáticas
O mínimo exigido para CSA e geralmente um consorcio de tres entidades de tres paises diferentes da UE ou paises associados. A qualidade do consorcio, em particular a sua capacidade de influenciar politicas e gerar resultados com impacto real e um criterio central na avaliação.
O que recomendamos
O CLIMA-07 e um topico de nicho com poucos concorrentes naturais. O perfil de entidade que combina competencia financeira com sensibilidade ao risco climático e relativamente raro na Europa, o que pode ser uma vantagem para equipas portuguesas bem posicionadas. Bancos de fomento, associacoes do sector segurador, centros de investigação em economia do clima e autoridades regionais com planos de adaptação formais sao os candidatos mais naturais.
O aviso mais importante: uma CSA como esta exige uma visão clara do impacto politico esperado. Os avaliadores nao procuram projectos de investigação disfarçados de coordenacao. Procuram projectos que demonstrem como o trabalho de harmonizacao e disseminacao vai influenciar concretamente decisoes de politica financeira, regulacao ou práticas de mercado. Sem essa narrativa de impacto, mesmo um consorcio tecnicamente solido pode nao passar a avaliação.
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